A avaliação na Educação Infantil

Colégio Albert Sabin

25 Maio 2016 | 16h11

Alexandra é aluna do Maternal I. Participativa, é das mais ativas nas brincadeiras de faz de conta e nos jogos propostos pela professora. Também se dispõe a ajudar na organização dos materiais escolares, demonstrando personalidade cooperativa e respeito às regras de convivência.

Marcelo é aluno do Pré I. Nas aulas de Arte, mostra-se capaz de apropriar-se dos conceitos transmitidos pela professora e de aprimorar suas produções à medida que aprende novas técnicas. Também revela aptidão para a Educação Física, particularmente nas aulas de Natação, em que caminha e corre na piscina infantil sem auxílio e com desenvoltura.

Alexandra e Marcelo não sabem, mas o que para eles são brincadeiras, jogos, atividades lúdicas e divertidas, para suas professoras é o meio de determinar se eles estão se desenvolvendo conforme o esperado. Afinal, o fato de não se aplicarem provas na Educação Infantil não significa que não haja avaliação. Pelo contrário: na primeira etapa da vida escolar, toda atividade, roda de conversa, trabalho artístico, momento de descontração nas quadras ou na piscina, tudo, enfim, é planejado para estimular e acompanhar o desenvolvimento das habilidades cognitivas, sociais e emocionais dos pequenos.

“A avaliação é contínua”, diz Dionéia Menin, coordenadora da Educação Infantil do Colégio Albert Sabin. “O tempo inteiro estamos observando os alunos, verificando se estão se desenvolvendo e atingindo os objetivos estabelecidos pelo plano pedagógico”. Trata-se de um trabalho constante e complexo. E que, desde o início de 2015, foi aperfeiçoado para se tornar ainda mais minucioso, mais objetivo e, também, mais claro para as famílias entenderem o processo e os critérios pelos quais seus filhos são avaliados.

Até 2014, os pais de alunos da Educação Infantil do Albert Sabin recebiam, no fim de cada trimestre letivo, um relatório que narrava experiências vividas pelos filhos na escola. Embora cumprisse parte do objetivo de compartilhar com as famílias a evolução escolar dos alunos, o formato do relatório, em texto expositivo, tinha suas limitações. “Até por uma questão de extensão, optávamos por não abordar todos os elementos no relatório, definindo a pauta de cada trimestre com o que considerávamos mais relevante dividir com os pais”, diz Dionéia.

Em 2015, porém, o colégio deu um salto qualitativo. O novo relatório de desempenho individual adotado utiliza um sistema mais completo e detalhado. Cada disciplina ou componente curricular tem indicadores de desempenho discriminados em uma extensa tabela. São, literalmente, dezenas de indicadores avaliados por trimestre, como “acompanhar a leitura de textos lidos em voz alta” (Linguagem Oral e Escrita), “explorar objetos de diferentes formas, volumes e superfícies” (Matemática), “produzir sons por meio da utilização de instrumentos musicais diversos” (Educação Musical) ou “rolar em todas as direções possíveis” (Educação Física).

Essas informações são apresentadas, no novo relatório, por meio de um código de cores, que determina se o aluno atingiu a expectativa, para o trimestre, relativa a cada indicador: verde (atingiu), azul (atingiu parcialmente), amarelo (atingiu com intervenção da professora), vermelho (não atingiu).

Os benefícios do modelo são diversos. Em primeiro lugar, estão a clareza e a objetividade. Se antes o relatório narrava várias atividades que o aluno havia desempenhado no trimestre, sem especificar exatamente o que era esperado, o novo relatório indica precisamente quais as expectativas e em que medida elas foram atendidas.

Em segundo lugar, o modelo torna evidente como a avaliação dos pequenos envolve nuances. A avaliação na Educação Infantil nunca é binária: aprendeu ou não aprendeu, resposta certa ou errada. Ela é processual, e o sistema de cores reflete isso. Se o aluno ainda não atingiu plenamente determinado indicador, ele está no processo de atingir. A aprendizagem é mais como percorrer um rio do que como cruzar fronteiras.

O sistema ainda permite levantar os pontos que precisam ser mais bem trabalhados com cada aluno, o que é outro benefício fundamental. Em qualquer etapa, a avaliação escolar não indica apenas se os alunos atendem às expectativas, mas se as expectativas estão sendo traçadas da maneira mais adequada.

Num processo que implica observar com base no que foi planejado, e planejar com base no que foi observado, quanto melhores as ferramentas de observação, melhor a atuação da escola. Também o diálogo com as famílias ganhou com a proposta. Um dia antes das reuniões trimestrais, o Albert Sabin envia esses relatórios para os pais, e o feedback deles agora é bem mais assertivo, porque estão mais bem informados sobre a evolução de seus filhos.