Vagas na web

Twitter, Facebook e Orkut viram fontes básicas para empresas buscarem dados sobre inscritos em processos seletivos

Carlos Lordelo, O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2010 | 22h25

O Brasil está entre os dez países que mais acessam redes sociais no mundo. Dominamos o Orkut, ao lado dos indianos. Ocupamos o segundo lugar no Twitter e estamos avançando a passos largos no Facebook (ver abaixo). Mas o internauta brasileiro anda bobeando na hora de explorar o potencial desses sites para encontrar estágio e emprego.

 

Do total de brasileiros que navega na web, 84% têm perfis em redes sociais por razões pessoais e apenas 33% entram nesses sites com objetivos profissionais, segundo uma pesquisa feita em junho pelo Ibope.

 

Para especialistas ouvidos pelo Estadão.edu, quem usa Twitter, Facebook e Orkut apenas para se divertir está deixando oportunidades de lado, já que as redes sociais se transformaram em fonte básica de pesquisa para gestores de RH buscarem informações sobre candidatos, sejam estagiários ou gerentes.

Foi no Twitter que o publicitário Leonardo Curcino, de 25 anos, encontrou seu emprego atual, como diretor de arte na agência Rapp Collins Brasil. “A empresa anunciou a vaga, eu vi o tweet (mensagem) e rapidamente enviei meu currículo. Hoje estou mais bem posicionado no mercado.”

 

 

Cada um na sua rede. O serviço de microblog estourou este ano entre os brasileiros e hoje abriga todo tipo de internauta, de estudantes a candidatos a presidente. Já outras redes sociais têm perfis de usuários mais específicos: no Orkut, adolescentes são a maioria; universitários preferem o Facebook e o LinkedIn fica mais restrito ao mundo executivo.

 

E é justamente nesse site que devem ficar de olho os interessados em encontrar uma vaga via internet. Diretora executiva da escola Brazilian Business School (BBS), voltada para a educação executiva, Katherine de Barros conta que perfis no Facebook e no Orkut revelam a personalidade de um profissional, mas a principal ferramenta dos RH de grandes empresas é mesmo o LinkedIn.

 

“O perfil de uma pessoa no LinkedIn passou a ser a sua primeira impressão”, complementa o coordenador do MBA em Gestão Comercial da BBS, Marcelo Assumpção.

 

 

Formada em Pedagogia, Elaine Loureiro, de 34 anos, especializou-se na área de RH e criou um perfil no LinkedIn em 2007. Durante o período em que morou na Espanha para fazer o mestrado, ela manteve contatos profissionais no Brasil por meio do site.

 

“Quando voltei, há dez meses, um de meus contatos me informou sobre uma vaga na Gol. Mandei o currículo e fui contratada em dois dias. Nem cheguei a procurar emprego”, lembra Elaine, que é gerente corporativa de RH. “Fiquei surpresa com a rapidez do processo. As redes facilitaram muito minha vida.”

 

Armadilhas. Mas a vitrine que as redes sociais oferecem podem ter o efeito contrário e acabar prejudicando o candidato a uma vaga. “O RH avalia seu comportamento nas redes sociais como sendo o mesmo da vida real e profissional”, diz o especialista em carreiras Renato Grinberg, do site Trabalhando.com. Por isso, recomenda-se bom senso, principalmente ao divulgar informações e fotos pessoais (ver abaixo).

 

Para o professor de Administração da FGV Marcelo Coutinho, os jovens tendem a encontrar muitas armadilhas em redes como Facebook e Twitter, pois elas privilegiam a postagem de fotos e mensagens. “A reputação é um ativo cada vez mais valorizado pelas empresas. E a maioria dos alunos da graduação ignora isso, porque ainda não foram muito expostos ao mercado de trabalho.”

 

 

O QUE FAZER

 

- Mantenha dados profissionais atualizados; se você não tem nenhuma experiência, fale de projetos de que participou na faculdade

- Participe de comunidades relacionadas a suas áreas de interesse e conecte-se a empresas e profissionais com quem já trabalhou

- Dependendo de sua área profissional, faça um blog para mostrar seu portfólio

- Não esqueça do olho no olho; o networking virtual é só o primeiro passo para o estabelecimento de contatos pessoais

 

O QUE NÃO FAZER

 

- Evite excessos: não pega bem ficar conectado às redes o tempo todo que você passa no trabalho

- Tenha bom senso: não coloque aquelas fotos de suas férias de verão vestindo roupa de praia e segurando uma cerveja

- Lembre-se: o que você escreveu em um blog há dez anos pode ser localizado em uma busca

- Não faça comentários negativos sobre sua empresa, colegas ou o ambiente de trabalho

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