A chave da motivação em busca do conhecimento

A chave da motivação em busca do conhecimento

Colégio Albert Sabin

25 Julho 2016 | 10h00

Antes de ser um método, um campo do conhecimento humano ou um conjunto de instrumentos e tecnologias de ponta, a Ciência é um estado de espírito. É uma forma de se colocar na vida, uma atitude, uma disposição para o saber. O indivíduo imbuído desse espírito, seja ele cientista ou não, não é passivo. Não basta que lhe digam como são as coisas: ele não quer ser apresentado ao mundo, quer descobri-lo. Ou, até, construí-lo.

Reflexões como essas estão na base do programa pedagógico de Ciências do Colégio Albert Sabin. Elas ampliam a visão do que é indicativo de qualidade do ensino científico nas escolas: a formação dos professores, a escolha do currículo e a variedade dos materiais didáticos. Mas, do ponto de vista do aluno, pouco adiantam o método sem a curiosidade, o livro sem o encantamento, o laboratório sem o ímpeto investigativo.

lab biologia motivacao

Por isso, tão importante quanto transmitir o conteúdo que compõe o currículo de Ciências da Educação Básica é promover o espírito que motivará os alunos a perseguir ativamente esse conteúdo, e criar oportunidades para aqueles que quiserem ir além. É um trabalho que começa desde cedo e se manifesta nos menores detalhes.

Segundo Adriana Alonso, assessora de Ciências da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I, as sequências didáticas de Ciências têm de incentivar uma abordagem de investigação. “Imagine uma ficha de atividade cujo título é O Ar Tem Peso. A atividade descreve um procedimento que vai provar que, sim, o ar tem peso. Qual a graça disso? A conclusão está dada desde o início”.

O exemplo parece banal, mas não deve ser menosprezado. Para Adriana, se o brilho da Ciência é despertado mais pela descoberta do que pela confirmação de informações recebidas, tudo na aula, do material didático à prática do professor, deve abrir espaço para o não saber inicial. “O segredo é começar pela problematização, levar o aluno a se questionar, a fazer suposições, a refletir sobre elas e a tirar conclusões, para só depois sistematizar o conteúdo e consolidar conceitos”, afirma.

A postura de Adriana reflete uma orientação geral dos professores do Albert Sabin, do Fundamental ao Médio. Para garantir o alinhamento, ela reúne-se periodicamente com o assessor de Ciências do 6º ao 8º ano, Leandro Holanda; os assessores do 9º ano em diante, Aymar Macedo (Biologia), Jackson Padilha (Física) e Rachelle Hanania (Química); e com os coordenadores do Fundamental II, Laércio Carrer, e do Médio, Áurea Bazzi.

“Como podemos motivar nossos alunos a fazer Ciência?” É uma das perguntas que o grupo se faz nas reuniões de alinhamento, em busca de experimentos investigativos mais instigantes, que estimulem a curiosidade dos alunos ao mesmo tempo que promovam as habilidades necessárias ao método científico.

lab quimica motivacao

De acordo com Leandro Holanda, os planos pedagógicos de Ciências exploram essas habilidades num contínuo. “A princípio, as atividades visam mais às capacidades de observação, inferência e registro”, diz o assessor. É o momento de exercitar a atenção dos alunos, sua capacidade de identificar aquilo que é diretamente observável (o crescimento de uma planta, as diferenças entre organismos, etc.) e aquilo que não é observável mas pode ser inferido, com base em conhecimentos prévios.

Na sequência, as atividades passam a exigir dos alunos a formulação de hipóteses mais complexas, que serão testadas mediante procedimentos que devem conceber. “A ideia é que, no 9º ano, quando se diferenciam a Biologia, a Física e a Química, os alunos já tenham um bom manejo do método científico, não só para adquirirem os conteúdos especializados dessas disciplinas, mas também para serem capazes de andar sozinhos em busca do que lhes interessa”, conta Leandro. Inclusive quando o que lhes interessa se encontra além do currículo básico.

Despertada a chama da curiosidade e ensinadas as técnicas de se “controlar o fogo”, o aluno com espírito científico parte em busca de aprender mais. Nesse momento, cabe ao Colégio oferecer meios para que ele explore sua vocação ao máximo, por meio de oportunidades extracurriculares diversas.

Para começar, no Fundamental II, há os módulos preparatórios para Olimpíadas Acadêmicas de disciplinas como Matemática, Química e Física, e o curso de Programação e Robótica, oferecido pelo Programa Sabin+Esportes&Cultura, que neste ano foi reformulado para enfatizar a autonomia do aluno na condução do aprendizado, com base nas ideias do movimento maker para a Educação.

robotica e programacao motivacao

Já no Ensino Médio, além dos Módulos de Aprofundamento, que ajudam os alunos a se prepararem para os vestibulares, com ênfase em revisão de conteúdos e estratégias de resolução de exercícios, o Sabin oferece aulas extras para alunos da 3ª série interessados em expandir seus estudos para áreas e temas de nível avançado até para universitários.

Conceitos como ondas gravitacionais e teoria de supercordas, ou, na área das Ciências Humanas, leituras densas de autores como Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda, são enfrentados por jovens cuja única motivação é o saber, sem nenhuma compensação na nota.

Para a coordenadora Áurea Bazzi, se as aulas regulares garantem o acesso ao conteúdo solicitado nos vestibulares e no Enem, os Módulos de Aprofundamento propiciam um mergulho mais fundo, “vertical”, no conteúdo, ao passo que essas aulas extras oferecem uma exploração mais “horizontal” de áreas do saber.

Como denominador comum a todos esses projetos, há o fato de que vem do aluno a iniciativa de buscar o conhecimento, o que não é por acaso.