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Vestibular: 24 filmes para ver quando não estiver estudando

Professores da Unesp indicam obras de ficção que distraem, ensinam e ajudam a compor repertório

VIVIANE ZANDONADI- ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

18 Maio 2015 | 21h59

Pedimos a um grupo de professores de vários cursos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) que indicassem filmes importantes para a formação do vestibulando. Não é tema de prova, mas contribui para a formação de repertório e pensamento crítico. Às vésperas dos exames, a ideia é encaixar na agenda momentos de descompressão.

A lista contempla títulos de ficção – alguns antigos e outros bastante atuais – organizados por ano de produção. Para todas as indicações os professores respondem à pergunta: “por que assistir?”.

Tempos modernos (Charles Chaplin, 1936)

“Leitura de Chaplin da alienação e da desumanização impostas pela sociedade industrial.”

(Jezio Hernani Bomfim Gutierre, doutor em filosofia e professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp de Marília)

E o vento levou (Victor Fleming, 1939)

“Paradigma de superprodução épica americana, marco da linguagem cinematográfica”

(Jezio Hernani Bomfim Gutierre, doutor em filosofia e professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp de Marília)

Cidadão Kane (Orson Welles, 1941)

“Misto de crítica social, biografia ficcional e narrativa cinematográfica, incorporado no rol universal de todos os filmes produzidos posteriormente.”

(Jezio Hernani Bomfim Gutierre, doutor em filosofia e professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp de Marília)

Janela Indiscreta (Alfred Hitchcock, 1954)

“Obra prima de Hitchcock, a construção de um texto cinematográfico assentado sobre imagens.”

(Jezio Hernani Bomfim Gutierre, doutor em filosofia e professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp de Marília)

O diário de Anne Frank (George Stevens, 1959)

O Holocausto no cinema: o que filmar e como filmar? O Holocausto visto por Hollywood; Exemplo de gênero diário e romance epistolar.”

(Cristiane Passafaro Guzzi, pós-doutoranda na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara)

O Pagador de Promessa (Anselmo Duarte, 1962)

“Sobre sincretismo religioso-cultural no Brasil, uma cultura de contradições.”

(Pelópidas Cypriano, professor do Instituto de Artes da Unesp)

Fahrenheit 451 (François Truffaut, 1966)

Bom exercício de comparação entre sociedade policial e policiada de Fahrenheit 451 com o livro 1984, de George Orwell. Filme de ficção científica como apólogo para denunciar os desvios da sociedade, enunciando as soluções práticas e morais, bem como o papel das propagandas, suas influências e manipulações.”

(Cristiane Passafaro Guzzi, pós-doutoranda na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara)

2001: uma odisseia no espaço (Stanley Kubrick, 1968)

“A descrição da trajetória do homem, sua origem, presente e futuro.” (Jezio Hernani Bomfim Gutierre, doutor em filosofia e professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp de Marília)

Macunaíma (Joaquim Pedro de Andrade, 1969)

“Adaptação do livro modernista homônimo de Mário de Andrade.”

(Pelópidas Cypriano, professor do Instituto de Artes da Unesp)

Morte em Veneza (Luchino Visconti, 1971)

A cidade como metáfora; a tradução cinematográfica de concepções artísticas; a revelação do belo na literatura e no cinema.”

(Cristiane Passafaro Guzzi, pós-doutoranda na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara)

O poderoso chefão (Francis Ford Coppola, 1972)

“Interessante para compreender, por exemplo, organizações criminosas como o PCC.”

(Nelson Pedro-Silva, professor doutor de psicologia da Unesp de Assis e autor de Indisciplina e Bullying e Ética, Indisciplina & Violência nas Escolas (Editora Vozes))

Apocalipse now (Francis Ford Coppola, 1979)

“Os efeitos da guerra na cabeça das pessoas; o homem colocado em situações limite.”

(Nelson Pedro-Silva, professor doutor de psicologia da Unesp de Assis e autor de Indisciplina e Bullying e Ética, Indisciplina & Violência nas Escolas (Editora Vozes))

Madame Bovary (Claude Chabrol, 1991)

“O ‘bovarismo’ como um problema existencial ligado à educação das moças no século XIX; O delineamento da burguesia; Exercício de transposição de um romance para outra linguagem.

(Cristiane Passafaro Guzzi, pós-doutoranda na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara)

Um dia de fúria (Joel Schumacher, 1993)

“Analisa os efeitos maléficos causados pelo stress.”

(Nelson Pedro-Silva, professor doutor de psicologia da Unesp de Assis e autor de Indisciplina e Bullying e Ética, Indisciplina & Violência nas Escolas (Editora Vozes))

Pulp Fiction - Tempo de violência (Quentin Tarantino, 1994)

“Trata da banalização da violência na atualidade. Uma das cenas que mais me impressionou foi a de bandido dizendo que mataria quem riscou o seu carro; um verdadeiro absurdo e considerado motivo mais importante para tirar a vida de alguém do que outros crimes. Trata da banalização da vida.”

(Nelson Pedro-Silva, professor doutor de psicologia da Unesp de Assis e autor de Indisciplina e Bullying e Ética, Indisciplina & Violência nas Escolas (Editora Vozes)); “Universo de Tarantino: fragmentário, amoral, lírico e definidor da contemporaneidade.”

(Jezio Hernani Bomfim Gutierre, doutor em filosofia e professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp de Marília)

Um sonho de liberdade (Frank Darabont, 1994)

“Mostra que com paciência e perseverança tudo é possível. Isso independente da carreira específica para qual ele está concorrendo.”

(José Alexandre J. Perinotto, professor titular do departamento de Geologia Aplicada do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp de Rio Claro)

O que é isso, companheiro? (1997)

“A ditadura militar no Brasil.”

(Nelson Pedro-Silva, professor doutor de psicologia da Unesp de Assis e autor de Indisciplina e Bullying e Ética, Indisciplina & Violência nas Escolas (Editora Vozes))

O Invasor (Beto Brant, 2001)

“Filme interessante sobre violência urbana, contemporâneo de Cidade de Deus.”

(Pelópidas Cypriano, professor do Instituto de Artes da Unesp)

Ensaio sobre a cegueira (Fernando Meirelles, 2008)

“Analisa a sociedade inflacionada de informação, sobretudo as consequências das novas tecnologias na cabeça das pessoas e, por conseguinte, no campo das relações interpessoais.”

(Nelson Pedro-Silva, professor doutor de psicologia da Unesp de Assis e autor de Indisciplina e Bullying e Ética, Indisciplina & Violência nas Escolas (Editora Vozes))

Amour (Michael Haneke, 2012)

“Exposição sem concessões da profundidade do vínculo entre duas pessoas, algo que ultrapassa o tempo e desafia o cotidiano.”

(Jezio Hernani Bomfim Gutierre, doutor em filosofia e professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp de Marília)

O Lobo de Wall Street (Martin Scorsese, 2013)

“Descrição do interior (psicológico e social) da mecânica do mercado financeiro americano.”

(Jezio Hernani Bomfim Gutierre, doutor em filosofia e professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp de Marília)

Acima das Nuvens (Olivier Assayas, 2014)

“Culto à celebridade e a escandalização da notícia; a encenação teatral no cinema.”

(Cristiane Passafaro Guzzi, pós-doutoranda na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara)

Leviatã (Andrey Zvyagintsev, 2014)

A condição dos burgueses; a crítica contudente ao engessamento do sistema e ao modo corrupto e selvagem de sobrevivência do homem; a religião e o mpoder interligados.”

(Cristiane Passafaro Guzzi, pós-doutoranda na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara)

Whiplash (Damien Chazelle, 2014)

Os limites entre busca e obsessão por perfeição; relacionamento de professor e aluno; a consequência da busca desenfreada pelo modelo perfeito; o jazz como componente estrutural para a estruturação dos planos-sequências do filme.”

(Cristiane Passafaro Guzzi, pós-doutoranda na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara)

 

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