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Universidades estrangeiras ficam mais seletivas em acesso para MBA

Guilherme Soares Dias e Victor Vieira - Estadão.edu

25 Fevereiro 2014 | 03h 00

Processo passa a incluir dinâmicas de grupo e envio de vídeos

SÃO PAULO - A receita para ingressar em MBAs de universidades estrangeiras ganhou um tempero extra nos últimos anos. Além dos tradicionais essays (redações), carta de recomendação e do Graduate Management Admission Test (GMAT), que mede conhecimentos em matemática e inglês, os processos seletivos de algumas escolas agora são compostos por dinâmicas de grupo, envio de vídeos e apresentação em Power Point ou Prezi. Parte dos candidatos aposta até em expressões bastante pessoais, como músicas ou textos ficcionais da própria autoria.

As novas etapas dão mais personalidade ao processo e, segundo consultores e candidatos, exigem que o concorrente mostre quem realmente é, evitando que molde seu discurso apenas para a seleção. As mudanças também denotam que o poder e a habilidade de comunicação nunca estiveram tão em voga como critério para seleção.

"O candidato precisa ter articulação, se expressar, perguntar, se engajar em discussões, ler e ouvir muito", diz Paulo César Moraes de Oliveira, consultor da Philadelphia Consulting, consultoria especializada no processo de admissão para MBAs.

O leque multimídia como etapa da seleção teve a Universidade de Nova York como uma das pioneiras que, anos depois, ganhou a companhia de instituições renomadas como Chigaco Booth e Kellog, todas nos Estados Unidos. "Na era das mídias sociais, as universidades se viram forçadas a popularizar os processos", explica Marcelo Ambrózio, diretor da MBA House, que prepara para cursos no exterior. Ele destaca, porém, que os elementos tradicionais do processo continuam tendo um peso maior. "O uso das mídias sociais mede soft skills (habilidades sociais e de relacionamento), mas as redações e o GMAT ainda são as partes mais importantes", defende.

O empresário Guilherme Serrano, de 30 anos, (foto abaixo) se inscreveu para concorrer ao MBA da Universidade de Kellog no ano passado. Uma das fases pedia um vídeo de um minuto na internet sobre um tema escolhido pela instituição. Depois que o tema é revelado, o candidato tem poucos segundos para pensar e gravar o material. O sistema permite apenas três tentativas. "Mas me disseram que é recomendável enviar a primeira versão, a não ser que haja um erro técnico grave", afirma.

Crédito: Erica Dezzone/ Estadão

Serrano, que comanda uma rede de confecção de roupas em Campinas, diz que a experiência com a câmera foi positiva. "Para quem é fluente em inglês, não há dificuldades. Não treinei porque percebi que eles desejavam espontaneidade", conta. Escolhido pela Universidade Duke, onde começa a estudar em julho, Serrano elogia a proposta de inovação nos processos seletivos, por privilegiar competências como criatividade e improviso, e recomenda que os concorrentes evitem exageros. "Quem tenta forçar a barra, parecer um super-herói dos negócios, não é aceito."

Debate aberto. Também ganhou força nas universidades americanas o uso de dinâmicas de grupo, que reúnem de cinco a dez candidatos para uma atividade conjunta de discussão de ideias e apresentação de conclusões sobre o assunto. "É um forma de testar os concorrentes para os diversos trabalhos em grupo que serão realizados durante o curso", lembra Darrin Kerr, sócio da FK Partners, empresa de treinamento para seleção em universidades estrangeiras.

Durante esse tipo de dinâmica, o sócio da FK orienta que o candidato não seja muito agressivo. "Se tentar falar muito mais do que outros não vai dar boa impressão, assim como quem fica muito quieto. As universidades buscam pessoas que tentam incluir outros no grupo. Mostram opinião, mas também ouvem", avalia.

A dinâmica de grupo, segundo Paulo Oliveira, da Philadelphia Consulting, faz a maturidade do candidato vir à tona. "É uma ferramenta para ver a veracidade do perfil do candidato. Até damos orientações, treinamos, mas ele não consegue se preparar tanto. Após escrever essays bonitos, é o momento de mostrar quem é", defende. Entre as instituições que já adotam essa prática estão Wharton, Universidade de Michigan, Texas McCombs School of Business, todas nos Estados Unidos, e IMD, na Suécia. "Essas mudanças devem continuar e chegar a outras universidades", afirma Kerr.

A acadêmica Suzana Yamamoto, de 30 anos, (foto abaixo) fez a seleção para Wharton em julho de 2013 e está cursando o primeiro ano de MBA. Ela participou da primeira dinâmica de grupo realizada pela universidade. "É um jeito de conhecer como o candidato reage, como trabalha com outras pessoas", diz. A universidade envia previamente o assunto que será discutido. "Eu me preparei com consultor, estudei o assunto e cheguei a fazer uma simulação da dinâmica", conta.

Crédito: divulgação

Segundo Suzana, apesar de todos os candidatos serem fortes, só 40% dos participantes da atividade seriam selecionados. "Não é dinâmica de trainee, em que um fala mais que o outro. É um espírito colaborativo. Foi bacana porque é algo que usamos no dia a dia", afirma Suzana, formada em Ciências Contábeis pela Universidade de São Paulo (USP). Após a etapa em grupo, ela passou por 15 minutos de entrevista individual. "É pouco tempo. Foi uma entrevista de tema aberto em que tinha de dizer como me transformei na pessoa que sou hoje", conta.

Expectativa. Para o acadêmico Tiago Morelli, de 30 anos, que também cursa MBA em Wharton, a dinâmica de grupo avalia como o concorrente lida com conflitos. "É difícil ficar 2h30, 3 horas fingindo algo que não é." Ele fez dez processos seletivos de MBA em diferentes universidades em 2013 e passou em sete. "Você geralmente concorre com quem tem o mesmo perfil, latino-americanos, com formação e/ou trajetória parecida", diz.

Morelli afirma que as novas etapas são mais fáceis do que os essays e as tradicionais entrevistas, porém mais trabalhosas. "São mais enriquecedoras porque você pensa e fala sobre você", diz. Para a vaga do MIT, Morelli produziu um vídeo de um minuto sobre sua vida pessoal. "Falei sobre minha vida, minha família e deixei questões profissionais, que já estavam nos essays, mais de lado."

Nem Harvard ficou fora da onda de transformações: reduziu os quatro essays exigidos para dois e, agora, a apenas um. "No ano passado já foram seis. Em 2014 há expectativa de mais uma inovação", diz Oliveira, da Philadelphia Consulting.

Questões de lógica. O Graduate Management Admission Test (Gmat), exame usado na admissão para MBAs em universidades estrangeiras, também se transformou a partir de junho de 2012. O conselho responsável pela prova, que mede conhecimentos em matemática e inglês, decidiu acrescentar a seção de raciocínio integrado, para avaliar como os candidatos lidam com desafios complexos e tomam decisões nos ambientes de negócios. As questões de raciocínio integrado demandam capacidades diversas de interpretação – com gráficos, tabelas e planilhas – e evitam privilegiar apenas quem decora fórmulas. A nova seção substituiu dois testes de escrita analítica e não houve mudança na duração total da avaliação.

Foco em negócios. Mesmo para quem já está no mundo dos negócios, a diferença entre MBAs e outros tipos de pós-graduação é motivo de dúvidas. O Master of Business Administration, significado da sigla, é um curso voltado principalmente a executivos, que discute questões da prática profissional de negócios e gestão. Diferente das especializações, mestrados e doutorados tradicionais, os MBAs brasileiros não são monitorados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação responsável por avaliar as pós no País.

Antes de escolher um MBA, vale a pena pesquisar o currículo oferecido e sua aceitação no mercado e nos órgãos certificadores de qualidade, bastante comuns no exterior. No Brasil, a Associação Nacional de MBA (Anamba) credencia cursos, desde 2004, com base em critérios como carga horária, currículo e formação do corpo docente.

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