Turismo do Meio ou Estudo Sustentável

Colégio Albert Sabin

21 Junho 2017 | 14h17

Em 2017, a UNESCO proclamou que este seja o “Ano Internacional do Turismo Sustentável”. Um dos seus objetivos é o de garantir que o turismo sirva para preservar, e não destruir, o patrimônio histórico e natural e contribuir para o bem-estar e a dignidade das comunidades locais. As escolas são instituições que, por tradição, trabalham estes objetivos ao longo dos vários anos da formação de um aluno. No entanto, na escola não se faz “Turismo”, mas  sim “Estudo do Meio”. Em uma saída de campo, não é raro perceber que alguns alunos pensam que farão “Turismo”, ao passo que os professores estão pensando em um “Estudo do Meio”. Não se trata de preconceito ou de que sejam atividades excludentes. A diferença entre elas recai na “preparação da mala”, na maneira de “tirar as fotos” durante a viagem, e como organizá-las depois.

Abaixo estão as definições de Turismo Sustentável e de Estudo do Meio.

“O turismo sustentável é uma atividade que promove a cultura de paz, leva conhecimento aos viajantes e promove o desenvolvimento social e econômico das comunidades visitadas… deve, ainda, respeitar a natureza e os costumes locais, contribuindo significativamente para promover a região”.

(http://www.turismo.gov.br/últimas-not%C3%ADcias/7478-turismo-sustentável-desenvolvimento-econômico-e-social-com-respeito-a-natureza-e-a-diversidade-cultural.html – Acesso em 07/06/2017.)

“O Estudo do Meio pode ser compreendido como um método de ensino interdisciplinar que visa proporcionar aos alunos e aos professores o contato direto com determinada realidade, um meio qualquer, rural ou urbano, que se decida estudar”.

(http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/geografia/article/view/2360 – Acesso em 07/06/2017.)

Como visto acima, o “Estudo do Meio” é uma metodologia de ensino-aprendizagem. Ela favorece, de forma significativa, a aprendizagem dos conteúdos estudados, aspectos não priorizados pelo “Turismo”.

De um modo geral, quando pensamos em aprendizagem, logo vêm à nossa cabeça os conteúdos de fatos e conceitos, por exemplo: Qual o nome científico de uma planta? Qual a data de descobrimento da cidade? Qual o pH da água do mar? Quem é o autor de “Gabriela”? etc. No entanto, existem outros dois tipos de conteúdos que passam despercebidos, mas que, em um “Estudo de Meio”, são tão relevantes quanto os de fatos e conceitos. Um deles é o conteúdo procedimental, que envolve formulação de hipóteses, montagem de experimentos, observação de fenômenos, análise de dados, etc. O último é o conteúdo atitudinal, que envolve questões de valores, comportamento, sentimentos e atitudes.

A aprendizagem de algum conceito observado in situ costuma ser muito mais significativa, pois além de ter informações orais, visuais, olfativas e táteis, pode-se interagir com o objeto de estudo, o que auxilia na compreensão e memorização dos fenômenos. Por exemplo, quando o professor diz na sala de aula que muitas espécies vegetais dos manguezais devem apresentar alguma adaptação para se sustentar (como a raiz escora), pois o solo do manguezal é lodoso e “inconsolidado”, o aluno que já visitou um manguezal sabe exatamente porque a planta precisa desta sustentação. Por conseguinte, o aluno deverá entender e memorizar melhor tais adaptações (forma da raiz, bem como os tecidos vegetais e suas funções).

Já a aprendizagem do conteúdo procedimental é fortemente favorecida pelo estudo do meio tal como realizado no Sabin, pois o aluno terá de elaborar um projeto de pesquisa. Ele terá de levantar um problema, formular uma hipótese, selecionar a metodologia adequada, observar, tabular e interpretar os resultados. Esta atividade ocorre com a mesma intensidade, antes, durante e depois da viagem.

A aprendizagem dos conteúdos atitudinais é a que mais atende aos objetivos propostos pela UNESCO. A expectativa é de que, com o estudo do meio, os alunos entrem em contato com situações novas (ambientes naturais e culturais) que gerem sentimentos e reflexões, bem como mudanças de valores e atitudes.

Quando levamos nossos alunos para o campo, temos a convicção de que atendemos os aspectos cognitivos, emocionais, sociais e econômicos, e contribuímos para formar, dessa maneira, turistas conscientes e respeitosos à diversidade natural e cultural.

Aymar Macedo

Assessor pedagógico e professor de Biologia.