Relações humanas: muito além da escola

Colégio Albert Sabin

22 Agosto 2016 | 10h00

Nas reflexões sobre o comportamento humano, um tema que aparece continuamente é a liberdade de agir. A liberdade está vinculada às questões morais, entre o bem e o mal. Mas o que seriam o bem e o mal?

Kant diria que o mal (ou fazer o mal) constitui-se no distanciamento do dever moral, da consciência moral. A moral, por sua vez, é construída e determinada pelo convívio social no estabelecimento de valores que regulam o comportamento de uma comunidade.  Segundo o autor, a busca da felicidade supõe a conformidade com a lei moral, isto é o bem.

Na vida contemporânea, é perceptível “a corrida” à felicidade da maneira mais rápida e eficaz possível, em muitos casos, convertendo-a no próprio mal. Quais as opções encontradas para ser feliz?

Resposta supostamente fácil de dar e muitas vezes difícil de entender. O que nos torna felizes? Os bens materiais que possuímos? A quantidade de amigos que conquistamos? A realização profissional? Ou a beleza física que projetamos?

O que temos de certo é que não somos felizes sempre, nem o tempo todo. Para Kant, a felicidade, construída no convívio social, fruto da elaboração e reelaboração do convívio humano, envolve a ética e a moral, e estas caminham juntas. Ser feliz, assim, entrelaça-se às questões morais e aos comportamentos éticos – associados à liberdade. Ter um comportamento ético pressupõe uma ação humana que implica um ato moral e a consciência dos meios utilizados para alcançá-los. A liberdade torna-se, então, um fator decisivo e essencial para a escolha dentre um leque de opções.

Isto posto, as questões éticas e morais têm a ver com convivência, entendimento, compreensão, diálogo entre diferentes seres humanos, os quais se ouvem, concordam e discordam; e um permanente investimento de tempo dos pares na manutenção de tais relações e de suas reflexões sobre estas trocas sociais. O espaço escolar torna-se o lugar apropriado para esses pensamentos e essas práticas, os diálogos sobre ética, moral e a felicidade. A convivência escolar concorre para a conscientização e a compreensão do juízo que se tem entre o que é bom e o que é mau, nas condutas adotadas pelos sujeitos e sua interferência no comportamento do outro.

Kant  auxilia-nos no entendimento sobre o agir moral propondo três reflexões. A primeira refere-se à capacidade do homem de decidir bem, de fazer bom uso do seu talento. A segunda reflexão propõe que o homem tem como item a ser considerado, na sua liberdade, o interesse do outro e suas necessidades. É isso que constitui a liberdade como um caminho moral. O terceiro aspecto tem como foco o universalismo voltado para a compreensão do mundo e suas diferenças. É a negação da particularidade, é voltar-se ao respeito do dever moral.

No mundo contemporâneo, os valores e a moral estabelecida socialmente são questionados. Ainda, às vezes se observa a predominância de um comportamento utilitarista, pelo qual se definem os bens a serem atingidos ou protegidos, independentemente de ética ou moral.

Faz parte, sim, do trabalho da escola, a reflexão sobre as questões éticas e morais e o estímulo às escolhas e à convivência, possibilitando ao educando deixar de pensar egoisticamente, enxergar o outro, valorizá-lo, ser receptivo às suas necessidades. Trabalho que exige um esforço contínuo, um exercício diário, um despir-se dos preconceitos, para construir uma compreensão e uma capacidade de agir moral necessária aos seres humanos em quaisquer esferas sociais.

Maria Isabel Pedroso Fragoso

 Assessora pedagógica e professora de História.