USP estuda adotar nome social de alunos nas listas de presença

Mensagem enviada a alunos diz que medida seria adotada no dia 7 de novembro; USP diz que aviso foi um erro do sistema

Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S. Paulo

14 Novembro 2014 | 22h18

SÃO PAULO - A Universidade de São Paulo (USP) estuda se vai adotar o nome social de alunos travestis e transexuais nos registros acadêmicos internos da instituição, como as listas de presença, o resumo escolar e os documentos de comprovação de matrícula.

No dia 7 de novembro, um aviso interno foi enviado pelo Serviço de Apoio à Graduação aos estudantes explicando que o nome social seria adotado pela universidade já a partir daquela data. A mensagem indica que, nas listas em ordem alfabética, a universidade consideraria o nome escolhido pelos alunos. A reprodução do aviso foi gravada pelos estudantes e publicada no perfil do Diretório Central dos Estudantes (DCE) no Facebook.

A assessoria de imprensa da universidade, no entanto, afirma que a mensagem estava sendo testada no sistema da universidade e que uma falha fez com que ela aparecesse aos estudantes. A assessoria informou que a USP está estudando se vai passar a adotar o nome social e que uma definição sobre o assunto deve sair até o fim do ano. A universidade informou que vai retirar a mensagem do ar.

Para a diretoria do DCE, a universidade retrocedeu em sua posição. "A gente acha que é um grave retrocesso, uma opção política da universidade que mostra o caráter conservador dos dirigentes da USP e uma falta de democracia, porque não se mostra disposta a atender uma demanda dos setores oprimidos da universidade", afirma Camilo Martin, diretor do DCE.

Martin afirma que há um "descompasso da USP em relação a outros órgãos do governo” que já adotaram o nome social. "Não há qualquer razão para não optar pelo nome social. Essa demanda é antiga e foi pautada, por exemplo, no encontro LGBT da USP neste ano." Ele diz que o DCE vai se organizar com o movimento dos estudantes e o movimento LGBT da universidade para reivindicar que o nome social seja adotado em toda a universidade.

Mais conteúdo sobre:
SP USP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.