Day After
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Day After

Este é o momento de abrandar as paixões e pensar em como será o dia seguinte às eleições com este ou aquele candidato

Ana Maria Diniz

02 Outubro 2018 | 10h56

Estamos no meio dessa polêmica toda de eleições e hoje resolvi usar este espaço, onde normalmente escrevo sobre Educação, para falar sobre o momento tão importante, tão singular, que acontecerá no próximo domingo: o nosso encontro com as urnas. Afinal, é no “escurinho do cinema” da cabine eleitoral que exercemos o mais elevado ato cívico de compromisso com o país: o voto.

Tenho ouvido muita gente falar: “estou cheio da política, para mim deu; não aguento mais essa corrupção, essa roubalheira, político é tudo a mesma coisa; não interessa se é do PT, do PSDB, do PMDB, é tudo a mesma porcaria, por isso vou votar no Bolsonaro e que se dane!” O que me preocupa é exatamente o “que se dane”. Que se dane o quê, cara pálida? Quem vai se danar é você, se o país se danar.

Ainda mais se você tiver que trabalhar e não puder pegar um avião e ir para Miami ou Lisboa ou qualquer outro lugar do planeta onde políticos não são “tudo a mesma coisa”. Se você tiver laços importantes por aqui, tiver que cuidar da sua mãe velhinha, se tiver que garantir seu ganha pão, tiver que tomar conta da sua empresa, se tiver que continuar vendendo, comprando e fazendo a economia girar, não vai dar para simplesmente virar as costas para tudo e dizer simplesmente “me enchi”. Até porque, no dia seguinte, tem a conta pra pagar, decisões para tomar para as pessoas que dependem de você e todas as responsabilidades já assumidas que continuarão lhe esperando.

Estamos todos no mesmo barco, você consegue perceber isso? Muitas das pessoas que eu conheço não conseguem e daí é um problemaço. Nas conversas esquizofrênicas que escuto por aí, há até quem queira que as coisas piorem cada vez mais somente para provar seu ponto – e não vê que isso, na verdade, é um tiro no pé – ou no coração. Podemos colocar muito, talvez tudo, a perder com esse pensamento.

Queridos leitores, nós vamos ter que lidar com a realidade, seja ela qual for. Trabalhei ativamente nos últimos meses por um candidato, Geraldo Alckmin, que considero o mais preparado, coordenando seu programa de governo para área de Educação. Ainda tenho esperança que ele chegue ao segundo turno. Mas, caso isso não aconteça, não vai dar para fugir. Vamos ter que aprender a construir a partir do diferente, a partir de uma situação não ideal. Vamos ter que jogar o orgulho no lixo e tentar achar pontos em comum entre a realidade e as coisas nas quais acreditamos, ou que desejamos.

No dia seguinte às eleições, depois de afogar as mágoas, teremos de ser pragmáticos. Vamos ter que cair na real e perguntar: e agora, José? O agora será respeitar quem foi eleito e tentar ajudar a fazer com que as coisas não se deteriorem ainda mais e, se possível, fazer com que elas evoluam de alguma maneira. Vamos ter que arrumar ânimo na marra porque, dependendo de quem for o vencedor, isso provavelmente será muito difícil.

Por isso, convido os que me leem a uma reflexão: quem sabe o melhor a fazer neste momento, antes do voto, seja abrandar as paixões e ser mais objetivo, mais realista. E pensar em como será o dia seguinte antes de ele chegar. Porque o mundo não vai acabar depois das eleições, nem o Brasil. O sol irá raiar e teremos que enfrentá-lo juntos. Afinal, nossa casa é aqui, neste planeta, nesta sociedade, neste país!

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