Eficiência é a palavra daqui para frente
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Eficiência é a palavra daqui para frente

O ministério atual é formado por profissionais mais do que bem-intencionados, que sabem o que fazer e têm capacidade técnica para atuar com eficiência. Devemos aproveitar esta e outras condições favoráveis para mudar a educação brasileira

Ana Maria Diniz

09 Junho 2016 | 14h37

Tive o prazer de conhecer pessoalmente o atual ministro da Educação, Mendonça Filho, na semana passada. Ele veio a São Paulo acompanhado de Maria Helena Guimarães Castro, secretária-executiva do MEC, e Rossieli Soares da Silva, secretário de Educação Básica do ministério, para uma reunião do movimento Todos Pela Educação.

Fiquei duplamente bem impressionada – e pela primeira, vez, confesso, entusiasmada -, com a possibilidade delineada de um Ministério da Educação composto por profissionais não só bem-intencionados, mas que sabem o que deve ser feito e têm capacidade técnica para executar um plano exequível e transformador do panorama atual da educação brasileira.

Muito acessível e despido de vaidade, o ministro parece ter consciência do seu importante papel diante do desafio enorme de mudar o rumo da nossa educação na direção da qualidade. Ao mesmo tempo, demonstra humildade ao reconhecer que encontrará muito percalços neste caminho. Sabe que faz parte de um governo provisório, à espera de um mandato para se estabelecer definitivo e curto, algo que só virá ao final do julgamento do processo de impeachment pelo Senado.

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As três pessoas mais importantes do ministério parecem muito afinadas e coesas em suas prioridades. São elas:

Continuar na discussão da Base Curricular Nacional para elaborar, junto ao Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed) e União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), uma terceira versão do documento, para que, enfim, o Brasil saiba O QUE, tem que ser ensinado nas escolas, em cada série.

Fortalecer o programa Alfabetização no Tempo Certo, garantindo que todas as crianças brasileiras saibam ler e escrever de verdade aos 8 anos.

Atuar na reformulação dos cursos de formação de professores para que as universidades façam uma formação docente comprometida com as práticas em sala de aula e com o aprendizado dos alunos.

Reformular o Ensino Médio para torná-lo não só mais atraente para o aluno, mas também mais proveitoso, ajudando o jovem a desenhar as várias e rotas para ser bem-sucedido como profissional.

Eu e os outros presentes na assembleia do Todos Pela Educação fomos surpreendidos por uma consideração improvável – e incrível – da equipe ministerial: eles descobriram, ao assumirem seus postos, que não falta dinheiro no ministério para a educação. Há, inclusive, várias low-hanging fruits esperando para serem colhidas. O que está faltando é eficiência de gestão.

O ponto levantado pela equipe é de extrema importância. Temos uma enorme dificuldade em assumir que a má qualidade do nosso ensino não decorre da carência de recursos, mas da incompetência ao geri-los. Em dez anos dobramos o investimento anual em educação básica, mas pouco evoluímos de fato: os nossos índices de repetência e evasão escolar continuam altos e o desempenho dos nossos estudantes, medíocre.  Está na hora de expor algumas verdades e encarar os problemas de frente!

Se não atacarmos imediatamente as distorções conhecidas, pouco vai adiantar aumentar os investimentos em educação para cumprir a meta de 10% do PIB prevista no Plano Nacional de Educação. Seria o mesmo que elevar o limite do cartão de crédito de um comprador compulsivo, sem capacidade de gerir seus gastos.

Não gosto de jeito nenhum da ideia de ver menos dinheiro sendo gasto na busca por mais qualidade na educação, pois considero o avanço na qualidade da educação a variável mais importante para construirmos um país com mais equidade e justiça, capaz de se firmar como um ator ativo no cenário internacional. Mas gostaria de ver todos os recursos disponibilizados para a educação usados de maneira inteligente, estratégica, planejada por pessoas engajadas, competentes e realmente capacitadas para o trabalho hercúleo que será conduzir o nosso ensino a um outro patamar.

Eficiência é a palavra daqui para frente!