Ensino Adaptativo: O Big Data na Educação.
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Ensino Adaptativo: O Big Data na Educação.

Newton Campos

26 Abril 2014 | 16h49

Há tempos venho querendo escrever sobre este assunto aqui no blog. Há algumas semanas conversei informalmente com dois diretores de uma empresa norte-americana chamada Knewton e voltei a pensar no assunto. Esta empresa, que conta com investidores de peso, está crescendo a passos rápidos e pode entrar no Brasil a qualquer momento. Seus fundadores se propõe a implantar o chamado Ensino Adaptativo ou Aprendizagem Adaptativa (Adaptive Learning, em inglês) nos mais diversos tipos de conteúdo para a educação. Mas como funciona isso?

Levando-se em consideração que grande parte dos processos educacionais e dos conteúdos educacionais – notas, livros, exercícios e apresentações – estarão digitalizados, o Ensino Adaptativo se apoia na análise desta massa de dados para sugerir tanto novos caminhos de aprendizagem como novas formas de ensino mais eficientes. Por enquanto, o método tem sido utilizado para fazer com que provas ou exercícios se adaptem ao estudante conforme este vai avançando na matéria.

No futuro, com a convergência do Ensino Adaptativo e do Data Mining (exploração e análise de bases de dados), será possível explorar correlações incríveis entre aprendizagem e conteúdo, permitindo que atuemos sobre ambos de forma quase científica. Para facilitar a adaptabilidade dos assuntos estudados, os conteúdos passarão a ser gerados sempre em pedaços e em diferentes formatos como texto, vídeo e áudio.

Imagine, por exemplo, um software acompanhando o rendimento individual e comparativo de diversos alunos de um mesmo curso, semestre após semestre. Este software poderia facilmente traçar correlações entre as notas obtidas e as características dos assuntos ensinados (dificuldade, formato, tipo de interação, professor que ensinou o assunto, horário da aula, etc), chegando a conclusões extremamente específicas e até individualizadas, como por exemplo: “o aluno X sempre obtém um bom rendimento quando um assunto, independentemente de seu grau de dificuldade, é ensinado pela manhã, através de vídeos e com professores recém formados”. Como resultado desta análise, os conteúdos já seriam adaptados automaticamente ao perfil deste aluno.

Outro exemplo, mais simples porém mais realista seria: “Alunos que tem dificuldade na matéria X do terceiro ano do curso, geralmente foram fracos na prova Y do vestibular”. Isso permitiria que a faculdade – e seus professores – se preparassem de antemão para cuidar de alunos com baixo rendimento naquela prova Y do vestibular, muito antes deles chegarem ao terceiro ano do curso. Na verdade, o sistemas estarão preparados para soltar relatórios de alertas automaticamente, cada vez que alguma correlação interessante seja calculada.

E quanto mais você explora o assunto, mais possibilidades surgem: um curso pode ser feito de forma adaptativa, um livro pode ser lido de forma adaptativa ou uma prova pode ser realizada de forma adaptativa. E foi assim que a expressão “Big Data”, que poderia ser traduzida ao português como “Megadados” ou “Grande Quantidade de Informação” conquistou espaço nos debates sobre educação para descrever um novo aspecto que não pode ser ignorado pelas instituições de formação que queiram crescer ou simplesmente sobreviver nas próximas décadas do século 21.

No segundo semestre do ano passado, a empresa de consultoria McKinsey & Co publicou uma rápida entrevista sobre este assunto com o fundador da Khan Academy, Salman Khan (sempre ele!). A entrevista pode ser lida neste link (em inglês) e assistida neste video:



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