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USP vai punir autores de 'ranking sexual', diz diretor; alunos podem ser expulsos

Diretor da Esalq, onde cartaz foi exposto, diz que punição servirá para mostrar que 'existe repressão firme'

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2015 | 19h00

SÃO PAULO - A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), em Piracicaba, interior de São Paulo, vai punir cinco estudantes apontados como autores de um cartaz que ligava alunas da instituição a críticas sexuais e racistas. O objeto ficou exposto em um espaço interno da Esalq em junho e causou grande repercussão nas redes sociais. 

O diretor da unidade, Luiz Nussio, afirmou nesta quarta-feira, 9, que a sindicância que apurava o fato foi finalizada e que falta apenas o aval da procuradoria-geral da USP para que seja definida a aplicação da punição. De acordo com ele, os alunos podem receber desde uma advertência até uma eventual expulsão. Os acusados terão direito de recorrer.  

O cartaz se dividia em três tópicos: "b** fedida", "teta preta" e "sociedade do anel", dividindo alunas mulheres por estas classificações sexuais, com seus codinomes na universidade. Quando um aluno ingressa na USP, assim como em outras instituições, ele é apelidado pelos veteranos e acaba tendo de usar o nome em festas e outros eventos sociais. A sindicância sobre o episódio, classificado pelo diretor como "deplorável", foi aberta no mesmo mês.

"Não gostamos da ideia de se naturalizar este tipo de ocorrência. Espero que nós possamos punir os responsáveis, para que passem a entender que existe uma repressão firme", disse o diretor em uma audiência pública da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O diretor disse ainda que o caso foi encaminhado ao Ministério Público Estadual. 

Ainda de acordo com Nussio, a sindicância foi a que teve resultado mais rápido na história da Esalq. Só neste ano, foram instaladas 16 apurações internas relacionadas a alunos e funcionários, mas nenhuma foi finalizada até agora. Entre elas está a reabertura - a pedido do reitor Marco Antonio Zago - da investigação de um caso de estupro que ocorreu há 12 anos na universidade.

A Esalq foi uma das unidades da USP que mais recebeu críticas e denúncias durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou casos de violação aos direitos humanos em universidades paulistas, no início deste ano. Dentre os episódios relatados está o de um aluno que disse ter sido envenenado por um produto agrícola e o da aluna que contou ter sido estuprada em uma república. 

A audiência contou com a presença de duas estudantes - Élice Botelho, de 22 anos, e Maryane Andrade, de 21. Em seus discursos, elas afirmaram haver "conivência constante no câmpus"  com ações deste tipo. Relataram ainda que um professor da unidade, que não teve o nome revelado, teria dito em uma aula que a publicação do cartaz é culpa das próprias estudantes. Em resposta, o diretor da Esalq ressaltou que está estudando mudanças na grade curricular da unidade para inclusão de disciplinas que contemplem os direitos humanos. 

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