O despreparo e a presidência
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O despreparo e a presidência

Newton Campos

01 Setembro 2016 | 14h07

(Artigo de opinião)

Hahaha, “a burguesia venceu o proletariado!” Muito bom! Fazia anos que não ouvia esta frase tão batida e mofada. Quem acumula recursos (os ricos?) vai sempre se impor de alguma forma sobre quem não acumula (os pobres?). E todo “pobre” que se tornar “rico” fará a mesma coisa, pois os sistemas sociais estão calibrados desta forma: recurso sempre tende a gerar mais recurso. Há “ricos” que fazem isso de forma perversa ou majoritariamente negativa, há “ricos” que fazem isso de forma honesta ou majoritariamente positiva.

Mas no caso da cúpula do PT, descobrimos que seu governo se tornou muito mais mais perverso que o mais perverso dos empresários; descobrimos que era um governo de lobos em peles de cordeiros. Sob a ótica desta liderança petista, quanto mais pobres houvessem, mais ricos os petistas e seus amigos ficavam. O futuro de um Brasil petista seria composto por 200 milhões de miseráveis “felizes”, como realmente “felizes” são os cubanos, os bolivianos e os venezuelanos, “referencias mundiais” em igualdade de oportunidades.

Fico impressionado com a quantidade de pessoas que ainda acredita no conto de que todo pobre é bonzinho e de que todo rico é malvado; e que a Dilma, o Lula ou o PT são os defensores oficiais dos pobres. Daqui a dois anos ela deve voltar como “a senadora defensora dos pobres,” pode anotar. Da mesma forma, o Cunha deve voltar como “o senador caçador de ladrões” e os dois tomarão café juntos, rindo fácil de nós, eleitores otários.

Quem votou na Dilma (PT) votou no Temer e no Cunha (PMDB), e essa é uma consequência a que todos nos sujeitamos com o sistema político vigente. Com a diferença de que o PMDB já encontrou seu “modelo de negócio parasita”, sempre lá em cima, sempre vendendo seus votos ao vencedor.

Temer-Dilma-e-lula-Estadao

A Dilma caiu porque ela é tão despreparada que não consegue falar nem uma frase coerente em português. Vejam só o preço que se paga pela falta de formação. E mesmo que pelo menos metade do Congresso Nacional seja composto de deputados e senadores tão ou ainda mais despreparados que ela, seu governo conseguiu um feito histórico: ser derrubado de forma pacífica pelos próprios “companheiros” que foram eleitos com ela, inclusive o próprio Cunha que sempre foi o pastor “brother” até virar o pastor “capeta”. A queda foi “bonita” mas poderia ter sido mais rápida e menos sofrida para o país.

Não importa se a Dilma foi omissa, ingênua, burra ou até mesmo desonesta, o prejuízo gerado pelos atos do seu governo para a sociedade foi o mesmo. Ela vai tarde. E se este governo “novo” não “pegar” acabará caindo também. Na esperança de que algum dia um grupo de pessoas decentes, não apenas ética e moralmente, mas também profissionalmente chegue ao topo da política brasileira.

Se o país quebrar em 2017 ou 2018 (o que ainda é possível, e curiosamente o PT e muitos petistas torcerão por isso), uma crise “jamais vista na história deste país” vai se abater sobre tudo e todos. Plantada não apenas pelo PT mas pelo próprio PMDB que assume agora a rédea dessa roubada (no sentido literal, e sem aspas). O tempo está correndo, a bomba-relógio está armada: tic-tac, tic-tac, tic-tac… Boa sorte para o próximo governo porque o governo Temer já nasce morto.