Editoras do futuro desafiam conteúdos do passado
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Editoras do futuro desafiam conteúdos do passado

Newton Campos

07 Março 2014 | 15h00

Há cada vez mais brasileiros ousados, que trocam a segurança de seus trabalhos por empreendimentos incertos na área de educação. As editoras do passado foram construídas com base na tinta, no papel e na distribuição física dos conteúdos (geralmente livros e até DVDs).

O desafio do futuro será produzir conteúdos muito mais úteis, que sejam ao mesmo tempo interativos, interessantes e inteligentes, que se adaptem ao usuário e saquem o máximo dessa interação, tudo através de tablets e celulares. Esta semana tive a oportunidade de entrevistar os jovens fundadores de uma startup chamada EvoBooks.

Rahmilevitz, Rezende, Otranto e Grieco – Fundadores da EvoBooks

1) Quando e porque vocês decidiram trocar a consultoria pelo setor educacional?
Foi em 2011. Havíamos feito uma série de projetos de consultoria de estratégia no setor de educação e vimos que havia uma oportunidade dentro da área de produção de conteúdo educacional. Do lado do “cliente” auxiliamos, entre outras coisas, no processo de compra de material didático digital e observamos que sempre faltava um ou mais dos elementos chave nos produtos existentes: qualidade gráfica, estruturação pedagógica, abrangência de conteúdo, facilidade de acesso off-line, suporte ao professor e usabilidade. Ao juntar todos esses aspectos, nasceu a EvoBooks.

2) Qual é a sensação de competir com gigantes da indústria editorial tradicional? Assusta?
De certa forma sim. Temos grande respeito pelo trabalho que as grandes editoras já fizeram. No entanto, como qualquer indústria, existe um momento de renovação. Nós acreditamos que fazemos parte da liderança desta mudança, introduzindo um conceito evoluído e robusto de livro e metodologia de aulas digitais. Investimos bastante para chegar a uma plataforma proprietária de edição de conteúdo. Com ela agora podemos produzir o que quisermos, com elementos 3D, interatividade, gamificação, multiusuário… e por ser uma nova empresa, temos a confiança que conseguimos manobrar nosso barco com muita velocidade, seguindo nosso Norte e ajustando o curso quando preciso.

3) Qual o principal desafio na produção de conteúdo digital de qualidade?
Sem dúvida encontrar bons professores-autores e conteudistas, além de desenvolver uma equipe tecnológica de ponta (e cara) para chegar na plataforma que temos hoje. Esses são os desafios específicos da indústria em que estamos.

Conteúdo adaptado para os novos tempos.

Conteúdo adaptado para os novos tempos.

4) Como é construir uma empresa inovadora no Brasil? Por ser uma empresa de educação existe algum benefício?
Não. Obviamente, não preciso me alongar muito e dizer que construir uma empresa no Brasil não é nada fácil. São tantos impostos e entraves burocráticos que consomem o tempo dos executivos que fazem com que o Brasil perca naturalmente competitividade. Enquanto os EUA e outros países como Israel, Cingapura, Alemanha, etc. levam esse tema muito a sério e criam um ambiente próspero para as empresas – desde a fase de captação de recursos até os incentivos ao crescimento – o Brasil ainda pena com legislações ultrapassadas e instituições pouco preparadas para lidar com esse novo conceito de empresas.

5) Como você classificaria os tipos de “livros digitais” (pedagógico ou nao) para a educação?
Na verdade, hoje existe um grande “mélange” de livros digitais. Cada editora vem com um conceito, onde a maioria deles são simplesmente livros digitalizados – o famoso “PDF” ou algo parecido, bem estático. Fica difícil arriscar a classificá-los nesse momento. O que a EvoBooks está fazendo, por outro lado, é desenvolver uma coleção completa de conteúdos curriculares com uma estrutura pedagogicamente eficiente e uma interface de alta usabilidade e interatividade para professores e alunos. Hoje a EvoBooks já é bem conhecida até dentro do Ministério da Educação que nos vê como solução de conteúdo para os tablets educacionais distribuídos pelo Governo Federal.

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