Conexão internacional

Conexão internacional

Colégio Albert Sabin

28 de fevereiro de 2020 | 11h00

Em uma manhã, uma vibrante conferência internacional se desenrolava em uma das salas de Inglês do Colégio Albert Sabin. De um lado: alunos da professora Juliana Corrêa, de 11 e 12 anos de idade. Do outro, a 10 mil quilômetros de distância: jovens nigerianos, somalianos, tailandeses e de outras nacionalidades, de 16 e 17 anos, alunos de um curso de Inglês para imigrantes em Oslo, na Noruega. A conversa se deu pelo Skype, os dois grupos se vendo em computadores e TVs, e girou em torno de temas variados, da população de São Paulo à diversidade étnica brasileira, passando pelo inegável hit “Ai se eu te pego”, do cantor Michel Teló. A aula foi um sucesso, e Juliana não teve dúvidas: repetiria mais vezes a experiência.

Desde então, ela já realizou a atividade com outras turmas de alunos, que conversaram com jovens de escolas do Canadá, Estados Unidos, Inglaterra, México, Tunísia e Vietnã. E pretende continuar.

Segundo a professora, a ideia foi proposta pelo assessor de Ciências do Sabin, Leandro Holanda, que havia dado um curso de metodologias ativas de aprendizagem à equipe docente. Leandro apresentou Juliana à Skype in the Classroom (“Skype na Sala de Aula”) – uma comunidade on-line de professores do mundo inteiro, que estimula o uso do software com fins educacionais. Entre as atividades sugeridas pela comunidade, o jogo Mystery Skype põe em contato estudantes de diferentes lugares do globo, de nível semelhante de domínio do Inglês, para que adivinhem de que país cada grupo está falando, por meio de perguntas de sim ou não.

Embora as turmas se preparem para o desafio, elaborando perguntas e estratégias – Are you in a continent that begins with the letter A? Are you in the northern hemisphere? (“Vocês estão em um continente que começa com a letra A? Estão no Hemisfério Norte?”) –, o jogo em si é apenas um disparador de conversas que dão vazão à curiosidade dos jovens sobre a cultura e a realidade da vida uns dos outros. E essa é uma das riquezas da atividade, que motiva os alunos a aplicar seus conhecimentos em uma situação real, significativa e interessante. “Os estudantes em Oslo ficaram surpresos quando dissemos que a Grande São Paulo tem 20 milhões de habitantes: é quatro vezes a população da Noruega!”, diz Juliana. “Também foi muito bom para nossos alunos ter essa experiência na mesma época em que trabalharam questões de bullying e respeito à diversidade”.

Para a própria prática da conversação, diz a professora, o jogo traz vantagens. “Para se fazerem entender, até a postura dos alunos tem de ser apropriada: eles têm de falar de forma clara, regular o volume da voz – não podem balbuciar ou falar com a mão na boca, sem vontade –, organizar a tomada de turnos, pedir esclarecimentos se não compreenderem o outro…”

Outra qualidade do recurso é a segurança de pôr alunos em contato com interlocutores de outras partes do mundo, mas com a mediação de professores cadastrados. “Há o cuidado de estabelecer, antes, uma ligação entre nós, professores, para nos identificarmos, combinarmos as faixas etárias e níveis dos alunos e planejarmos bem as atividades”, diz Juliana, que conta como soube que esse planejamento valeu a pena: “Ao final da primeira atividade, ouvi aquilo que todo professor adora escutar: ‘Quando faremos novamente?’”

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