Enfim, uma base curricular para todo o Brasil
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Enfim, uma base curricular para todo o Brasil

O currículo unificado foi o ponto de partida de todas as reformas educacionais recentes e bem-sucedidas em diferentes cantos do mundo. Implementada de forma correta, a BNCC também poderá mudar radicalmente, e para melhor, o rumo da nossa Educação

Ana Maria Diniz

13 Abril 2017 | 11h14

O que Cingapura, Japão, Finlândia, Estônia, Macau, Hong Kong, Taiwan, Irlanda e Canadá, os primeiros colocados em matemática, ciência e leitura no último PISA, o mais importante teste de Educação do mundo, têm em comum? Excelência e uma base curricular comum. E os países como o Brasil, que amargaram as piores posições? A falta de um currículo único.

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Nosso país, um dos oito lanternas da edição passada do ranking, acaba de dar um passo importantíssimo para elevar a qualidade da Educação – e com a chance de sair do atoleiro. Na quinta-feira passada, o MEC lançou a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), um conjunto de diretrizes, metas e objetivos acadêmicos que irá orientar as políticas educacionais e as práticas pedagógicas em todo o território nacional daqui para frente.

O primeiro parágrafo deste texto dá uma ideia do porquê essa medida, que chega com vinte anos de atraso, deve ser tão aplaudida e comemorada. O currículo comum foi o ponto de partida de todas as reformas educacionais recentes e bem-sucedidas no mundo. Trata-se de uma bússola importantíssima, um norte para que escolas, professores e alunos – e, por consequência, uma nação inteira – naveguem sabendo o que realmente se espera da Educação e aonde se quer chegar.

Assim como os documentos de outros países, a BNCC, elaborada a muitas mãos e cabeças brasileiras, funcionará como um grande balizador, detalhando o que cada criança deve aprender a cada ano, independente de sua condição econômica, social ou do lugar em que vive. Por isso, ela constitui um verdadeiro compromisso do Estado para favorecer uma aprendizagem com equidade a todos os seus cidadãos.

Quando entrar em vigor, em 2019, a BNCC poderá promover uma transformação sem precedentes nas escolas brasileiras e em tudo e todos que orbitam em torno delas. A começar pela formação dos professores.

“Por dar ênfase à formação integral, aos modelos ativos e extrapolar o escopo acadêmico, a BNCC exigirá do professor uma visão maior do ser humano que ele está formando. Para estar apto ao tipo de aprendizagem proposta, o docente terá também de ser hábil em gestão de sala de aula e gestão de projetos e saber trabalhar os conteúdos de forma contextualizada e transversal”, diz Miguel Thompson, diretor do Instituto Singularidades.

Os exames nacionais também deverão seguir os preceitos da base nacional, o que levará a avaliações muito mais precisas e concretas. Os materiais didáticos, idem. Ou seja, a partir de agora, tudo terá de estar alinhado com o que propõe o documento.

No que diz respeito aos detalhes, a BNCC se revela moderna, conectada com as demandas do mundo atual. A fim de garantir aos alunos um desenvolvimento pleno, foram definidas 10 competências gerais que transpassam os conteúdos disciplinares, de forma que os estudantes também aprendam, na escola, a se relacionar com os outros, a resolver conflitos, a ter autonomia, pensamento crítico, ética e saúde física e, assim, atinjam os seus objetivos na vida.

Enfim, estamos diante de uma oportunidade única de driblar os obstáculos que impedem a melhora da nossa Educação e o avanço do nosso país. Temos em mãos um documento de altíssimo nível, revisado inúmeras vezes, elaborado com a participação de diferentes atores da sociedade – o texto recebeu mais de 12 milhões de contribuições em consulta pública em menos de seis meses, o maior número registrado em ações do gênero na história do país. O desafio, agora, é implementá-lo.