A Ciência da Felicidade
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A Ciência da Felicidade

A Psicologia Positiva é hoje uma matéria muito respeitada e vem sendo cada vez mais aplicada na área de Educação

Ana Maria Diniz

09 de maio de 2019 | 09h43

Esta semana vivi uma experiência incrível e muito surpreendente. Fui a um seminário na Califórnia sobre a Psicologia Positiva para a Educação. Mas, para minha supresa, quando cheguei lá, descobri que aqueles quatro dias tinham para me oferecer algo muito maior e mais abrangente do que eu esperava. Na verdade, tratava-se de um simpósio sobre a Felicidade.

The Science of Happiness foi realizado no 1440 Multiversity, um centro de cursos moderno e gigantesco erguido no meio de uma floresta de “redwoods”, as sequoias mais altas, impressionantes e longevas do mundo, em Scotts Valley, nos arredores de São Francisco – um lugar realmente privilegiado em termos de natureza, com muitas árvores de 200 anos e algumas de até 800 anos. O centro, inaugurado em 2017, é resultado de um investimento filantrópico de uma família que estudou na Universidade de Berkeley e decidiu deixar algo significativo para a humanidade criando tal empreendimento.

O mais diferente ali é o modelo de negócio adotado. O 1440 Multiversity é super inovador em seu formato e, principalmente, em seu conceito. A começar pelo nome, 1440, que significa o número de minutos que nós temos em um dia, e a ideia de “multiversity”, que seria uma espécie de universidade da diversidade e que não trabalha apenas a mente, mas também o corpo e o coração. Os donos entregaram a operação do lugar para o Greater Good Science Center (GGSC), de Berkeley. Este GGSC é um instituto transversal, que transita entre os vários cursos da universidade, com iniciativas interdisciplinares, todas elas voltadas para fazer o bem.

Toda a construção, em madeira, tijolinho e vidro, tem dimensões muito espaçosas. Cada ambiente foi muito bem planejado, respeitando o conceito de qualidade com praticidade e acessibilidade com charme. O tipo de serviço e as instalações são diferenciados. Você pode ficar numa suíte super espaçosa com duas camas queen size, em um quarto com até três pessoas (a organização faz o “matching”, de acordo com os perfis dos hóspedes) ou em um quarto compartilhado, praticamente uma cápsula, com lugar apenas para a cama e a mala, além de uma cortininha, para assegurar a privacidade. A comida é servida ao mesmo tempo para 300 pessoas, num bandejão de luxo. Do fluxo dos serviços à escolha dos cardápios, tudo é muito bem pensado e prova que é possível fazer as coisas bem feitas e numa escala maior.

Já frequentei muitos cursos e seminários, sempre na área de Desenvolvimento Humano. Praticamente 100% deles, vários em refúgios deliciosos, eram voltados para um nicho de pessoas, a grande maioria delas do mesmo perfil, geralmente gente mais alternativa em busca de autoconhecimento. Aqui, a surpresa foi que encontrei uma diversidade de pessoas – de muitas tribos, experiências, classes sociais e profissões. O que mostra que o público que está buscando se desenvolver em diferentes aspectos está se ampliando, pois esta é uma necessidade premente na sociedade de hoje.

O que significa viver uma vida feliz e significativa? Como responder com resiliência às tensões e desapontamentos inevitáveis da vida? Como forjar conexões compassivas em um momentos de stress, isolamento e divisão? Essas e outras questões essenciais foram exploradas nos quatro dias do The Science of Happiness, que contou com ótimas palestras e atividades entremeadas com práticas de meditação, yoga e caminhadas na mata. Em meio a todo o conteúdo tão rico que recebemos, encontrava-se certamente a semente da maior inovação de todas: 100% de tudo o que vimos e ouvimos nas áreas de Psicologia, Educação e Neurociência era baseado em teses comprovadas. Este, certamente, é o princípio e o fundamento básico para que tal projeto não vire mais uma moda, um lugar cool que amanhã pode não existir mais.

A Psicologia Positiva é hoje uma matéria muito respeitada e cada vez mais aplicada na área de Educação. O psicólogo americano Martin Seligman foi um dos precursores da chamada Educação Positiva, abordagem que pretende melhorar o aprendizado e contribuir para que os alunos floresçam e atinjam todo o seu potencial a partir da ênfase nas habilidades socioemocionais, nas emoções positivas, nas práticas de bem-estar e na motivação pessoal. A primeira experiência em Educação Positiva surgiu em 2008: é a Geelong Grammar School, na Austrália, que foi totalmente reformulada e pensada a partir dos preceitos da Ciência da Felicidade.

Infelizmente, no Brasil, ainda temos um modelo mental baseado no aprendizado e no desenvolvimento das pessoas a partir do sofrimento, das experiências negativas. Eu mesma fui criada ouvindo a frase: “você aprende muito mais com os seus erros do que com os acertos”. E venho descobrindo ao longo da vida que não precisa ser assim. É claro que os erros são grandes professores, mas acredito que exista uma outra enorme avenida de aprendizado pelas experiências positivas. Tenho descoberto, inclusive, que para superar momentos difíceis, decorrentes das experiências de fracasso, se não tivermos um arcabouço de referências positivas para nos sustentar, é muito mais difícil saírmos de situações negativas.

É possível crescer, se desenvolver, evoluir e, principalmente, ser feliz com muito menos dor. Temos que aprender e começar a colocar isso em prática desde cedo, na escola!

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