'Universidade do futuro' desafia alunos a impactar vida de 1 bilhão de pessoas

Dirigentes da Singularity University vieram a SP para atrair estudantes no ciclo Grandes Universidades

Estadão.edu,

16 Março 2012 | 03h45

Depois das veteranas Harvard e Yale, o ciclo Grandes Universidades, realizado pela Fundação Estudar com apoio do Estadão.edu, apresentou ao público brasileiro uma instituição caloura e pouco conhecida por aqui, a Singularity University.  Na noite de quinta-feira, 15, dirigentes da SU explicaram, em São Paulo, a filosofia de desafiar alunos a usar tecnologia de ponta para resolver grandes desafios da humanidade, como a escassez de água e energia. O evento ocorreu no Colégio Dante Alighieri, nos Jardins, zona sul.

 

Criada em setembro de 2008 com o conceito de “universidade do futuro”, a SU funciona em instalações da Nasa em Mountain View, Califórnia, no coração do Vale do Silício. Entre seus financiadores estão gigantes como Google e Nokia. Com 8 professores fixos e 150 convidados, a universidade tem três tipos de curso: o Programa Executivo, de nove dias de duração, o FutureMed+, de seis dias, e o Graduate Studies Program (GSP), de três meses. Neste último, para obter o diploma, o aluno precisa apresentar um projeto que melhore a vida de 1 bilhão de pessoas nos próximos dez anos.

 

A apresentação foi conduzida pelo CEO da Singularity, Rob Nail, engenheiro de 38 anos formado pela Universidade da Califórnia em Davis e pós-graduado em Stanford. "Mas eu também sou um geek", fez questão de afirmar. Típico empreendedor do Vale do Silício, Nail já fundou uma empresa de biotecnologia e uma fabricante de produtos para atividades ao ar livre. Além da SU, dirige uma firma que desenha produtos esportivos. Nas horas vagas, surfa.

 

Nail disse que a procura pelas 80 vagas no GSP saltou de 1,2 mil para 2,2 mil candidatos em três anos. A universidade aceita inscrições pelo site (http://singularityu.org/) ou por meio de programas como o Call to Innovation, que vai oferecer uma bolsa de estudos para o GSP nos EUA. O concurso é promovido pela Fiap, faculdade dedicada à tecnologia da informação que firmou parceria acadêmica com a SU.

 

Já o indiano Vivek Wadhwa, vice-presidente acadêmico e de Inovação da Singularity, deu uma conferência sobre o estado atual do empreendedorismo no Vale do Silício em comparação com Índia e China. Segundo ele, inovar ficou mais fácil com o advento da internet. "Hoje em dia uma criança de oito anos, brasileira, tem acesso às mesmas informações que o presidente dos Estados Unidos", disse Vivek. "Fazer graduação e mestrado é importante, mas é preciso correr atrás do conhecimento disponível online nos sites de algumas universidades."

 

Também estiveram no evento o ex-astronauta Dan Barry, co-diretor da cadeira de Robótica da SU, e Andrew Hessel, professor de Biotecnologia e Bioinformática.

 

Para a diretora executiva da Fundação Estudar, Thais Junqueira, o perfil inovador e provocador da Singularity ajudou a reforçar o objetivo do ciclo Grandes Universidades de pôr em pauta a internacionalização do ensino. Na próxima semana, virão ao Brasil os dirigentes de Columbia.

 

Alumni

 

O evento terminou com um painel de discussão sobre a experiência de estudar na Singularity. Participaram do bate-papo Everson Lopes (diretor de Desenvolvimento do IdeiasNet), Sylvio Barros Netto (fundador e diretor do iCarros) e Walter Longo (mentor de Estratégia e Inovação do Grupo Newcomm). Na conversa, mediada pelo jornalista do Estado Renato Cruz, os ex-alunos falaram da influência da universidade na formação acadêmica, pessoal e profissional.

 

Everson estudou com 78 pessoas de 35 países na SU. Com mais dois colegas do GSP, montou seu projeto para impactar 1 bilhão de pessoas: uma empresa de biotecnologia que recupera lixo eletrônico. Ele voltou ao Brasil, mas a firma continua. Recebeu aportes financeiros generosos, inclusive do ex-vice-presidente americano e Nobel da Paz, Al Gore.

 

"Chegamos ao fim do curso com uma responsabilidade muito grande: alguns dos caras mais brilhantes do mundo me disseram que eu teria de criar um projeto que impactasse 1 bilhão de pessoas", contou Everson.

 

Sylvio, ex-aluno do Programa Executivo, afirmou que o curso lhe ajudou a descobrir a "natureza" de seu negócio - os portais iCarros facilitam a compra e a venda de veículos.

 

Já o executivo Walter Longo disse que se surpreendeu em encontrar "gente otimista" no mundo. "O curso me deu uma injeção de motivação e ânimo. A gente sai de lá convicto de que nunca o homem teve tanta chance de mudar o mundo como agora."

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