Sergio Castro/Estadão
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Vestibular de inverno: faculdades oferecem vagas em cursos presenciais e a distância

É a chance de entrar para uma graduação ainda em 2017 ou treinar para os próximos exames

Nathalia Molina, Especial para o Estado

16 Maio 2017 | 05h00

SÃO PAULO - O vestibular de inverno atrai tanto alunos interessados em entrar numa graduação ainda em 2017 quanto aqueles que aproveitam a oportunidade de treinar para a maratona de exames do fim do ano. Seja qual for a opção, vale ficar atento às vagas que as universidades oferecem agora, com opções em cursos presenciais e a distância.

Muita gente acredita que seria mais fácil entrar para uma faculdade nesta prova de inverno, mas os desafios acabam sendo os mesmos. Se diminui o número de candidatos em relação ao vestibular no fim do ano, igualmente cai a oferta de vagas. As instituições podem escolher certos cursos para incluir neste exame ou decidir nem realizá-lo. Entre as universidades públicas do Estado de São Paulo, por exemplo, há vestibular de meio de ano só na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Outra dificuldade na prova de inverno: estudantes bem preparados que não conseguiram passar em vestibulares anteriores costumam tentar outra vez.

O jeito, então, é focar no estudo. A tecnologia é uma aliada nessa empreitada: há aplicativos, sites e canais do YouTube para aprender ou revisar o conteúdo das disciplinas e também para tirar dúvidas naquelas em que se tem maior dificuldade. Mas, atenção, uma dica constante dos especialistas é ter planejamento e dedicação, sem cometer exageros. Afinal, para que tudo saia de modo tranquilo na hora da prova, é preciso chegar até lá com a motivação em alta e a mente relaxada.

Confira aqui o guia completo com os principais vestibulares de inverno.

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'Exames de inverno têm um público até mais experiente', diz coordenadora de cursinho

Vestibular de meio de ano não significa chance maior de aprovação, segundo Vera Lúcia Antunes, do Objetivo

Entrevista com

Vera Lúcia Antunes, coordenadora do curso Objetivo

Ocimara Balmant, Especial para o Estado

16 Maio 2017 | 05h00

SÃO PAULO - É ilusão achar que os vestibulares de inverno são mais fáceis de conseguir aprovação. A opinião é de Vera Lúcia Antunes, coordenadora do curso Objetivo. As oportunidades no meio do ano podem até atrair menos candidatos, mas também há uma quantidade menor de provas e com vagas em um número reduzido de cursos, principalmente nas universidades públicas. Com quase meia década de atuação - 48 anos na direção pedagógica da instituição -, a professora dá dicas para se sair bem no exame: do conteúdo que “está na moda neste ano” a macetes para não perder tempo na hora da prova.

Os vestibulares de inverno têm diferença, quanto ao conteúdo, em relação aos realizados no fim de ano? São mais fáceis?

Não. Principalmente nas públicas, o programa é o mesmo, com os mesmos itens e o mesmo grau de dificuldade. A diferença fica por conta do número de cursos e de vagas oferecidos. Aliás, ouso dizer que os exames de inverno têm um público até mais experiente: gente que já terminou o ensino médio, prestou vários vestibulares no fim do ano anterior e não passou. De forma que, definitivamente, a prova não é fácil como muita gente pensa.

Quem está no terceiro ano tem repertório para a prova?

Sim, mesmo que falte o conteúdo de um semestre, ele já tem muito conhecimento acumulado e domina os elementos básicos de cada disciplina. Sobre o que ainda está por vir no ano letivo, vai depender também da sorte do aluno de a banca cobrar o que ele já aprendeu. Em Geografia, por exemplo, uma escola pode começar a matéria do terceiro ano em Europa e outra em América Latina. Em Matemática, uma pode dar mais enfoque a trigonometria e outra, a geometria. O que o vestibular vai cobrar, nunca se sabe. Uma boa dica é dominar os “temas da moda”, que neste ano são a Venezuela, o Estado Islâmico e a Coreia do Norte, entre outros.

Então vale até como um grande teste, não é?

Exato. Treinar é uma coisa necessária para, principalmente, aprender a calcular tempo. O que parece simples, mas não é. É preciso, por exemplo, saber que questão difícil a gente pula. Não tenho nota maior só porque acertei a mais difícil. Se todas as questões têm o mesmo valor, tenho de ir até o fim da prova e voltar só naquelas que pulei. E por que voltar só naquelas que pulei? Porque, se volto em todas, já estou cansado e leio errado o que tinha raciocinado com calma e acabo mudando a alternativa. Quando o aluno muda a resposta, sempre muda para pior, nunca para melhor.

Poucas universidades públicas fazem vestibular no meio do ano. No Estado de São Paulo, só a Unesp tem o exame e apenas para nove cursos. O vestibulando não sofre por ter uma única chance anual de ser aprovado?

Isso ocorre um pouco por conta de muitos cursos serem anuais e também pelo custo de realização do vestibular. O ideal é se fosse como o SAT (um dos principais exames para ingresso em universidades americanas), em que o aluno usa sua nota para concorrer em várias universidades e durante um tempo estendido. Não tem cabimento sobrar vaga em universidade, mesmo que o aluno não tenha prestado prova para aquela instituição.

O Enem virou o grande vestibular do País. Quem se prepara para ele já está pronto para os outros exames?

Sim. Hoje, quem estuda para o Enem se prepara para qualquer faculdade do País e até de fora dele. No início, quando surgiu, de fato o Enem era uma prova mais fácil, sem programa. Hoje, ele tem um conteúdo programático que é até maior do que o de qualquer instituição. E as últimas edições, como a gente sabe, foram tão difíceis como um vestibular da Fuvest.

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Vestibular também é oportunidade para treinamento

Ainda que seja teste: vários estudantes encaram o vestibular de meio de ano como uma oportunidade para usar técnicas e aprender na prática como dividir o tempo do exame

Ocimara Balmant, Especial para o Estado

16 Maio 2017 | 03h00

SÃO PAULO - A prova de inverno atrai muitos alunos interessados em testar seus conhecimentos para de fato se candidatar a uma vaga no vestibular do fim de ano. Funciona como um “quase valendo muito acertado”, explica Gilberto Alvarez, diretor do Cursinho da Poli.

“Uma das etapas mais importantes para ver o nome na lista de aprovados é se preparar para o estilo da prova porque cada uma tem um tempo, um número de questões, uma forma de divisão do conteúdo. Quando o estudante consegue testar tudo isso em um vestibular de verdade, não só em provas anteriores, ele ainda tem a chance de avaliar o controle da ansiedade e a tensão.”

É o que vai fazer Luis Fernando Rocha Lemos Fontes, com a prova da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com 360 vagas só para Engenharia na prova do meio do ano. A meta do jovem de 18 anos é conseguir, no vestibular de fim de ano, uma vaga em Direito, mas tem se preparado dez horas por dia para ver seu nome agora entre os aprovados para Engenharia Civil. “Além dos exercícios, faço todos os simulados que o cursinho organiza e busco em casa edições anteriores da prova, tanto pra ver a dificuldade ao longo dos anos como a mudança nos assuntos cobrados e os temas de redação.”

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Conheça aplicativos e sites que podem ajudar na preparação para os exames

Aplicativos podem ajudar na hora de se preparar para as provas do vestibular. Cobrem de conteúdos gerais a específicos como Matemática e Português

O Estado de S.Paulo

16 Maio 2017 | 05h00
Atualizado 16 Maio 2017 | 16h18

Apps

Enem. Estuda.com + Vestibular (iOS e Android). Nada como simulados para testar não só o conhecimento de conteúdo, mas de estilos de provas. Neste app, o aluno tem um banco de questões de vestibulares das públicas e pode fazer o teste com uma ou mais disciplinas. Dá para estudar e ver no ranking o desempenho em relação a outros usuários. Grátis.

Nova ortografia (Android). Quem não sofre com os regras de hífen da nova ortografia? Este aplicativo traz as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de forma resumida e também um tanto de exercícios na forma de jogos, para o estudante aprender sem ficar entediado. Grátis.

Leitor rápido (Android). Tem de ter muita velocidade para dar conta de ler os enunciados, principalmente os da prova de português, sem estourar o tempo da prova. Com autoavaliação inicial e exercícios divididos por níveis, a promessa é de ajudar o estudante a aumentar o ritmo de leitura em 21 dias. Grátis.

MathBoard Addition (iOS). Como Matemática ainda é o “bicho papão” de muita gente, este app pode auxiliar. Oferece tabelas de consultas de fórmulas e exercícios que ajudam o aluno a revisar e fixar o conteúdo de modo prático, com um jogo. A versão de avaliação é gratuita; a completa custa US$ 4,99.

Khan Academy (iOS e Android). Maior site para aprender Matemática do mundo, tem videoaulas e exercícios gratuitos, tanto no site como no aplicativo. São mais de 10 mil vídeos e explicações teóricas, que incluem também outras áreas do conhecimento, como Ciências, Economia e História. Grátis.

Sites

Nota1000. Todo mundo sabe que a redação tem peso importante nos vestibulares, capaz de deixar de fora até quem vai bem em outras matérias. Além de apresentar propostas de temas,

esta ferramenta faz a correção de redação: você envia, e ela volta em até três dias. Há vários planos: do Freud (três correções

por R$ 44,50) ao Einstein (dez por R$ 119).

Me Salva! (Aplicativo também disponível para iOS e Android). As videoaulas, de todas as disciplinas cobradas nos vestibulares, são curtas e bem explicadas. Além de canal do YouTube, também há um site. O estudante tem acesso gratuito a simulados, correção de redações e até um plano de estudo que considera as dificuldades, os objetivos e o tempo disponível para estudo.

Enempedia. Focado em Enem, o site parceiro do Estado pode ser uma boa fonte de estudo para o vestibular de um modo geral. O portal apresenta um bom apanhado de curiosidades e fatos do noticiário. Também dá dicas de Português e para uma boa redação.

Oficina do EstudanteToda semana tem vídeo novo de cada uma das disciplinas neste canal do YouTube. Com no máximo dez minutos de duração, o material, produzido pelos professores do cursinho Oficina do Estudante, ajuda muito na hora da revisão.

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Formação online é cada vez mais procurada por estudantes

Com a crescente familiaridade com a tecnologia e uma confiança maior nos cursos a distância, modalidade vem crescendo

Ocimara Balmant, Especial para o Estado

16 Maio 2017 | 05h00

SÃO PAULO - No início, os cursos eram poucos e a desconfiança era muita. A cada ano, a oferta aumenta, os interessados se multiplicam e a aceitação do próprio mercado de trabalho avaliza a educação a distância como uma forma segura de aprendizado. Nos anos recentes, enquanto o ensino presencial registrou uma sensível queda no número de matrículas, os cursos de EAD - como o nome da modalidade é abreviado - chegaram a 5 milhões de alunos em 2015, na soma entre cursos livres e regulamentados. Esse número representa um aumento de mais de 20% em relação ao registrado no ano anterior. A maior parte dos estudantes a distância está matriculada na graduação.

“E ainda há muito espaço. Hoje, temos 12 milhões de brasileiros com médio e sem superior”, projeta Janes Fidelis Tomelin, conselheiro da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed). Além da demanda reprimida, o educador cita a desmistificação da modalidade, a expansão dos polos de apoio presenciais e a crescente familiaridade com a tecnologia. “Este último fator atrai os jovens que já nasceram digitais e preferem estudar nesse formato.”

Mas a escolha tem de ser consciente. O alto percentual de evasão - passa de 50% em algumas instituições - decorre em boa parte de uma percepção equivocada do estudante ao acreditar que, por ser a distância, ele não vai precisar ter uma disciplina com horários e cumprimento de prazos.

“Nesse ponto, EAD é até muito mais rigoroso”, diz Fátima Rodrigues, de 40 anos, aluna do 5.º semestre de Pedagogia na Laureate. O curso, o mais procurado entre todos na modalidade, é a segunda graduação da professora de inglês: a primeira foi presencial, em Turismo, há quase 20 anos. “Em EAD, não dá para estar só de corpo presente em uma aula. Não importa o horário que defino para estudar, no momento em que sento, preciso me concentrar e estar inteira ali. Sou muito mais responsável pelo próprio aprendizado.”

É importante não confundir auto-organização com a ideia de ser autodidata. O aluno EAD não precisa aprender por conta própria - ele terá a instituição como provedora do conhecimento e deve receber dela todo o suporte necessário -, mas cabe a ele se organizar para apreender o conteúdo. Um profissional que consegue manter sua disciplina sozinho é justamente o que o mercado mais tem buscado. Em tempos de estímulo ao “home office”, até porque ocupar um espaço físico é muito caro, as empresas já demonstram predileção por quem consegue produzir longe do olhar do chefe.

Fique atento

Antes de se matricular em um curso EaD, saiba o que cada instituição de ensino deve oferecer e o que é importante o estudante ter de estrutura, para que o curso seja feito de forma satisfatória:

Instituição

+ Certifique-se de que terá acesso a professores e tutores para tirar dúvidas

+ Solicite portaria de autorização daquele curso. Se o curso já é ofertado há mais de dois anos, tem de ter portaria de reconhecimento do Ministério da Educação

+ Verifique a regularidade do polo, ou seja, se o polo está no e-MEC (sistema público e de consulta livre do ministério)

+ No ato da matrícula, peça os canais  de contato com a instituição para casos como acerto sobre boleto e atestado de matrícula

+ Verifique se a instituição oferece biblioteca virtual, para não ter de ir até o polo para pegar um livro emprestado. Existem mais de 12 mil títulos disponíveis virtualmente, mas é preciso que a instituição assine o serviço

Aluno

+ É importante que o aluno tenha um computador em casa e um smartphone para o uso em deslocamentos. Cada vez mais,

as instituições estão adaptando os conteúdos para mobiles. Invista em um celular com tela grande

+ Para assistir aos vídeos e participar de webconferência, é preciso ter a assinatura de um bom plano de banda larga

 

 

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Além da graduação: faculdades oferecem de opções de extensão até o mestrado

Instituições de ensino superior já formatam alternativas para o aluno atrelar sua formação a outros cursos de interesse

Ocimara Balmant, Especial para o Estado

16 Maio 2017 | 05h00

SÃO PAULO - Há menos de cinco anos, quando Eduardo Palma decidiu estudar Administração na Fundação Getulio Vargas (FGV), o jovem, à época com 18 anos, nem imaginava que emendaria a graduação com o mestrado profissional. “Pensava que faria um mestrado bem mais frente, lá pelos 30 anos, e apenas caso eu decidisse ser professor”, lembra. No decorrer do curso, no entanto, percebeu que alongar os estudos poderia ser vantajoso. Recebeu o diploma da graduação em julho de 2016 e, em agosto, já fazia as primeiras aulas da pós. Quando defender a dissertação, em 2018, terá 25 anos de idade e o título de mestre para botar no currículo.

“Quando comecei o curso, não imaginava, mas percebi que só com a graduação não seria fácil conseguir uma posição efetiva. Além disso, com o mestrado, já consigo entrar em uma função melhor. Se for em Consultoria, por exemplo, já começo como analista 2.”

A escolha de Eduardo mostra que, mesmo que o estudante não tenha a pós-graduação em mente ao escolher a primeira formação em nível superior, as instituições de ensino superior já vislumbram essa possibilidade e formatam opções para que seu aluno possa atrelar sua formação a outros cursos de interesse, o que inclui desde opções de extensão até o mestrado.

No caso da FGV, a instituição oferece dois cursos com foco no recém-formado: o Master in Business in Management (MBM), para jovens profissionais com até três anos de formados e que buscam formação empresarial, e o Mestrado Profissional em Gestão Internacional(MPGI), o cursos escolhido por Eduardo. Realizado parte no Brasil e parte no exterior, ele resulta em dupla titulação.

“A gente apresenta essa possibilidade ao aluno na primeira semana de aula da graduação, mas percebemos que ele toma a decisão ao longo do curso ou mesmo depois da formatura”, diz o vice-diretor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP), Tales Andreassi. “O comum é que as pessoas queiram terminar a graduação e trabalhar. Mas, aos poucos, elas começam a ver que vale a pena ficar mais um ano e meio e ser competitivo internacionalmente.”

Sem repetir o conteúdo. Uma vez que o aluno decide ficar, o desafio das instituições passa a ser criar programas que de fato agreguem à formação acadêmica e não repitam conteúdos, já que os professores costumam ser os mesmos. Isso significa examinar currículo, bibliografia e prova e ponderar o momento profissional do aluno.

“Mesmo que você tenha um tema recorrente, ele tem aprofundamento e perspectivas distintas. É diferente falar de Marketing para um menino de 18 anos e para outro que já entende melhor a dinâmica dos negócios”, explica Luiz Fernando Garcia, diretor-geral da graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

A abordagem, afirma Garcia, deve partir do compromisso da instituição de acompanhar a dinâmica do mercado de trabalho e entender qual é o perfil buscado. “No fundo, sabemos que, pensando na lógica de mercado e em dinâmicas sociais impactadas pela tecnologia, é preciso a aprendizagem contínua de Economia, de Negócios e de Comportamento, mesmo que a essência não tenha mudado.”

Possibilidades para o futuro

Extensão: são cursos extracurriculares que o acadêmico faz para ampliar seu conhecimento sobre determinado assunto, sem delimitação de carga horária. Em algumas instituições, eles são chamados de cursos livres

Aperfeiçoamento: esse tipo de curso aborda campos específicos da atividade profissional e conferem certificado. Costuma ser mais longo do que os cursos de extensão.

Pós-graduação: são os cursos lato sensu (especialização e MBA) e stricto sensu (mestrado e doutorado). Os lato têm de ter carga horária mínima de 360 horas.

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