Experimentar é preciso, errar é bem-vindo

Experimentar é preciso, errar é bem-vindo

Colégio Albert Sabin

11 Novembro 2016 | 17h07

Como será o mundo em 2070? Quais serão as habilidades necessárias para os profissionais que moldarão nossa sociedade nessa época? As crianças que hoje educamos estarão ativas no mercado de trabalho no futuro?

Em um momento de muitas perguntas, em que a busca por novas formas de estimular o aprendizado e dar significado a ele estão entre os grandes desafios da Educação, a cultura Faça-Você-Mesmo abre uma nova perspectiva aos nossos jovens. A ideia principal é a de que pessoas comuns podem construir, modificar e fabricar os mais diversos tipos de objetos e projetos com suas próprias mãos. Hoje ela é mais conhecida no Brasil como Movimento Maker.

Segundo Paulo Blikstein, professor assistente da Universidade de Stanford e grande divulgador dessa nova cultura, “olhamos para as coisas e elas parecem mágicas, porque não sabemos como elas funcionam”. A possibilidade de criar, experimentar conceitos, colocar ideias em prática, desenvolver o pensamento crítico, transformar o abstrato em algo mais concreto e, principalmente, trabalhar o erro como algo construtivo vem se mostrando uma forma de empoderar os alunos, trazer a eles novas experiências de aprendizagem que tenham como objetivo formar habilidades e comportamentos que reflitam o que chamamos de “educação para a inovação”.

Todo esse contexto veio ao encontro do nosso interesse em reformular o curso extracurricular de Robótica e Programação. Buscávamos dar mais autonomia aos nossos alunos, e que eles pudessem desenvolver habilidades complementares ao conhecimento curricular. Para esse processo de CO-CRIAÇÃO, convidamos a CAOS FOCADO, empresa especializada em inovação e com experiência na aplicação dos preceitos dessa cultura nos ambientes escolares.

Esse ano estamos tendo a oportunidade de “experimentar” junto aos nossos alunos o novo modelo de trabalho. A procura ultrapassou todas as nossas expectativas: iniciamos o ano com 182 alunos distribuídos em 11 turmas. Com a aproximação do final do ano, e perto de concluirmos o primeiro ano nesse novo modelo, podemos fazer algumas observações.

No modelo anterior, nossas aulas de Robótica, apesar de trabalharem conteúdos diferentes, tinham sempre a mesma abordagem: explicação da proposta, construção e montagem do elemento robótico, programação e testes. Esse processo a longo prazo acabava gerando a insatisfação dos alunos e trazia o desinteresse e até a desistência pelo curso. Na nova abordagem, quando introduzimos o tema a ser trabalhado, o aluno, desde o início, é instigado a fazer parte do processo de resolução do desafio apresentado e traz diferentes soluções.

Nas primeiras atividades propostas no início do ano, os alunos demonstravam grande dificuldade em usar a autonomia dada a eles no novo modelo: organizar, pensar em soluções, trabalhar em equipe, testar, errar, aprender com o erro, tentar novamente eram tarefas que demandavam tempo e, muitas vezes, a intervenção constante do professor. Durante o ano, foram percebendo que eram capazes de se organizarem nesse novo processo criativo, sempre tendo como foco a resolução do problema proposto no início da atividade. O papel de mediação do professor, orientando e alinhando as ideias, foi fundamental nesse percurso de desenvolvimento da autonomia dos alunos.

Uma das reflexões mais gratificantes durante todo o processo e que nos mostrava que o caminho que escolhemos para esse curso estava correto foi perceber que, muitas vezes, as soluções propostas pelos alunos eram melhores que aquelas que havíamos pensado no momento de planejamento em que testávamos as aulas. O que antes se traduzia em seguir a “receita de bolo” ou, a todo momento, perguntar qual era o próximo passo transformou-se em uma forma de independência criativa segundo a qual puderam transformar suas ideias em algo concreto.

Estamos encerrando o ano com uma proposta de projeto final, a Internet das Coisas. Os participantes estão tendo a oportunidade de colocarem em prática um pouco de tudo o que viram durante o ano, desde a concepção até a prototipação do primeiro modelo. O tema foi escolhido por ser atual e, principalmente, por dar a oportunidade de constatarem que todo o aprendizado adquirido durante o ano proporcionou o conhecimento necessário para o desenvolvimento do trabalho.

Temos a expectativa de consolidar esse novo modelo em nosso curso extracurricular e fortalecer a aplicação dos conceitos da Cultura Maker, para, cada vez mais, dar a oportunidade aos nossos alunos de aquisição de novos conhecimentos e de resolução de problemas de um modo prático, com a “mão na massa”.

Paulo Fontes

Assessor de Tecnologia Educacional.