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Universidade de São Paulo completa 80 anos

USP, Unesp e Unicamp entram em greve nesta terça-feira

Victor Vieira - O Estado de S. Paulo

27 Maio 2014 | 03h 00

Professores e funcionários prometem parar atividades contra proposta de reajuste zero feita pelos reitores; crise financeira é justificativa para índice

SÃO PAULO - Professores, funcionários e alunos da Universidade de São Paulo (USP) entram em greve nesta terça-feira, 27, contra o congelamento de salários das categorias. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e em parte da Universidade Estadual Paulista (Unesp), as três categorias também decidiram cruzar os braços. Na USP e na Unicamp, professores não faziam greve geral desde 2009.

Quase mil representantes das três instituições ainda prometem participar de um ato nesta terça-feira na Assembleia Legislativa, na zona sul da capital, onde haverá audiência sobre a crise nas universidades estaduais. Caravanas também virão dos câmpus do interior para reforçar a mobilização.

Por causa do alto comprometimento das receitas com salários, o conselho de reitores propôs há duas semanas reajuste zero aos docentes e servidores em 2014. A grave situação da USP, que gasta 105% dos repasses com remunerações, foi a que mais pesou na decisão do órgão.

Na Unesp, onde a greve começou já na semana passada, 13 das 34 unidades têm greve parcial de professores e funcionários - Araraquara, Assis, Bauru, Botucatu, Franca, Guará, Ilha Solteira, Jaboticabal, Marília, Presidente Prudente, Rio Claro, São José do Rio Preto e São Paulo. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, as unidades mantêm suas atividades essenciais.

Embora a greve dos funcionários da Unicamp tenha começado na sexta-feira, 23, a instituição afirmou que o funcionamento é normal na maioria das 22 unidades de ensino e pesquisa. Já o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp estima adesão de ao menos 60% da categoria à greve, que a partir de amanhã terá a participação dos docentes. Além de ir à Assembleia à tarde, os grevistas prometem um ato pela manhã em frente ao Conselho Universitário da instituição.Docentes, servidores e alunos da USP decidiram parar nas assembleias gerais, mas cada unidade ainda discute sua adesão ao movimento.

Pressão. "Queremos ocupar a Assembleia para pedir mais verbas para as universidades estaduais", afirmou o presidente da Associação de Docentes da USP (Adusp), Ciro Correia. No Legislativo a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT), de oposição ao governo do Estado (PSDB), também coleta assinaturas para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue a crise na USP.

O estudante Camilo Martins, do Diretório Central dos Estudantes da USP, acredita que a mobilização é uma oportunidade de discutir problemas da universidade além dos salários. "Essa crise foi criada a partir da irresponsabilidade de algumas gestões", afirmou ele, aluno do curso de História.

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