USP incentiva produção de material didático para graduação e promete liberar na internet

Programa financia desde equipamentos para a aula até vídeos, entre outros recursos

Portal USP,

04 Janeiro 2013 | 21h36

Ciência, pesquisa e... graduação. No mundo acadêmico, com frequência as duas primeiras são vistas como prioridades. Elas dão prestígio, visibilidade, prêmios, e isso pode ser muito bom. Já a graduação, embora seja a “alma da universidade”, muitas vezes acaba ficando restrita. É para ajudar a equilibrar esses elementos e suprir a carência de material em sala de aula que a Pró-Reitoria de Graduação da USP lançou edital para o Programa Pró-Ensino, que incentiva docentes e alunos a produzir materiais didáticos para a graduação.

 

A pró-reitora de Graduação, Telma Zorn, diz que vem fazendo um esforço para aproximar a pesquisa da graduação. “A pesquisa sozinha, dentro da universidade, perde o sentido. Ela cria conhecimento, mas a ciência isolada só deve ocorrer em institutos de pesquisa, como o Butantã e o Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares). Na universidade, essa pesquisa tem de se reverter na formação de futuros docentes”, afirma.

 

O Pró-Ensino possui um orçamento de R$ 2,5 milhões – no máximo R$ 150 mil para cada unidade, que poderá participar com até três projetos – para financiar docentes que queiram produzir materiais especiais para as aulas. Mas esses docentes não estão sozinhos. O programa fornece também até duas bolsas para alunos trabalharem como coautores dos projetos.

 

Os bolsistas recebem ainda benefícios curriculares com o programa, como o acréscimo de horas de Atividades Acadêmico Culturais e Científicas, para quem cursa licenciatura, ou atribuições de créditos em atividades programadas para os alunos de bacharelado.

 

A pró-reitora explica que por “materiais didáticos especiais” entendem-se inúmeras produções, que vão depender da área a que estão relacionadas. “Pode ser metodologia de ensino, construção de equipamentos para a aula, mapas, softwares, programas de televisão, vídeos, filmes de trabalhos de campo.”

 

Professora do Instituo de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, Telma Zorn explica como seria bom, por exemplo, formar uma videoteca de filmes científicos para aulas práticas com animais. “É um instrumento de ensino extraordinário, porque pode ser usando durante anos e não precisa sacrificar o animal toda hora, quando não há necessidade para aquele processo”, afirma.

 

A única exceção de material que não pode ser financiado são livros didáticos. Isso porque, segundo Telma, se fosse estabelecida uma parceria com a Editora da USP, a Edusp, seria necessário ainda criar uma equipe focada em livros didáticos, um corpo editoral que analisasse a qualidade dos livros produzidos, equipe que a Edusp não possui atualmente.

 

O primeiro edital do Pró-Ensino já está encerrado e os inscritos, produzindo. Mas a Pró-Reitoria começa a se preocupar também em como compartilhar o conhecimento que será gerado.

 

Tradicionalmente os resultados de programas são divulgados através de simpósios e congressos, como ocorre com o Programa de Iniciação Científica (Pibic) da Pró-Reitoria de Pesquisa. Mas a Pró-Reitoria de Graduação pensou que seria mais inovador se fosse construído um portal onde os resultados de seus programas estivessem disponíveis não só para a comunidade USP, mas para todos que desejem ter acesso.

 

“Por enquanto, vamos trabalhar só com o que foi feito por meio do Programa Ensinar com Pesquisa entre 2010 e 2011. Quando o Pró-Ensino começar a dar frutos ele também vai poder ser acessado online”, diz Telma. Em parceria com a Superintendência de Tecnologia da Informação da USP, serão publicados no site da Pró-Reitoria de Graduação cerca de 42 projetos, os melhores de cada Unidade. A previsão é que o portal esteja no ar em março.

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