A urgência da inclusão digital
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A urgência da inclusão digital

A falta de conectividade tem deixado muita gente à margem da vida online e para trás na vida real, no Brasil e no mundo

Ana Maria Diniz

12 de fevereiro de 2021 | 14h10

Sempre enxerguei a tecnologia como um tremendo bem, um grande equalizador, algo com potencial de ajudar todas as pessoas a prosperarem e a alcançarem coisas que pareciam impossíveis, de fazer do mundo um lugar melhor. Mas a falta de conectividade tem deixado muita gente à margem da vida online e para trás na vida real, ampliando o abismo social. Segundo a ONU, 46,4% da população global não tem acesso à internet. Entre os conectados, 30% têm ligações de baixa qualidade.

No Brasil, 46 milhões de pessoas vivem totalmente desplugadas. Esse gap digital é gravíssimo, pois, nos dias de hoje, a banda larga é uma espécie de chave que abre as portas para o mundo, imprescindível para o progresso econômico e social dos indivíduos e das sociedades. Sem ela, as perspectivas se estreitam e as oportunidades ficam mais distantes a cada dia. Com a pandemia e o fechamento das escolas, que deixou milhões de alunos sem ensino por falta de conexão, o problema se evidenciou.

Foi uma tragédia, mas, como tudo, teve um lado positivo: acionou o alerta de que precisamos agir já para incluir digitalmente os mais vulneráveis, principalmente crianças e jovens, ou a desigualdade vai se agravar e custar o futuro das novas gerações. Em pouco tempo, muita coisa começou a ser feita nesse sentido! Nos últimos meses, vimos inúmeras coalizões tomando forma no mundo inteiro a fim de entregar soluções temporárias para a crise que a disparidade digital abriu na educação.

Por aqui, também temos coisas acontecendo. Uma delas é o Projeto Mães de Favela ON, idealizado pela CUFA (Central Única de Favelas) em parceria com instituições privadas, que vai levar internet gratuita a 2 milhões de moradores de 150 comunidades do país até junho. Além de disponibilizar sinais de wi-fi livre, foram distribuídos chips para celulares para 500 mil mães já cadastradas. O programa teve o objetivo de promover a retomada educacional e econômica e focará em garantir que essa população consiga acessar conteúdos online voltados à educação e ao empreendedorismo.

Com esse mesmo propósito nasceu, em julho, o projeto Bolsa Digital, da rede Gerando Falcões. Com recursos levantados a partir de doações feitas no site da plataforma social, crianças e jovens moradores de 100 favelas recebem um combo de ensino composto de acesso à internet e a um aplicativo com aulas online nas áreas de formação emocional, reforço escolar, preparação para o Enem, cultura e apoio ao microempreendedor. Até agora, 45.000 bolsas já foram distribuídas. A meta é chegar a 120.000.

Essas ações, infelizmente, estão muito longe de resolver o problema; são importantes, mas são pontuais. De qualquer forma, vão na direção certa. A partir de agora, temos que acelerar o nosso trabalho coletivo, como sociedade, para agir nas mais diferentes searas – política, de infraestrutura e de acesso à tecnologia – para realmente conectar todos os brasileiros de forma que a digitalização seja uma realidade nacional.

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