Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Universidades do Reino Unido e dos EUA dão 'reforço' de inglês para brasileiros

Programas ajudam alunos que atingem nota no teste de proficiência, mas não têm fluência

Bárbara Ferreira Santos, Estadão.edu

29 Julho 2014 | 03h00

Apesar de ter nota alta nos exames de proficiência em inglês, como o Toefl e o Ielts, o brasileiro que chega às universidades americanas e britânicas pode enfrentar dificuldades no idioma estrangeiro - o vocabulário é escasso, há dúvidas gramaticais e as teses acadêmicas carecem de coesão. E essas dificuldades podem ser percebidas apenas no contato diário com os estudantes locais. 

O que poucas pessoas sabem é que as principais universidades dos EUA e do Reino Unido, preparadas para receber alunos internacionais, contam com programas de reforço tanto para a conversação quanto para melhorar os textos acadêmicos. Por isso, quem atingiu a nota mínima no Toefl ou no Ielts exigida pelas universidades não deve temer a falta de fluência.

Em Harvard - uma das universidades mais bem colocadas em rankings de todo o mundo -, antes de entrar na graduação, o calouro tem de fazer uma prova online, de uma hora. Nas primeiras aulas, com base na nota, o aluno é enviado para uma disciplina de Escrita Expositiva (tradução literal para Expository Writing). Os mais fluentes, independentemente da nacionalidade, fazem um semestre do curso e iniciam outro de nível avançado. Os que têm mais dificuldade na escrita - mesmo se forem nativos de países de língua inglesa - fazem dois semestres. 

O câmpus conta ainda com um Centro de Escrita, com tutores que ajudam nos textos da graduação, e uma assessoria de estudos, o Bureau of Study Counsel, que oferece aulas particulares. 

Mesmo falando francês, crioulo e inglês fluentemente, a haitiana Stephanie Charles, de 23 anos, procurou o Centro de Escrita no início do curso para discutir um trabalho. “Vamos para lá espontaneamente quando precisamos de auxílio em um texto, na forma de escrever. Lá, recebemos feedback sobre a composição, vemos novos pontos de vista.” 

Classificação. No Massachusetts Institute of Technology (MIT), os calouros também fazem uma prova de inglês e são classificados. Quem é fluente pode optar pela disciplina que quiser; quem tem um bom nível do idioma precisa de cursos complementares para melhorá-lo; e quem não tem fluência deve fazer um curso de escrita em inglês para bilíngues. 

Foi o caso da empresária brasileira Bel Pesce, de 26 anos. Ela assistiu às aulas de Escrita Expositiva, mas foi o contato com os colegas e a vida no câmpus que a proporcionaram fluência. “Independentemente de onde você venha, não tem como não ficar fluente lá.”

Na Universidade Yale há programas voltados para melhorar a habilidade no idioma. “O objetivo do Programa de Língua Inglesa, do Instituto de Inglês e do escritório de internacionalização, é ajudar a aclimatar e ajustar rápido os estudantes em suas novas vidas”, diz Shana Schneider, diretora de Comunicação do escritório de Relações Internacionais de Yale. 

Experiência. Essa é a mesma preocupação da equipe da Universidade de Salford, na Inglaterra. Lá, são oferecidos cursos de proficiência em inglês. “Apesar de alcançarem o nível mínimo do inglês, nossos alunos ainda acham necessário aprofundar-se no estudo da língua para adquirir experiência em conversação e nos jargões da área de negócios”, afirma o reitor da universidade, Martin Hall.

Pós-graduação.Quem já terminou a graduação e deseja fazer uma pós no exterior, mas ainda não tem o domínio de um inglês acadêmico e não sabe qual curso escolher, pode optar por um pré-master ou pré-MBA em universidades ou escolas de idiomas. Além das aulas de inglês, esses cursos oferecem matérias da área na qual o estudante quer fazer a pós-graduação. Também fornecem um sistema de tutoria, para ajudar o estudante a separar a documentação necessária. 

No Reino Unido essa modalidade de curso é comum - universidades renomadas como Oxford e o King’s College London possuem cursos preparatórios. Escolas de inglês também oferecem essas aulas. 

Com o objetivo de fazer uma pós-graduação em Marketing na Inglaterra, a turismóloga Andressa Munhoz, de 24 anos, vai fazer a partir de janeiro de 2015 um curso pré-master em uma escola da Education First em Londres. Por seis meses de curso, ela vai pagar cerca de US$ 21 mil - o preço inclui acomodação em casa de família e refeição. “Eu acredito que esse investimento vale a pena porque, sem uma preparação, é difícil entrar na pós.” 

Foi trabalhando em um hotel nos Emirados Árabes, em 2011, que Andressa viu a necessidade de melhorar o inglês antes de entrar na pós-graduação. “Agora, vou fazer aulas específicas para chegar à proficiência que as universidades exigem”, conta. 

Créditos. A Universidade de Northeastern, nos EUA, oferece um pré-MBA em Negócios no qual o aluno pode fazer 5 das 20 disciplinas que compõem o MBA completo e ainda utilizar esses créditos depois em outra pós. O curso preparatório sai por US$ 21 mil e tem duração de oito meses. Já o MBA inteiro tem, em média, dois anos e custa US$ 83 mil. Para entrar no preparatório não é preciso ter Toefl nem Gmat (prova de aptidão lógica e verbal em inglês). 

Formada em Publicidade pela ESPM do Rio, Bruna Valentim Machado, de 22 anos, optou pelo curso. “Queria uma especialização boa e mais rápida para não ficar tanto tempo fora do trabalho.” 

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