Exercitando valores

Exercitando valores

Colégio Albert Sabin

30 Maio 2018 | 16h31

Como os princípios do Judô transcendem a luta para se tornar filosofia de vida

O golpe leva o menino ao chão, derrubando-o com um estrondo. De costas no tatame, um dos braços ainda dominado pelo adversário, o aluno do 5º ano não demonstra mágoa, erguendo-se para enfrentar novamente o colega. “Doeu?”, pergunta o professor Filipe Terada, já sabendo a resposta. Sorrindo, o aluno balança a cabeça em negativa. Logo a cena se repete, com os papéis invertidos: o golpeado consegue arremessar o colega, que demonstra a mesma serenidade ao ser derrubado.

O embate ilustra alguns dos princípios que fazem o judô transcender a categoria de luta e até mesmo de esporte, aproximando-o de um sistema de valores. Uma filosofia de vida, que ensina o indivíduo – literal e metaforicamente – a cair, a se reerguer e a ter profundo respeito pelo adversário. Não faltam razões, portanto, para o judô ser uma das modalidades oferecidas pelo programa Sabin+Esportes&Cultura a alunos a partir do 2º ano do Ensino Fundamental.

Da parte puramente física, o judô é um esporte completo. “No judô, você trabalha o corpo como um todo e em diversos aspectos: força, equilíbrio, flexibilidade”, diz Filipe Terada. Além disso, a abrangência de habilidades psicomotoras exercitadas pelos judocas – arremessar, empurrar, rastejar, rolar, etc. – é potencializada pelo programa do Sabin, que não promove a especialização de atletas antes do 6º ano. “Nos primeiros anos, trabalhamos
uma formação de base: o objetivo é apresentar os diversos movimentos do judô a todos os alunos, e não torná-los judocas mais competitivos”, diz o professor, que passa a orientar alunos a partir dos 11, 12 anos sobre quais golpes seriam mais eficientes para cada um em uma luta.

Esta é outra característica interessante do judô, que Filipe define como um “esporte democrático”: “Com a técnica certa, um lutador vence alguém mais alto ou mais pesado do que ele, porque o judô tem golpes mais favoráveis
para cada porte físico”, diz o professor, ele próprio um indivíduo baixinho. “Alguém com mais altura tem maior alavanca de pernas para usar contra mim; mas, se eu aplicar golpes abaixo do centro de gravidade do meu parceiro, eu posso derrubá-lo”.

A palavra “parceiro” para se referir ao oponente sai espontaneamente na fala do professor, reflexo da filosofia ensinada pelo mestre japonês Jigoro Kano (1860-1938), criador do judô. Além de desenvolver uma arte marcial não focada na força bruta – “máxima eficiência com mínimo esforço” é um dos lemas do esporte –, Kano ensinava a ver as adversidades da vida – e os adversários no tatame – como necessários para o crescimento pessoal.

Daí por que, diz Filipe, parte essencial do treinamento do judoca é aprender a cair sem se machucar. E entender que a tradicional saudação ao oponente antes e depois das lutas de judô é um sinal não apenas de respeito, mas também de gratidão. “O judô é um esporte individual no qual eu preciso do outro para aprender. Quando você me derruba, eu aprendo com você”. Lição de vida que, por si só, justifica a inclusão do esporte em um ambiente escolar.

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