Educação, sociedade e cidadania

Para mudar a Educação no país vamos ter que transformar a nossa participação, que ainda ainda é muito belicosa e individualista, em uma atuação pragmática, baseada em evidências e que mire realmente a coletividade

Ana Maria Diniz

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As renovações mais importantes acontecem quando pessoas de diferentes origens, cabeças e lugares se encontram. Eu acredito genuinamente nessa ideia e, por isso, fiquei muito feliz por ter sido convidada para participar, nesta terça, da última edição do blastU, um festival de inovação, empreendedorismo e tecnologia que reúne empresários, especialistas e thought leaders do Brasil e do mundo para dividir inspirações e experiências em torno de assuntos que realmente importam atualmente. Educação, sociedade civil e cidadania o tema do painel em que estive, ao lado da Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos pela Educação e Florian Bartunek, sócio-fundador e CIO a Constellation Investimentos.

 

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A discussão foi riquíssima pois, apesar de nós três estarmos comprometidos com Educação de diversas maneiras e concordarmos em muitas coisas, somos pessoas com bagagens, repertórios e atuações diferentes, o que nos faz enxergar o panorama educacional sob perspectivas diferentes. Graças a essas diferenças chegamos, ao final desse talk, a novos consensos. Um deles diz respeito a ressignificar a Educação. Precisamos descobrir para que serve a Educação de hoje e para onde queremos que ela nos leve. Sem isso, nunca mais conseguiremos conectar os jovens com a escola, muito menos acordar toda a sociedade para a importância da Educação, fazendo com que ela se envolva de verdade em prol de um ensino que seja bom e para todos.

Nos países que figuram entre os melhores do PISA, a participação da sociedade é enorme. Educadores, pais, mães, professores, alunos e até mesmo quem não está diretamente envolvido com Educação não só cobram dos governantes as devidas ações, mas também contribuem da maneira objetiva  para assegurar que todos possam aprender o que é necessário e da melhor forma possível. Esse envolvimento acontece porque todos sabem que isso é fundamental para o progresso do país e também de cada cidadão.

Nos últimos quinze anos, demos um verdadeiro salto em relação à consciência do brasileiro a respeito do tema, com o surgimento do movimento Todos pela Educação, proporcionando muito mais espaço na média e, consequentemente, um aumento significativo da conscientização da sociedade com a causa. Algumas famílias começaram a questionar o ensino oferecido aos seus filhos pelas escolas. Um exemplo disso é a minha manicure Conceição, que parou de pagar seu seguro saúde para proporcionar Educação de mais qualidade, em uma escola privada, para sua netinha de 6 anos. Mas situações assim ainda são raras e precisamos de uma avalanche de “Conceições” cobrando as escolas pelo aprendizado de suas crianças!

Agora, finalmente, temos uma Base Nacional Comum Curricular e um novo formato possível para Ensino Médio. E apesar de ainda estarmos a anos luz do ideal, progredimos em alguns indicadores, como nas etapas iniciais do Ensino Fundamental, chegando próximos a nota 7 de uma escala de 10 em termos de aprendizado dos alunos. No entanto, nos anos finais Ensino Fundamental e do Ensino Médio ainda estamos muito mal, com notas próximas a 4,5 e 3 respectivamente nesta mesma escala de 10. Para evoluirmos a partir do ponto em que estamos vamos ter que transformar a nossa participação, que ainda ainda é muito belicosa, sensível a questões ideológicas e individualista, em uma atuação pragmática, baseada em evidências e que mire realmente a coletividade.

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