Lições de impacto

Lições de impacto

Colégio Albert Sabin

22 de janeiro de 2019 | 10h00

O que o Prêmio Impacta Sabin ensinou sobre responsabilidade social e cidadania

Não há receita para fazer o bem. Nos seis meses entre o lançamento do Prêmio Impacta Sabin e a escolha do projeto vencedor, centenas de alunos do Sabin e do AB Sabin e alguns ex-alunos tiveram a oportunidade de fazer o bem de várias maneiras. Entre os 212 projetos inscritos, houve quem quis enfrentar problemas históricos da sociedade brasileira e quem distribuiu afeto; quem se dedicou ao meio ambiente e quem pensou na saúde pública; quem confortou bebês e quem acalentou idosos.

Se o tipo e a escala da ajuda oferecida foram variados, porém, o princípio que inspirou o Prêmio se refletiu em todos os projetos, igualmente: a ideia de que, para mudar o mundo, basta a percepção de um problema e a vontade de fazer algo. Entre os frutos do Impacta Sabin, esse aprendizado foi um dos mais importantes. Mas não o único.

Como notou Gustavo Fuga – fundador da rede de escolas de idiomas 4You2, voltada para jovens da periferia de São Paulo, e um dos jurados do Impacta Sabin –, o Prêmio demonstrou como, para gerar impactos positivos na sociedade, não é preciso criar um projeto do zero. Entre os 25 projetos semifinalistas, alguns consistiam simplesmente em identificar ONGs com trabalhos sérios (distribuição de cadeiras de rodas, fabricação de perucas para pessoas com câncer, etc.) e doar os materiais de que precisam (tampinhas e lacres de alumínio, mechas de cabelo). Simples e eficaz.

Para outro jurado, o empreendedor social Thiago Salles – criador da Hamburgada do Bem, projeto que promove eventos recreativos e educativos em comunidades carentes de São Paulo –, algumas equipes mostraram como é importante para o cidadão comum levar ao poder público propostas de ação social. Dois dos projetos semifinalistas, por exemplo, consistiam na adoção e revitalização de praças públicas, compromissos firmados com a Secretaria de Meio Ambiente de Osasco e com a Subprefeitura do Butantã, respectivamente.

Outra lição a se extrair é a de que nenhuma ação é pequena demais que não tenha valor. Sem precisar “abraçar o mundo”, alguns dos projetos que mais emocionaram os jurados afetavam poucas pessoas, mas cada uma, individualmente, de uma forma incrível – como a apresentação de músicas antigas para idosos em casas de repouso, ou a confecção de polvinhos de lã para fazer companhia a crianças prematuras isoladas em incubadoras.

Ao mesmo tempo, como apontou a jurada Mariana Serra – fundadora da Volunteer Vacations, agência de turismo voluntário –, várias equipes demonstraram como as novas tecnologias podem dar maior escala a projetos sociais. Não faltaram exemplos de projetos com contas no Instagram para ampliar o alcance de suas campanhas, além de plataformas digitais que conectavam doadores e instituições beneficentes, ou bichinhos perdidos e seus donos, entre outros usos. Para o historiador Sidney Leite, pró-reitor acadêmico do Centro Universitário Belas Artes e último dos jurados do Prêmio, embora se viva hoje uma “quarta Revolução Industrial”, em que “a tecnologia proporciona coisas fascinantes”, esse potencial pode ser desperdiçado por uma sociedade “narcisista e individualista”. O que, ele constata animado, não parece ser o caso dessa nova geração.

Confira todos os projetos inscritos no Prêmio Impacta Sabin: www.sabin25anos.com.br