Empreendedores educadores: Ana Gabriela Pessoa
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Empreendedores educadores: Ana Gabriela Pessoa

Newton Campos

26 Julho 2012 | 10h32

Há luz no fim do túnel da educação brasileira?

Para responder a esta pergunta, se eu tivesse como base apenas a classe política brasileira, diria que não. Nossos políticos-bandidos de sempre seguem todos soltos por aí, impunes, aproveitando que estamos distraídos com esse milagre econômico temporário para roubar como “nunca antes na história deste País”, tranquilamente…

Mas felizmente o Brasil não é feito apenas dessa gente. Tem muita gente trabalhando, e muito, em todos os setores, para melhorar nosso desenvolvimento, como pessoas e como “passageiros” privilegiados desse planetinha que gira perdido pelo universo.

E no ramo da educação não é diferente. Frequentemente conheço gente incrível, de todos os tipos e origens, dedicada a inovar e a transmitir distintas formas de conhecimento que vão melhorar as pessoas e o convívio entre elas.

Decidi assim, iniciar uma série de entrevistas curtas a algumas destas pessoas, ao longo do caminho desse blog. Algo meio mensal, mas sem compromisso.

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Pois bem, a primeira entrevista desta série* foi feita por Skype, numa conexão Madri – São Paulo com a Ana Gabriela Pessoa, fundadora da Ezlearn (leia-se “easy learn”), na semana passada:

Como se interessou por educação? Quando muito jovem, a Ana Gabriela estudou Desenvolvimento Econômico na Universidade da Pensilvânia. Depois, foi trabalhar na ONU e durante um projeto na África percebeu que o desenvolvimento socioeconômico dependia muito da educação. Depois passou pela Estácio de Sá e pelo SENAC.

Como surgiu a empresa? Depois de assumir sua paixão pela educação, a Ana Gabriela foi fazer um mestrado em Políticas Educacionais na Harvard School of Education em 2007. Lá, percebeu que usando tecnologia poderia levar educação de qualidade a muito mais gente que usando formatos tradicionais. Assim, começou o plano da empresa, que nasceu no Brasil com seu primeiro produto – Meu Inglês – em 2009.

Ana Gabriela Pessoa

Ana Gabriela Pessoa

Comentei sobre essa febre da educação online gratuita e perguntei-lhe: Onde isso vai parar? Você tem um palpite para os leitores do Estadão? Segundo a Ana Gabriela, está tudo se desenvolvendo muito rápido nos últimos meses, mas ninguém achou ainda um modelo de negócios comprovadamente bom. Ou seja, ninguém encontrou “a fórmula do sucesso” em educação online. Tem muita gente colocando muito dinheiro em projetos educacionais, mas sem saber se darão retorno.

Dá pra “tropicalizar” essa febre? Já podemos começar a criar empresas de educação online como os americanos e os europeus estão fazendo? A Ana Gabriela acha que o ambiente para o empreendedor da educação no Brasil ainda é incipiente, completamente diferente do ambiente nos mercados desenvolvidos. No Brasil, em geral, as pessoas ainda desconfiam muito de um curso online. Por mais incrível que possa parecer, as pessoas ainda preferem pagar mais para ver um professor regular ensinar presencialmente do que pagar menos para ver um professor “maravilhoso” online.

Porque existe esse medo? Porque o brasileiro é muito apegado à educação tradicional. O brasileiro ainda é muito inseguro e prefere ser guiado pelo professor. A educação aqui é muito paternalista. Existem muito poucos autodidatas na nossa sociedade.

Porque a Ezlearn começou pelo inglês? Porque o inglês representa um assunto que afeta a todos. É uma necessidade muito transversal, que vai do rico ao pobre, de norte a sul. O inglês é uma porta de entrada importante para novos conhecimentos e para o acesso a melhores oportunidades de trabalho.

A empresa visa lucro ou tem uma finalidade social? Quem compra os cursos? A empresa tem sim objetivos de lucro e atua no mercado consumidor final. Normalmente, os alunos são pessoas que não têm tempo nem dinheiro para ir a uma escola de inglês distante. Hoje, o público está composto por homens e mulheres de 18 a 35 anos, formado por uma maioria de mulheres. As mulheres estão se atrevendo mais.

Como professor, pesquiso empreendimentos em países emergentes. Sei que empresas jovens sempre acabam adaptando seus objetivos? Vocês mudaram seus objetivos iniciais? Segundo a Ana Gabriela, a empresa mudou bastante seu foco inicial, desenvolvendo-se junto com o próprio mercado. Hoje, estão se tornando especialistas em produzir conteúdo multicanal, ou seja, cursos que podem ser acompanhados ao mesmo tempo desde computadores, tablets, telefones e etc. Também estão usando muito as técnicas de gamification (conteúdos lúdicos para estimular e motivar a aprendizagem), algo que está começando a ganhar força no Brasil, depois de vários usos de sucesso no exterior.

* Se você conhece algum caso bacana ou quer ser entrevistado, por favor, entre em contato comigo pelo e-mail newton ponto campos arroba ie ponto edu. Por favor, antes de entrar em contato, leia o blog e comprove que o caso se encaixa no estilo editorial do mesmo.

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