Na melhor hora, da melhor forma

Na melhor hora, da melhor forma

Colégio Albert Sabin

22 Maio 2018 | 15h39

Aprender Inglês na Educação Infantil é aproveitar ao máximo o potencial da criança de assimilar uma segunda língua.

A aula da professora Marion Celli começa assim que ela entra em sala. “Good morning, class! How are you today?” É provável que alguns alunos ainda não entendam tudo o que ela diz – são crianças de 4 a 5 anos, alunos do Pré I do Colégio AB Sabin –, mas Marion seguirá falando em inglês com eles durante toda a aula. Ela garante que eles não são muito novos para acompanhá-la. Pelo contrário: em vários aspectos, segundo a professora, eles têm a idade ideal.

Tanto o Sabin como o AB Sabin adotam, nas aulas de Inglês, a estratégia de uso pleno da língua inglesa pelas professoras desde os primeiros anos da Educação Infantil. Falar em português, diz Marion, só o estritamente necessário, quando a comunicação não se estabeleceu na língua inglesa. No resto do tempo, porém, English only. Há motivos para isso.

“Crianças de 0 a 6 anos têm acuidade auditiva para perceber, melhor do que adultos, os contrastes fonéticos e as nuances de uma língua”, diz a professora. Além disso, nos primeiros anos de vida, a criança ainda apresenta uma plasticidade cerebral que, com os estímulos adequados, possibilita modificações fisiológicas, inclusive no aparelho fonador em formação. Em outras palavras, além de “ouvir melhor”, a criança é capaz de “falar melhor” os sons de um novo idioma.

“A criança tem facilidade para aprender qualquer som”, concorda Renata Cunha, assessora de Inglês da Educação Infantil e do Fundamental I do Sabin. Segundo Renata, quem pratica desde cedo o fonema th de palavras como think e thank, ou o ing do gerúndio inglês (speaking, walking), por exemplo, provavelmente terá pronúncia mais pura do que alguém que começou a aprender mais tarde. “Esses tendem a pronunciar aqueles sons como s – sink, sank – ou f – fink, fank –, e o gerúndio como ‘ingue’”, diz a assessora.

O contato tardio com o Inglês, por outro lado, costuma sofrer interferências da língua materna, cujas estruturas linguísticas já estarão solidificadas no aluno, dificultando o processo de aprendizagem. Além do mais, crianças mais novas costumam ser abertas a novas experiências, demonstrando um grau de participação nas aulas que, mais tarde, por inibição ou ansiedade, talvez não seja possível.

É a partir da Educação Infantil, portanto, que se dá o aproveitamento máximo desse potencial das crianças de assimilar uma segunda língua – sem prejuízo para o aprendizado da língua materna e, até mesmo, contribuindo com ele, afirma Marion. No entanto, a professora faz uma ressalva: “Não basta ensinar desde cedo; as condições têm de ser adequadas”. E a primeira condição que ela aponta como essencial é: aprender Inglês tem de ser prazeroso.

“O principal objetivo do Inglês na Educação Infantil é promover, de forma lúdica e espontânea, a exposição das crianças ao idioma”, diz a professora. Exposição é palavra-chave aqui e justifica a estratégia de só falar em inglês com os alunos: quanto mais eles ouvem, mais se apropriam das sonoridades e estruturas da nova língua. Mas a ludicidade e a espontaneidade são tão importantes quanto a quantidade do que é exposto. “É preciso cativar os alunos. Por isso as aulas são planejadas em torno de brincadeiras, jogos, músicas, vídeos, contação de histórias”. Ao criar um ambiente em que os alunos gostem de estar, diz Marion, o aprendizado passa a fazer sentido para eles. Para entrar na roda, para cantar a música, para participar do jogo, é preciso interagir em inglês.

Segundo Renata Cunha, “o objetivo primeiro é acostumar o aluno com a língua e com a ideia de que existe essa outra maneira de se expressar e de descobrir o mundo; a sistematização do conhecimento linguístico só ocorre do 2º ano em diante”. Assim, diz ela, o foco inicial do projeto pedagógico é a oralidade (falar e ouvir), com pouco contato dos alunos com o inglês escrito – numa aula sobre cores, por exemplo, as cartelas da professora não precisam ter as palavras blue, red e yellow. “No livro didático mesmo, você tem histórias em quadrinhos inteiras sem diálogo”.

Tampouco é hora de se falar em conceitos e regras gramaticais, embora, como nota a assessora, ao fim da Educação Infantil, algumas crianças já tenham assimilado naturalmente certas regularidades do novo sistema linguístico, como o fato de que o adjetivo vem antes do substantivo (brown horse). Ou o de que algumas estruturas frasais são mais adequadas do que outras para cada tipo de mensagem. “O aluno já chega ao 2º ano capaz de perceber a diferença entre ‘IT IS A horse’, ‘IT IS brown’ e ‘IT HAS four legs’”, diz Renata.

Também não é preciso, nesse primeiro momento, que os alunos entendam absolutamente tudo o que a professora diz ou apresenta para que a aula seja produtiva. “As crianças são capazes de descobrir o sentido de muita coisa pelo contexto”, diz Marion, ressaltando a importância da teatralidade – gestos e expressões dramáticas, mímicas, vozes diferentes – como recurso para auxiliar a compreensão dos alunos. “Isso ajuda os alunos a inferir o significado do que está sendo dito”.

Tais processos de reflexão metalinguística (as conclusões sobre as regularidades do idioma, citadas por Renata) e de inferência de significado são procedimentos cognitivos de grande valia – e não apenas para o aprendizado do Inglês. Como coloca Marion, “o projeto pedagógico visa ir além de ensinar Inglês; nós ensinamos em inglês, usando o idioma para apresentar diversos conteúdos, ampliar o repertório cultural dos alunos, incentivá-los a lidar com novas realidades e promover habilidades sociais e comunicativas”.