Jovens em construção

Jovens em construção

Colégio Albert Sabin

20 Junho 2018 | 11h37

No Espaço Maker, alunos desenvolvem a si próprios como criadores e solucionadores de problemas

Em um espaço de 145 m2, alunos do Sabin fabricam armadilhas para insetos, catapultas, foguetes e o que mais puderem imaginar. O lugar tem tudo de que eles precisam: de serrotes e martelos a cortadora a laser e impressoras 3D, de material de artesanato a componentes eletrônicos, de lousa e marcadores a laptops. Pela forma como o espaço está sendo utilizado pedagogicamente, porém, as ferramentas mais importantes à disposição dos alunos são aquelas que eles já trazem consigo antes mesmo de cruzar a porta: sua capacidade de planejamento e trabalho em equipe, sua criatividade para solucionar problemas, sua resiliência para aprender com os erros e tentar de novo. Como coloca o assessor de Ciências para o Fundamental II e Ensino Médio, Leandro Holanda, o novo Espaço Maker do Sabin, inaugurado no início do ano, foi “intencionalmente construído para trabalhar não apenas conteúdos conceituais e habilidades, mas também competências socioemocionais”.

Como o nome já diz, o ambiente é a concretização de um projeto que o Colégio vem desenvolvendo há alguns anos, de dar à proposta do Movimento Maker – que as pessoas criem, consertem ou aprimorem objetos e utensílios cotidianos por conta própria – uma função pedagógica, já que os alunos precisam aplicar conteúdos aprendidos em sala de aula na fabricação de suas máquinas. Imagine, por exemplo, que você está no 7o ano, aprendendo sobre a tecnologia de roldanas e como ela permitiu ao homem erguer objetos pesados fazendo menos força. No Espaço Maker, os alunos podem fazer os cálculos, construir suas próprias roldanas e pôr o conhecimento à prova, na prática. Mesmo que uns sistemas funcionem e outros não, haverá aprendizado. E aprendizado com propósito – investigar o que deu errado, corrigir, testar novamente –, mais significativo e motivador.

Contudo, ressalta Leandro, tão ou mais importante do que o que os alunos venham a construir será a forma como procederão –, especialmente no que se refere aos 4 Cs: criatividade, colaboração, comunicação e criticidade. A começar pela própria estrutura física, com grandes mesas coletivas e ferramentas compartilhadas, o Espaço Maker privilegia trabalhos em grupo. Ao realizar seus projetos, os alunos têm de atribuir responsabilidades e trocar ideias entre si.

Os professores, por sua vez, apresentam os materiais à disposição da turma e, ajudados por um técnico contratado como monitor do espaço, ensinam como utilizá-los – como se opera uma furadeira de bancada ou uma serra tico-tico, por exemplo –, mas, a partir daí, deixam que os alunos definam seus próprios planos de ação para os desafios propostos. E, segundo Leandro, a ideia é que as atividades no Espaço Maker incluam uma etapa de autoavaliação dos alunos sobre seu desempenho na relação com os colegas: o quanto cada um colabora com o grupo, propõe novas ideias, cumpre as tarefas designadas, etc.

Pela infraestrutura oferecida e pelas ideias em sua concepção, a princípio, o Espaço Maker está sendo mais utilizado pelos professores de Ciências do Fundamental II, Gizele Gasparri e Rafael Paiva. A cultura maker tem, afinal, afinidade natural com as áreas do conhecimento batizadas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, na sigla em inglês). Só no primeiro semestre, os alunos de Gizele e Rafael construíram maquetes interativas que simulam as fases da Lua (6o ano), catapultas e roldanas (7o ano), medidores de condutividade elétrica e armadilhas contra o Aedes aegypti (8o ano) – no processo, aprendendo a manejar todas as ferramentas.

Mas eles não são os únicos usuários. Algumas das disciplinas eletivas que o Sabin passou a oferecer neste ano para o Ensino Médio (v. matéria na pág. 12) já estão sendo ministradas no Espaço Maker: no curso de Introdução ao Design, os alunos aprendem a modelar e a prototipar digitalmente objetos comuns, como luminárias, ao passo que, na Oficina de Conceitos Geológicos e Geomorfológicos, as impressoras 3D são usadas para criar modelos de terreno em escala reduzida. Além disso, o espaço conta com um estúdio de gravação audiovisual, onde o 9o ano está produzindo documentários sobre os direitos humanos. E a tradicional construção de réplicas de foguetes, que os alunos do 5o ano fazem todo ano ao estudar Astronomia, também passa a ser realizada no Espaço Maker.

E o objetivo é ir além. No início de maio, o Colégio promoveu a primeira oficina aberta a todo o corpo docente sobre o Espaço Maker. “Estão todos muito motivados para descobrir as novas possibilidades pedagógicas”, diz Leandro Holanda, que vem estudando a fundo o que as novas tecnologias podem fazer pelos professores. Em março, ele e Gizele Gasparri chegaram a viajar a Atlanta, nos Estados Unidos, para participar de um congresso da Associação Americana de Professores de Ciências. E ele garante: “Nossa expectativa era de que veríamos coisas bem mais avançadas do que temos aqui. Mas o que vimos nos mostrou que já estávamos no caminho certo”.

Até porque, como reforça Paulo Fontes, assessor de Tecnologia Educacional do Sabin, a tecnologia em si é apenas o meio, e não o fim do professor. “Nossa intenção é trazer qualidade para o uso de tecnologias”, diz Paulo. “Queremos promover metodologias de aprendizagem ativa, como a Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP), aulas contextualizadas em torno de desafios e problemas reais. São ideias que nossos professores já tinham e, em certa medida, já vinham implementando, mas nos faltava material para avançar. Agora não falta mais”.