Educação emocional deve envolver todos dentro da escola
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Educação emocional deve envolver todos dentro da escola

Pesquisa de Harvard revela que, para ser eficiente, o ensino das competências socioemocionais depende de um esforço da escola inteira e deve ter a participação de todos os adultos envolvidos no processo educacional

Ana Maria Diniz

02 Março 2017 | 10h01

Ao contrário de muitos jovens recém-formados, Antônia não titubeou na hora de decidir seu futuro profissional. Conseguiu escolher sozinha, e sem angústias, entre trabalhar na loja do pai ou aceitar o convite para emprego numa multinacional do setor farmacêutico. O autoconhecimento e o equilíbrio emocional da jovem foram fundamentais para a tomada de decisão. Ela havia acabado de sofrer um grande trauma – a perda de sua melhor amiga – mas nem isso a deixou insegura em relação à carreira. Muito sociável, com a ajuda dos amigos, Antônia não só superou a perda como ajudou outros colegas a enfrentarem seus dilemas na escolha da profissão.

Essas características de Antônia não são inatas, nem se devem somente à sua personalidade. São habilidades que todos nós podemos desenvolver. No caso de nossa personagem, grande parte do arsenal de competências socioemocionais que fariam dela uma vencedora na vida lhe foi ensinado na escola!

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Entre educadores e especialistas em Educação, já é consenso que essas habilidades são tão ou mais importantes do que as cognitivas para o sucesso de crianças e jovens neste século. Mas como garantir que o ensino da educação emocional nas escolas seja difundido com equanimidade e de maneira efetiva?

Parte da resposta está numa pesquisa realizada pela Escola de Graduação em Educação de Harvard, divulgada no final do ano passado. Por cinco anos, os pesquisadores de Harvard acompanharam diferentes programas e métodos de educação emocional aplicados em escolas de ensino básico dos Estados Unidos e avaliaram o impacto de cada um deles no progresso acadêmico e social dos alunos. A principal conclusão: uma educação emocional eficiente depende de um esforço da escola inteira e de todos os adultos envolvidos no processo educacional.

Ou seja, não adianta incentivar os alunos a colaborarem uns com os outros ou tentar convencê-los de que o erro faz parte do processo de aprendizagem durante uma aula semanal de 50 minutos dedicada à educação emocional, como a maioria das escolas faz. O ensino das habilidades socioemocionais deve acontecer o tempo todo, em todos os ambientes e situações, e fazer parte da cultura e da essência da instituição.

Portanto, não pode ser um projeto secundário na escola. Tem que ser “o projeto” para que todas as outras iniciativas respeitem essa lógica.

E para que o projeto dê certo, frisa a coordenadora da pesquisa, Rebecca Bailey, é fundamental que os funcionários da escola – diretores, coordenadores, bedéis, motoristas, atendentes, bibliotecários e, principalmente, professores sirvam como modelo para o comportamento que eles esperam dos alunos.

Isso vai de encontro a uma de minhas maiores crenças: se queremos desenvolver as competências socioemocionais nos alunos, temos que ter em mente que o professor, da mesma forma, tem que ter essas habilidades pessoais! Se o professor não tiver consciência de suas próprias emoções e do comportamento desencadeado por elas, aprimorando dessa forma sua inteligência emocional, nunca conseguirá ajudar seus alunos a desenvolvê-las.

Essa é exatamente a proposta do curso de pós-graduação ministrado pelo Instituto Singularidades, faculdade especializada em formação de professores mantida pelo Instituto Península – Formação Integral: Autoconhecimento, Habilidades Socioemocionais e Práticas Educacionais Inovadoras. 

Vejo no curso o valor desse conhecimento e as experiências proporcionadas aos 50 alunos dessa pós. Alguns declaram que se trata de uma grande transformação em suas vidas e que a mudança em seus pontos de vista sobre si próprios é o que mais os capacita para um impacto maior na hora de inspirar seus alunos a aprender.

Vale a pena investir neste tema com muita seriedade e não mais tratá-lo como um apêndice desejável da educação da elite. Ele é fundamental inclusive para trazer mais equidade entre estudantes de diferentes condições sociais.

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