Filosofia para aprender
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Filosofia para aprender

As crianças têm que aprender a questionar as coisas de maneira desafiadora e criativa, como fazem os filósofos, pensando por vários pontos de vista; e só então formar uma opinião, elaborar um argumento e defender uma ideia

Ana Maria Diniz

13 de dezembro de 2018 | 12h17

Quem de nós não sonhou em ter um professor inspirador, descontraído, sábio, envolvente e que tratasse a gente como gente assim como Merlí, o protagonista da série catalã de mesmo nome que virou um dos maiores sucessos da Netflix? Em um outro filme mais antigo, Sociedade dos Poetas Mortos, encontramos também o personagem John Keating, imortalizado por Robin Williams. Ambos conquistam os alunos com uma pedagogia pouco ortodoxa e muito humana porque não se distanciam dos dilemas, das angústias e da realidade dos alunos. Os dois, cada um à sua maneira, dominam a arte de fazer os jovens pensarem por conta própria e os preparam para lidar com questões universais da nossa existência e da sociedade.

Não há nada mais importante para que os jovens aprendam do que ajudá-los a fazer conexões entre a a vida real e o que é ensinado em sala de aula. Por isso o aprendizado por projetos é grande tendência atual. Dessa forma, os alunos aprendem a partir da resolução de situações reais. No caso dos projetos, a partir de problemas cotidianos, surgem os questionamentos e, com eles, nas tentativas e nos erros, as soluções são criadas e as respostas aparecem. As crianças e jovens têm que aprender a questionar as coisas de maneira desafiadora e criativa, como fazem os filósofos, pensando por vários pontos de vista. E só então formar uma opinião, elaborar um argumento e defender uma ideia.

Muito tem se discutido, a partir da reforma do Ensino Médio, sobre a retirada do currículo da disciplina de Filosofia como matéria obrigatória para todos os alunos. Eu, sinceramente, não acho que isso seja o mais importante. Pois quem deve ter Filosofia na sua base de formação para poder dar uma boa aula é o professor. São eles que deveriam dominar os conceitos dos principais filósofos para instigar os alunos a pensar e até desafiar o raciocínio do próprio professor.

Na ficção, Merlí faz isso de um jeito impecável. Para isso, relaciona temas cotidiano a uma escola filosófica ou a um grande pensador. É uma sacada fantástica. Afinal, a Filosofia é uma ferramenta para se discutir as grandes questões: a vida e a morte, a ética, a moral, a igualdade, a justiça, o amor, o individual e o coletivo, enfim, tudo o que nos faz humanos. Por meio dessas reflexões é que podemos encontrar maneiras de lidar melhor com as pessoas e com nós mesmos e, dessa forma, evoluir

O outro aspecto que faz de Merlí um professor adorável e um personagem memorável é o fato de ele ser de carne e osso. Inúmeras vezes ele se envolve em conflitos, tem dúvidas, vive amores fervorosos, enfim, mostra-se vulnerável como qualquer mortal. Este é outro ponto muito importante para um professor se aproximar do aluno: ser ele mesmo. A auto-estima de um professor faz com que ele possa se mostrar para os alunos de forma transparente e verdadeira. Sem a pretenção de parecer um super herói. Isso aproxima, ajuda a criar vínculo. Uma pessoa assim é muito mais cativante, envolvente e eficiente do que alguém que fica se protegendo o tempo todo e que quer ser colocado no pedestal. Por isso, eu defendo fortemente incluir no currículo de Pedagogia uma boa carga de conteúdos que levem o professor a se conhecer melhor.

Sei que o seriado da Netflix não é nenhuma uma novidade. Mas em tempos de debates sobre a reinvenção da escola e do professor, tanto no Brasil como no mundo, a série Merlí é certamente uma grande inspiração.

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