O professor como principal agente de mudança.
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O professor como principal agente de mudança.

Newton Campos

25 Outubro 2013 | 16h26

Semana passada tive a oportunidade de conversar com o Deputado Federal Alex Canziani, de Londrina – Paraná, que estava de passagem por São Paulo e há cerca de 10 anos abraçou a causa da Educação como sua principal bandeira política no Congresso Nacional brasileiro.

Como ele está sempre em contato com diversos atores do setor da Educação pelo Brasil, fiquei curioso em saber sua opinião sobre assuntos que me instigam.
Entrevista

1) Ultimamente sempre começo com esta pergunta: Você acha que a educação está vivendo o início de um momento revolucionário ou apenas um desenvolvimento incremental?

Acho que vive um momento que podemos chamar de pré-revolucionário, de ruptura com o que vem acontecendo. No futuro, com o adequado uso destas tecnologias que estão surgindo, a educação será cada vez mais democrática, com os maiores pensadores e as melhores metodologias pedagógicas disponibilizados gratuitamente, para uso dos professores e de seus alunos.

Embora o início deste processo esteja acontecendo principalmente em inglês, muitas pessoas já se dedicam a traduzir todo este conhecimento. Chegará o momento em que a educação poderá ser personalizada e desenhada para cada um de nós. Neste momento, o ensino poderá ser personalizado e coletivo ao mesmo tempo, algo realmente inovador quando comparado aos processos atuais de aprendizagem.

2) Ano passado fiz um curso de desenvolvimento de líderes da formação a distância, nos EUA. Naquele momento o senado americano estava com uma iniciativa aberta para começar a rediscutir os subsídios dado as universidades estaduais, pois elas estão agora competindo nacionalmente por alunos online. Na época, o Congresso norte-americano convidou a nossa turma para emissão de um parecer sobre o assunto. Existem iniciativas similares no Congresso Brasileiro?

Sim, constantemente convidamos e recebemos pessoas especializadas no avanço do uso de tecnologias com fins educativos. Com relação a educação superior especificamente, a constituição brasileira diz que é dever da União investir nela. Desta forma, as universidades estaduais que estão fazendo um bom trabalho na área de educação a distancia (e portanto recebendo alunos de outros estados da federação) deveriam, ao nosso ver, receber suporte ou aporte de recursos do Governo Federal, pois suas ações tem impacto nacional. Estamos conversando com a ABRUEM – Associação Brasileira das Universidades Estaduais – sobre este assunto.

O MEC – Ministérios da Educação – também está estudando este fenômeno, com grupos de profissionais estudando formas de integrar nacionalmente todo o esforço público em educação a distância de qualidade.

3) Pouco a pouco a tecnologia está vindo com força. Muitas escolas privadas estão correndo para se atualizar. Você não acha que podemos testemunhar o surgimento de uma grande brecha entre a educação pública e a privada na adoção de novas tecnologia para educação?

Pelo contrário. Posso soar otimista mas acredito que o barateamento da tecnologia permitirá que as escolas públicas possam seguir as experiências de sucesso de algumas escolas pioneiras (públicas ou privadas), de forma relativamente rápida.

Vejo o ensino médio com o maior problema na educação brasileira atual. Os alunos estão munidos de telefones inteligentes enquanto os professores ainda estão no giz. Nos próximos anos veremos que o grande gargalo disso tudo estará na capacitação e formação do professorado, estará nas pessoas, na formação destas pessoas.

4) No Brasil, temos grandes problemas na área de Educação. É até difícil saber por onde começar a atacar tamanha quantidade de problemas. Se você pudesse selecionar o maior e principal problema desta lista, qual seria?

Se analisarmos todos os tipos de cursos existentes, para todos os níveis e em todas as regiões do País, o principal problema na educação brasileira atual se encontra na falta de qualidade.

Felizmente, já são poucas as pessoas que pensam que a educação não tem utilidade. Antes, este número era enorme. Portanto, como sociedade, já superamos esta barreira. Agora temos que nos preocupar com a QUALIDADE, em todos os níveis e para todos os tipos de cursos.

E quem é o agente mais importante neste processo? Para nós, que conhecemos o setor, a resposta é muito clara: este agente é o professor. Mas infelizmente isso ainda não está claro para o grande público e devemos nos conscientizar disso. O foco das políticas de melhora da educação tem que estar no professor e na preparação dos professores.

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