A necessidade nos torna criativos!
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A necessidade nos torna criativos!

Impedida de entrar na USP, onde leciona, a cientista e pesquisadora Lygia da Veiga Pereira resolveu arriscar uma aula diferente, pelo Facebook. Ela não só rompeu o "trancaço" como engajou os alunos de forma surpreendente

Ana Maria Diniz

23 Março 2017 | 09h14

Semana passada teve um “trancaço” na USP. Foi o dia em que os sindicatos, alguns funcionários, professores e alunos trancaram a maior e melhor faculdade pública do país para fazer greve e protestar contra as reformas da Previdência, contra o teórico “desmanche” da universidade e, provavelmente, contra o Temer também.

Lygia-FB

Enfim, estavam no direito deles.

Uma amiga minha, que é cientista e pesquisadora, além de professora da USP, Lygia da Veiga Pereira, foi impedida de entrar na faculdade e ficou furiosa de tirarem o seu direito de ir e vir e, principalmente, de não a deixarem trabalhar!

Ela, afinal, tinha experimentos em andamento, um pessoal que iria finalmente instalar um equipamento naquele dia e, também, a aula de estreia de um curso para 50 alunos.

Não teve jeito, o experimento e a instalação do equipamento se danaram!
Mas o curso…

Os alunos mandaram emails dizendo que respeitavam muito suas aulas, mas que iriam aderir à paralisação por serem contra a reforma da Previdência. Logo eles, que serão os maiores prejudicados se a reforma não passar, pois não vão ver a cor da aposentadoria se isso acontecer! Eles também pediram a Lygia para que ela repusesse a aula na semana seguinte.

Enfim, a colocaram num xeque mate!

Por causa de seu tempo extremamente escasso, ela resolveu testar um tipo de aula inédita – pelo Facebook, já que ela usa o Face para se comunicar com os alunos, tirar dúvidas e disponibilizar material do curso, num grupo fechado.

Convocou, então, seus alunos para se conectarem no horário da aula para assistirem a uma aula virtual. Colocou o power point da aula ali e foi postando o que ela iria falar em cada slide, aproveitando para fazer várias perguntas para os alunos.

Eles não só entraram na dança como foram respondendo às questões e fazendo comentários. De repente, os próprios alunos começaram a responder as dúvidas dos colegas. Lygia ficou mediando e curtindo aquilo tudo, surpresa com o enorme envolvimento e curiosidade dos alunos, respondendo, concordando, discordando, até disfarçando, enfim, participando da farra!

Foram 3 horas de interações intensas sobre genética humana pelo Facebook – “uma das aulas mais animadas que ja dei na vida”, diz Lygia Pereira. Dos 50 alunos, 40 participaram ativamente, pois em aula virtual não dá para ficar escondido no fundão da classe. E os alunos, por estarem em seu habitat natural, se engajaram muito naturalmente nas discussões, tornando-as mais ricas e interessantes!

Eu acredito fortemente que, às vezes, as dificuldades nos forçam a sermos criativos e a inventar. Aulas virtuais interessantes serão cada vez mais necessárias nos tempos atuais!

Minha amiga Lygia já concluiu: se os alunos, na semana que vem, voltarem à apatia, timidez e falta de interesse na aula presencial, ela volta para o Face!