Estão transmitindo minha aula pelo Skype! E agora?
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Estão transmitindo minha aula pelo Skype! E agora?

Newton Campos

05 Julho 2012 | 08h41

Caramba… alguns alunos estão transformando seus professores em verdadeiros apresentadores de telejornal. E para complicar ainda mais, apresentadores de um telejornal interativo.

E a culpa não é deles. Eles apenas querem flexibilidade. Em toda universidade com uma boa conexão wifi isso está acontecendo. Cada vez mais, os alunos pedem para assistir e participar da aula desde outro local, por exemplo: desde o hospital onde seu pai será operado, desde outra cidade onde terá que fazer uma entrevista de trabalho ou desde o casamento de seu melhor amigo.

Para isso, só necessitam que um colega de sala filme a aula via Skype e faça perguntas em seu lugar através do chat. Pronto! Já temos um ou mais alunos participando “normalmente” de uma aula, a poucos ou milhares quilômetros de distância. Aqui na Europa isso é cada dia mais normal. Quando nossos monitores forem 3D e o Skype transmitir em 3D (em alguns poucos anos) essa telepresença ficará ainda mais real para todos.

Pouco a pouco, os professores estão aprendendo a “dar presença” para estes alunos, por mais estranho que possa parecer “dar presença” a um aluno que esteja te acompanhando desde tão longe. Coisas do século 21?

Aula transmitida ao vivo pela ETV (1959).

Aula transmitida ao vivo pela ETV (1959).

Mas isso é apenas o começo. Várias questões surgirão com o tempo. Por exemplo: o que fazer com o conteúdo desse tipo de classe? Algumas escolas estão diretamente assumindo a tarefa de retransmitir as aulas de forma profissional, como se fossem, literalmente, um canal de televisão. Assim, o aluno que perdeu uma aula interativa (presencial ou a distância, tanto faz) pode rever a aula perdida depois. Ouvi dizer de uma universidade na Coréia do Sul que já está fazendo isso, quero visitá-la no próximo ano (por mais contraditório que isso possa parecer, é que eu gosto de viajar, hehehe).

Mas voltando ao problema do conteúdo. A quem exatamente ele pertence? À instituição que facilitou o debate? Ao professor que permitiu a gravação? Aos alunos que interagiram com o professor durante o debate? A todos? E se houver uma revenda do conteúdo depois? Quem deve receber o dinheiro do copyright? Que confusão, não? Pois igualmente, já existem escolas trabalhando para resolver estas questões jurídicas.

E falando em telejornal. Que tal um telejornal russo (em inglês) para servir de inspiração?

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