A criatividade como combustível para as aulas de ciências

A criatividade como combustível para as aulas de ciências

Colégio Albert Sabin

27 Junho 2016 | 10h00

A busca pelo conhecimento é advento do questionamento da humanidade sobre o funcionamento das coisas, a origem da vida, a dinâmica dos ecossistemas, sobre o nosso organismo e também das questões sociais e psicológicas que cercam o ser humano. Toda dúvida vem da inquietação, da vontade de conhecer mais sobre algum assunto, da curiosidade. Já dizia Einstein: “A curiosidade é mais importante que o próprio conhecimento”. Tudo que é concebido no campo da Ciência provém deste combustível inesgotável.

Nas aulas de Ciências do Ensino Fundamental, a curiosidade é requisito primordial para o engajamento dos alunos. As aulas experimentais são semanais, e o foco é a investigação. Desenvolver esta abordagem não é simples, pois, apesar de existirem vários referenciais teóricos, é muito complexo produzir um experimento cientifico com tais características. Para implementar esta concepção, criou-se um grupo de estudo interno, que utiliza uma metodologia de Design Thinking para redesenhar os currículos de Ciências. A formação docente também é primordial para a concretização do projeto e atualmente o tema em debate é a criação de experimentos investigativos.

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A bióloga e professora de Ciências, Gizele Gasparri, instaurou o “dia da curiosidade” no laboratório de Ciências. Nesta aula os alunos podem apresentar seus projetos pessoais aos colegas e compartilhar seus temas de interesse no campo das Ciências Naturais. São dois encontros em cada trimestre em que os alunos podem montar seus próprios experimentos, ou ainda, trazer seus projetos prontos para expor e debater com suas turmas. A diversidade temática dos experimentos foi um dos pontos positivos desta ação. Em poucas aulas os alunos exploraram propriedades de combustíveis, propriedades físicas da matéria, programação, robótica e reações químicas.

Sucesso entre os alunos, o canal do YouTube chamado Manual do Mundo atrai seus espectadores com experimentos químicos, físicos e engenhocas. Nosso objetivo neste projeto é permitir que o estudante realize na prática estes ensaios e, com isso, se aproprie de todo conhecimento necessário para a sua execução. O processo de colocar as mãos na massa é uma porta para estimular habilidades como a criatividade e a colaboração, além de transformar o laboratório de Ciências em um espaço de inovação e interatividade.

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O projeto de Ciências do Albert Sabin é bastante amplo, e conta também com diversas ações no Ensino Médio. Entre os eventos mais aguardados está o prêmio ConsCiência Sabin. Para participar, os alunos do Ensino Médio desenvolvem seus projetos de iniciação cientifica, ao longo do ano, nas mais diversas áreas. No ano de 2015, os alunos do projeto vencedor construíram uma Câmera de Pinhole com materiais reciclados e tiveram excelente resultado no processo de pesquisa.

Outro trabalho de destaque foi a construção de uma bateria que usa bactérias para gerar energia elétrica, usando materiais de fácil acesso e mostrando para a comunidade que é possível gerar energia por meio de fontes alternativas. O principal ganho dos alunos não é o prêmio em si, mas a possibilidade de vivenciar a iniciação científica ainda no Ensino Médio e conhecer na prática o trabalho de um cientista.

Estimulamos a participação dos nossos alunos em olimpíadas acadêmicas de Astronomia, Química e Física, do Ensino Fundamental ao Ensino Médio, e periodicamente promovemos encontros dos estudantes com pesquisadores. Conhecer o papel da Ciência é um processo que se inicia com o encantamento dos alunos ainda crianças e se desenvolve, em sua metodologia, com os adolescentes nas séries finais do ensino básico.  Concordamos com Einstein e podemos dizer que, sem curiosidade, o processo de construção do conhecimento não é concreto e, mais do que ensinar a teoria científica, temos como objetivo que nossos alunos vivenciem a Ciência da melhor forma possível: fazendo-a.

Leandro Holanda

 Professor de Química e Assessor Pedagógico de Ciências.