Aprender a viver
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Aprender a viver

Para envelhecer bem, é necessário desenvolver desde cedo nas crianças e nos jovens uma forma nova de encarar a vida. Eles precisam saber o quanto antes que vão viver muito e que podem escolher se vão envelhecer com qualidade ou sem, dependendo dos hábitos que adotarem o longo da vida

Ana Maria Diniz

27 Abril 2017 | 10h55

Participei de um evento muito especial esta semana e me deu uma enorme vontade de compartilhá-lo com vocês, apesar de, a principio, não se tratar da Educação propriamente dita. O tema era Plenitude: Como atingir Longevidade com Qualidade.

O que Longevidade tem a ver com Educação? Tudo!

Começando pelo final, isto é, pela conclusão do evento, a mensagem principal é que, para se envelhecer com qualidade, deve-se investir desde a idade mais tenra da vida, a infância. É nela que vamos adquirir os hábitos saudáveis que vão nos condicionar e que serão repetidos a vida inteira, permitindo-nos chegar a idades avançadas com uma boa dose de qualidade.

Mas o que é qualidade na idade avançada? Segundo Alexandre Kalache, médico epidemiologista e gerontólogo, o importante é não ultrapassar o limiar da dependência. Manter-se independente e disposto é o que dá condições a um velho de ter uma vida digna e usufruir prazeres. Dessa forma, o importante é acumular, ao longo da vida, quatro tipos de capitais: saúde, conhecimento, relações e capital financeiro.

Para que isso ocorra, a revolução da Educação precisa acontecer!

As crianças e os jovens precisam desenvolver a consciência de que todo o investimento que fizerem em alimentação, e atividades físicas, em relacionamentos e na capacidade de usar a imaginação para transformar conhecimento em algo útil para si mesmos, será vital e fará toda a diferença!

Outro assunto importantíssimo é o sono. Se aprendermos cedo que dormir é muito mais do que uma atividade restaurativa diária – o sono é “a corrente de ouro que amarra nosso corpo à nossa alma”, segundo disse Russel Foster, professor de neurociência e especialista em sono da Universidade de Oxford – iremos tratá-lo com muito mais cuidado.

Como Russel nos ensina, é no sono que processamos informações e novas ideias. Também é nele que processamos as nossas emoções, além de restaurarmos o  metabolismo regulando o crescimento e desenvolvendo a nossa capacidade respiratória.

Outro ícone presente na conferência foi Tal Ben Shahar, escritor e papa da psicologia positiva na Universidade de Harvard. Ele nos falou algo que me marcou muito. Hoje, demonizamos o estresse, pois sabemos que ele é o responsável por uma grande gama de doenças crônicas e também por episódios fulminantes como, por exemplo, os enfartos.

Mas o estresse não é necessariamente ruim – na verdade, não é ele o problema. O problema é não haver pausa entre os momentos de estresse. A recuperação do estresse é vital. Isso pode acontecer em um fim de semana desplugado, numa viagem para um lugar paradisíaco ou em alguns minutos trancados no seu quarto, praticando um ritual que te deixe centrado e relaxado. Se um jovem aprender isso cedo na vida, poderá criar seus momentos de descompressão mais facilmente.

Ontem a minha neta mais velha fez 2 anos. Se ela se cuidar, poderá viver uns bons 140 anos com saúde e qualidade. Poderá conhecer seus tataranetos e, quem sabe, andar de bicicleta com eles, se quiser.

A minha neta nunca comeu doce até hoje. Minha filha conversou sobre isso com o Frederico Porto, psiquiatra e nutrólogo, responsável por nos passar alguns conceitos sobre alimentação saudável sem defender um alimento ou outro, nem recomendar dietas que tanto estão na moda.

Frederico aconselhou fortemente a minha filha a resistir o máximo possível para apresentar os doces à minha netinha. Quanto mais tarde ela puder ter essa referência, melhor. Os carboidratos, que se transformam facilmente em açúcar no nosso organismo, não devem ser banidos da nossa alimentação. Mas devem ser ingeridos com muita moderação, principalmente os de rápida absorção, como massas e pães brancos. As proteínas e gorduras são mais essenciais para nosso organismo, já que nosso corpo não as produz naturalmente.

A mensagem principal nessa área é comer pouco, nunca se empanturrar, pois isso é, de longe, o pior de tudo. Comemos muito mais do que precisamos para viver. O comer tem também um forte componente social. Cada vez mais as pessoas se definem pelo o que elas comem. “Você é vegetariano? Então deve ser zen. Você come muita gordura? Então não está nem aí para o corpo e provavelmente é boêmio”- e por aí afora. Sabemos que isso exige um equilíbrio tênue e uma boa dose de determinação. Nada melhor do que aprender a se manter balanceado o quanto antes na vida.

Por fim, minha neta e todas as crianças em geral terão que aprender muito sobre “geratividade” – uma palavra nova que eu também acabei anotar no caderninho. Trata-se da interatividade entre gerações, coisa que ela precisará demais para conviver comigo como avó, com minha mãe encantada em ser bisavó e com toda sua descendência, se Deus quiser.

Muitos outros ensinamentos foram passados em três dias de conferência, como mindfulness e o tema da complexidade, mas procurei selecionar aqui aquilo que mais conexão encontrei com o tema da Educação. A boa noticia é que o Plenitude ganhou vida e deve se transformar numa grande plataforma para disseminação de todo esse conhecimento em breve.