Vidas em redes

Vidas em redes

Colégio Albert Sabin

10 Agosto 2018 | 12h30

Alunos do Fundamental II e do Médio respondem a pesquisa sobre o uso de redes sociais.

Como é a vida dos adolescentes nas redes sociais? O Colégio Albert Sabin realizou essa pesquisa e trouxe os dados sobre o uso de redes sociais pelos alunos do Ensino Fundamental II e Médio do Sabin, com comentários da diretora pedagógica, Giselle Magnossão, e do psiquiatra Cirilo Tissot, diretor técnico da Clínica Greenwood, especializada na reabilitação de pessoas com comportamento compulsivo. O Dr. Tissot esteve no Colégio no dia 18 de abril para dar a aula-tema “O uso excessivo da tecnologia e suas consequências”. O dados foram obtidos por meio de 625 questionários, respondidos anonimamente, entre os dias 6 e 19 de abril, representativos de 60% do Fund. II e de 31% do Ensino Médio.

Dr. Cirilo Tissot: “O resultado contraria a ideia do uso da internet como fonte prioritária de informação, estando mais ligado ao prazer produzido pelo entretenimento e pelos amigos”.

Giselle Magnossão: “Cabe notar que os alunos só podiam escolher uma ‘principal razão’ para usar as redes sociais; creio que, se pudessem escolher mais de uma opção, o percentual relativo a estudos e atividades escolares cresceria. Ainda assim, fica o desafio para incentivarmos ainda mais o letramento digital dos alunos, para que usem essas tecnologias para aquisição de conhecimento”.

  

Giselle Magnossão: “Todos julgam que passam mais tempo do que deviam nas redes sociais, mas o Médio vê seus estudos mais afetados por isso. Há duas hipóteses não excludentes aí: a primeira é que os mais velhos têm mais consciência de si mesmos e de suas responsabilidades. A segunda é que, objetivamente, o Ensino Médio demanda mais rotina e rigor. Distrações afetam mais esse grupo, as evidências se impõem”.

Dr. Cirilo Tissot: “Apesar de uma porcentagem do Fundamental perceber o abuso na utilização das redes, são de responsabilidade dos pais o monitoramento do uso e suas consequências. É compreensível a falta de noção de dano causado pelo excesso. Já no Ensino Médio, a noção de consequências está mais presente”.

 

Giselle Magnossão: “Espetacular saber que a maioria dos alunos abriria mão da internet para ficar com os amigos. É importante valorizar o contato presencial, muito mais eficaz para desenvolver a empatia e a capacidade de diálogo. A comunicação mediada pela tecnologia não traz o tom de voz, os gestos, o olhar, que também fazem parte da mensagem”.

Dr. Cirilo Tissot: “Mostrou-se população de risco 7% dos alunos, que preferem a internet a estar socialmente envolvidos com amigos. É abaixo do esperado (10%–15%). Porém, a amostragem é maior para o Fundamental, possivelmente criando um viés. Talvez, com maior amostra do Ensino Médio – de maior autonomia em suas escolhas –, este índice aumentaria, ou já está contido nos 23% dos indefinidos”.

Giselle Magnossão: “Esses números não indicam algo necessariamente grave. Alguém pode se sentir ofendido sem que tenha sido a intenção do outro, ou uma foto pode ser publicada sem o consentimento de alguém, mas não revelar nada íntimo. Muitos jovens, por exemplo, marcam pessoas numa foto publicada sem lhes pedir permissão. Até porque o direito de imagem é mais abstrato que o direito à propriedade; o mesmo jovem que posta a foto do colega sabe que não deve pegar um lápis sem autorização. Mas a pesquisa serve como aprendizado para nossos alunos – para os jovens de maneira geral, já que essa realidade vai além do Sabin: que o respeito pelo outro nas redes sociais deve ser o mesmo que tomamos nas relações presenciais, com a diferença de que, nas redes, o alcance de uma indiscrição é maior e potencialmente mais grave”.