Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

USP vai adotar Enem para preencher 13,5% das vagas

Plano inicial era de 15%, mas 10 de 42 unidades ficaram de fora. De 11.057 lugares disponíveis, 1.489 vão para o Sisu

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

23 Junho 2015 | 19h21

Atualizada às 23h33

SÃO PAULO - O Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP), instância máxima da instituição, definiu nesta terça-feira, 23, a adoção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de ingresso para 13,5% das vagas do vestibular 2016. Haverá reserva de 10,5% do total de vagas para alunos de escola pública e apenas 1% será para candidatos pretos, pardos e indígenas.

É a primeira vez que a USP adota um sistema de cotas sociais e raciais, mas 10 das 42 unidades ficaram de fora. Medicina, a Escola Politécnica e a Escola de Comunicação e Artes (ECA), por exemplo, não adotaram o Enem nem o sistema de cotas. Também não haverá em nenhuma unidade critérios de renda, o que pode colaborar para que apenas a elite da rede pública – de escolas técnicas ou que fizeram cursinhos preparatório – ingresse nessas vagas.

Os índices da USP ainda ficaram longe do que ocorre nas universidades federais. Além de haver critério de renda e porcentual de negros e indígenas, a Lei de Cotas define que, em 2016, os alunos de escola pública representem 50% do total de ingressantes. O que ainda vale para todos os cursos. 

A proposta inicial era ter 15% das vagas no Sisu voltadas para alunos de escola pública. Durante o processo de discussão, algumas unidades decidiram não entrar no sistema. “Acredito que uma posição única da universidade seria melhor. Mas foi importante, foi a mudança possível”, disse o professor de Direito Rubens Beçak.

A maioria das vagas (86,5%) continuará tendo ingresso pelo vestibular da Fuvest, cujo sistema de bonificação para alunos de escola pública, negros e indígenas continua valendo (o bônus dá até 20% de incremento na nota do vestibular). A USP espera, no entanto, que o sistema atual de bonificação continue colaborando para a inclusão, mesmo que seja desigual entre os cursos concorridos. Neste ano, 35% dos ingressantes vieram de escola pública, mas entre os 20 cursos com maior concorrência, esse índice foi de 25,7%, como o Estado revelou no início do mês.

O reitor Marco Antonio Zago defendeu que a mudança no vestibular foi uma vitória. “Aumenta um pouco a chance de os alunos de escola pública entrarem na USP. Ficamos ilhados por um tempo e agora avançamos”, disse. “Tenho certeza de que haverá mudança no perfil (de renda dos ingressantes), mas ainda não dá para dizer quanto.”

Sisu. Das 11.057 vagas disponíveis na Universidade de São Paulo para o próximo ano, 1.489 estarão no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que centraliza as vagas para quem fez o Enem. Dentro do Sisu, 1.169 (10,5% do total) serão destinadas para alunos que cursaram o ensino médio em escola pública, sendo 123 dessas vagas (1% sobre o total) destinadas para pretos, pardos e indígenas. Só 13 cursos (5% dos 249 existentes) em quatro unidades optaram pelo quesito: USP Leste, Instituto de Relações Internacionais, Instituto de Psicologia e Faculdade de Saúde Pública. 

As 340 vagas restantes dentro do Sisu serão para ampla concorrência, em que podem participar estudantes de escolas particulares de todo o Brasil. A Fuvest nunca realizou provas fora do Estado de São Paulo.

Na votação desta terça, 91 integrantes do conselho votaram a favor da proposta, já aprovada no Conselho de Graduação. Dez foram contra e um se absteve. Representantes dos alunos tentaram adiar a votação para fazer outras discussões, mas não conseguiram. “A USP demonstrou mais uma vez que não quer se modernizar e continua na retaguarda”, disse a estudante Marcela Carbone, de 23 anos. 

Zago afirmou que o sistema vale apenas para o vestibular de 2016 e no ano que vem as discussões voltarão para que as unidades que ficaram de fora do Sisu possam entrar. “Temos de voltar a discutir”, disse.

Gasto. Para a inclusão dos 1.169 alunos de escola pública, a USP prevê até R$ 10 milhões com permanência estudantil. O reitor afirmou que há orçamento – hoje esse investimento é de R$ 160 milhões anuais.

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