Na Disneylândia da educação a distância: Novidades fresquinhas.
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Na Disneylândia da educação a distância: Novidades fresquinhas.

Newton Campos

12 Outubro 2012 | 20h51

Peço perdão aos leitores pelo atraso na publicação deste post. Quem segue o blog sabe que normalmente escrevo às quintas.

Atrasei-me um pouco porque estou em Orlando, nos Estados Unidos, aonde vim terminar a segunda parte presencial do curso em Educação Online que fiz, já comentado por aqui (consultar post sobre a primeira parte do curso). O final do curso coincidiu com a 18ª conferência anual da Sloan Consortium que é uma das principais associações de educação a distância dos EUA.

Pois bem, depois de participar de várias palestras e debates, trago algumas novidades do que vi por aqui:

1) Em muitas cidades dos Estados Unidos, a educação presencial formal a tempo completo está caindo entre 5% e 15% ao ano;

2) Quando há crescimento, mais de 50% deste se dá através da educação a distância;

3) Estudos mostram que, para muitas profissões, a educação já tornou-se uma atividade “para o resto da vida” (“a life long task”), diluindo o valor de diplomas específicos ou antigos;

4) Identificar, contratar, treinar e administrar professores que saibam dar aulas a distância já está se tornando um diferencial para muitas universidades norte-americanas;

5) A realização de exames presenciais (em centros físicos de aplicação de exames) ou exames a distancia para cursos online (com tecnologias sofisticadas de identificação pessoal) já são uma realidade ao menos em 50 universidades norte-americanas;

6) As 3 principais forças que hoje agem a favor dos cursos abertos online (MOOCs, consultar post aqui) são: a popularização do acesso à internet, a redução dos custos de tecnologias e a recessão econômica norte-americana;

7) Os MOOCs (cursos abertos online) estão recebendo investimentos maciços em centenas de universidades, mas ainda não se mostraram eficientes: apenas 20% dos alunos participam ativamente das aulas e menos de 3% terminam os cursos oferecidos. Iniciou-se uma interessante curva de aprendizagem.

8 ) Os MOOCs (cursos abertos online) mais consolidados no mercado norte-americano até o momento são oferecidos pelas seguintes organizações: Khan Academy, Edx, Cousera, Minerva, Peer 2 Peer University, Saylor, TED-Ed, Udacity e Udemy.

Entre uma palestra e outra tive a honra de conversar por 5 minutos com o Prof. Sebastian Thrun, Prof. de Inteligência Artificial em Stanford, Diretor no Google e fundador do Udacity.

Sou um grande fã dele. Afinal, ele foi o primeiro professor da história a dar aula a uma turma de mais de 160 mil alunos. Tudo começou há menos de 2 anos: ele se inspirou numa palestra do Salman Khan da Khan Academy para abrir sua aula de Inteligência Artificial para o mundo. A experiência foi tão impactante que o fez criar a Udacity.

Sebastian Thrun - Outubro 2012

Acima: com Sebastian Thrun (em Orlando, Outubro 2012)

Ninguém sabe ainda como ganhar dinheiro com os MOOCs. O Udacity deve apostar por um modelo vinculado à identificação de talentos (headhunting). Ou seja, as empresas que contratem os melhores alunos da Udacity lhes pagará uma taxa por este serviço de procura e identificação de talentos.

Perguntei-lhe sobre o que achava da possibilidade de se criar um MOOC misturando alunos pagantes com alunos gratuitos, com diferentes graus de acesso ao serviço educativo. O Sebastian acha que este formato é possível, mas não aposta por este modelo.

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