HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Universidades de cinco países juntas em um super MBA

Administrada no Brasil pela FGV, a iniciativa faz 15 anos trabalhando habilidades sociais e psicológicas de executivos em altos cargos

Gustavo Zucchi, Especial para O Estado

12 Dezembro 2017 | 05h00

Há 15 anos um curso de MBA no Brasil tem atraído um público diferente. Não apenas profissionais que necessitam de uma visão mais ampla que os ajude nos desafios de gestão, mas executivos, muitas vezes já com altos cargos em grandes empresas e até mesmo estrangeiros. O OneMBA, administrado no País pela Fundação Getulio Vargas (FGV), reúne mais quatro universidades: The Chinese University of Hong Kong (China), RSM Erasmus University (Holanda), Tecnológico de Monterrey (México) e The University of North Carolina at Chapel Hill (Estados Unidos). Juntas elas oferecem um curso integrado, que não apenas leva ao longo da grade os alunos para conhecerem diversos países e entenderem os desafios únicos de realidades diferentes, mas os força a trabalharem em projetos conjuntos.

Um dos estrangeiros atraídos para os bancos das salas de aula da FGV foi Li Yinsheng. Chinês, ele é o CEO da China Three Gorges Corporation (CTG) para o Brasil, grupo que concentra suas operações em hidrelétricas de grande porte. Yinsheng está na turma que se forma em 2018 no OneMBA. Com um currículo invejável, o que o levou a fazer o curso, inicialmente, foi a possibilidade de trabalhar com as equipes globais e conhecer as necessidades e os desafios empresariais de diversos países.

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24 nacionalidades. “Estou gostando de trabalhar com pessoas de países diversos. Temos 24 nacionalidades no curso (nas cinco universidades)”, explica o executivo. “E é muito estimulante e interessante interagir com pessoas com histórias tão diversas de países tão diferentes”, afirma.

Com isso, Yinsheng terá de trabalhar, por exemplo, com Uwa Okonkwo, um dos alunosdo OneMBA em Roterdã, na Holanda. Gerente de operações na HERE Technologies, ele é parte dinamarquês, parte nigeriano, nascido na Europa e criado na África. 

“Minhas experiências com o Brasil têm sido muito positivas”, conta Okonkwo. Assim como Li Yinsheng, o que o atraiu para o curso foi a possibilidade de trabalhar com executivos de diversas nacionalidades e discutir em uma perspectiva mais internacional os desafios de se atuar em uma economia globalizada. “Aprendi, por exemplo, que para fazer negócios no Brasil é necessário ter conhecimento dos complexos cenários fiscal e trabalhista. Aí o valor de conselhos e conhecimentos locais não pode ser subestimado”, diz Okonkwo.

“O que a gente busca é desenvolver nos alunos mais do que a capacidade técnica. Queremos também evoluir as habilidades sociais e psicológicas”, explica o professor coordenador do OneMBA no Brasil, Jorge Manoel Teixeira Carneiro. “Sociais para entender os desafios das populações locais e fazer negócios em países diferentes. Psicológicas para lidar com diferentes modelos de pensamento, diferentes perspectivas de mundo, diferentes formas de julgar sucessos”, afirma o coordenador.

Carneiro explica que, apesar da intensa rotina de estudos e de trabalhos, é importante que se fortaleçam as interações entre os estudantes e exista um contato direto com a população do país visitado. Por exemplo, quando as turmas do exterior vieram para o Brasil, elas foram levadas para conhecer uma escola de samba em São Paulo.

“Quanto mais diversidade, mais eles são desafiados para lidar com incertezas, visões de mundo diferentes, desenvolverem habilidades de negociação, convencimento, tudo isso é aceitação do diferente. E aprendem a tomar decisões sem ter plena certeza de que aquele é o único caminho.” 

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Inclusão feminina. Outra característica do OneMBA é a quantidade de mulheres presentes no curso voltado para CEOs. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), elas são apenas 10% nos comitês executivos das grandes empresas do País, mas na sala de aula desse curso são um terço.

Uma das alunas é Aline Amorim Ribeiro, gerente de negócios do Grupo Fleury. Médica de formação, ela acabou fazendo a transição para o setor corporativo da empresa e busca no OneMBA o conhecimento para continuar a crescer.

“O curso parece atender às expectativas que eu tinha em relação às minhas necessidades do trabalho”, diz Aline. “Colegas, amigos do meu chefe, já tinham feito e me recomendaram, achando que seria pertinente para a minha carreira. Toda essa experiência global é muito rica. Passar uma semana em cada um dos locais permite que você vá mais a fundo na cultura, na política, na macroeconomia”, relata. 

“As mulheres se formam como os homens e é injustificável que elas não assumam na mesma proporção posições de liderança. Um terço no nosso curso já é bem mais do que a maioria das empresas tem como líderes, mas ainda é pouco. Queremos 50% ou próximo disso”, afirma Carneiro.

Exigências. Não é qualquer um que consegue entrar no OneMba. É necessário, por exemplo, ter uma experiência mínima no mercado de trabalho de sete anos. O inglês também é fundamental. Todas as aulas, independentemente do país, são administradas nessa língua. Com isso a média de experiência das turmas é de 14 anos e de idade, de 39 anos.

Além disso, há entrevista com o coordenador do curso e outros dois professores, além da análise de currículo. “É um curso exigente. Nos primeiros meses, eles ficam desesperados com a quantidade de leituras. Mas isso é parte do desafio que é aprender a priorizar”, completa Carneiro.

 

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