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Universidade de São Paulo completa 80 anos

USP abre sindicância para investigar aumento nos gastos com salários

Victor Vieira - O Estado de S. Paulo

03 Junho 2014 | 16h 37

Auditoria externa também será contratada para revisar as contas da última gestão, comandada pelo ex-reitor João Grandino Rodas

Atualizada às 20h52

SÃO PAULO - A Universidade de São Paulo (USP) contratará uma auditoria externa para investigar o aumento nos gastos da instituição com salários entre 2009 e 2014. A reitoria também instalou sindicância para apurar as contas da última gestão. O ex-reitor João Grandino Rodas disse que não vai se manifestar.

A decisão foi anunciada nesta terça-feira, 3, pelo reitor Marco Antonio Zago, durante reunião do Conselho Universitário, órgão máximo da instituição. Embora não seja a primeira auditoria externa da universidade, a medida é tomada em situação extraordinária, pois a instituição passa por controle interno e do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em crise financeira, a USP gasta hoje 105% das receitas com salários de docentes e funcionários. 

O nível de comprometimento das contas já fez a universidade cortar 30% dos gastos com custeio e investimentos e congelar os salários de professores e servidores neste ano - decisão em conjunto com as outras estaduais, Unesp e Unicamp. Por causa disso, os trabalhadores estão em greve.

Embora fosse pró-reitor de Pesquisa da última gestão, Zago afirma que o descontrole orçamentário não foi informado pelo ex-reitor a todos os integrantes da administração e do Conselho Universitário. Durante a campanha eleitoral para a reitoria, Rodas foi apontado como centralizador e pouco transparente - crítica que apareceu pouco nos anos anteriores. O alto gasto com salários já constava no orçamento de 2013, quando a previsão de comprometimento com a folha era de 93% do total, conforme o Estado revelou em janeiro do ano passado. 

Ainda não há data para abertura de licitação nem os detalhes referentes à contratação da auditoria. Já a sindicância será formada por três professores da própria USP, que tem 60 dias para concluir os trabalhos - mas o prazo pode ser prorrogado. Após o resultado da sindicância, o grupo pode abrir processo administrativo disciplinar, cuja pena máxima é a demissão dos professores ou servidores. Além de Rodas, outros integrantes da antiga reitoria podem ser ouvidos na sindicância.

Para Zago, a auditoria também será uma oportunidade de provar que ele não tinha acesso às contas da universidade na gestão passada. “Não é com esse objetivo (que a auditoria foi pedida), mas fará isso. Eram decisões em que não houve obrigação de o Conselho Universitário se manifestar”, afirmou o reitor ao Estado “Será mostrado como funcionavam os mecanismos de decisão”, afirmou.

Sob cobrança por mais transparência e controle independente, Zago tem divulgado informes periódicos sobre as contas da USP. “Examinar externamente as contas não deve ser visto como algo excepcional”, disse. “Se cobravam isso, a universidade deve fazer.” O TCE realiza auditorias sobre as contas anuais da universidade, mas somente após os exercícios. As contas dos dois últimos anos analisados - 2008 e 2011 - foram rejeitadas pela Corte.

Apuração. O diretor da Faculdade de Direito da USP, José Rogério Tucci, elogiou a iniciativa. “É um dever e uma forma de precaução. Se o reitor não tem essa postura de investigar poderia sofrer até uma ação de improbidade administrativa por omissão”, apontou.

Para Sigismundo Bialoskorski Neto, diretor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, a crise reflete a necessidade de profissionalizar a gestão da universidade. “Quem ocupa cargos administrativos nem sempre está preparado para a função”, argumenta. “Esse não é um problema só da USP, mas da administração pública”, disse.

Já na opinião do presidente da Associação de Docentes da USP, Ciro Correia, é preciso dar mais transparência ao processo de apuração de gastos. “A USP deve tornar pública toda a base documental da auditoria”, defende. O sucesso da apuração, segundo ele, também dependerá da pressão da comunidade acadêmica. “E se não houver transparência surgirá outra vez a desconfiança”, completou./ COLABORARAM BÁRBARA FERREIRA SANTOS e PAULO SALDAÑA

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