Universidade da Califórnia abre escritório em SP para atrair alunos brasileiros

Instituição também quer ampliar a colaboração entre pesquisadores daqui e de lá

Carlos Lordelo, do Estadão.edu,

26 Fevereiro 2013 | 03h09

A Universidade do Sul da Califórnia (USC) inaugura nesta terça-feira, 26, em São Paulo, seu primeiro escritório na América Latina. A instituição, particular, quer melhorar o recrutamento de estudantes brasileiros da graduação e da pós e ampliar a colaboração entre pesquisadores daqui e de lá.

 

Ao Estadão.edu, o presidente da USC, Max Nikias, disse com orgulho que a universidade é a "mais internacional" dos Estados Unidos. "Temos alunos de 115 nações diferentes. Nossos câmpus são um microcosmo de como é o mundo lá fora", afirmou em entrevista por telefone na semana passada.

 

A alta cúpula da instituição desembarcou no Brasil no fim de semana. Além de Nikias, vieram participar do lançamento do escritório o presidente do Board of Trustees (espécie de Conselho de Administração), o reitor da Escola de Políticas Públicas e o vice-presidente de Iniciativas Globais da universidade.

 

Nascido no Chipre mas naturalizado americano em 1988, Nikias, de 60 anos, fez carreira acadêmica na área de Engenharia Elétrica. Concluiu a graduação na Universidade Técnica Nacional de Atenas e ganhou bolsa integral para cursar mestrado e doutorado na Universidade Estadual de Nova York, em Buffalo. "Dividia o escritório com dois brasileiros, professores da Universidade Federal do Espírito Santo", contou.

 

Confira abaixo trechos da entrevista concedida pelo dirigente da USC, que ficou no 56.º lugar no último ranking de melhores universidades do mundo elaborado pela revista britânica Times Higher Education:

 

Por que a USC está vindo para o Brasil?

São vários os motivos. O mais importante deles é que, em primeiro lugar, somos uma universidade internacional, apesar de sediada apenas em Los Angeles. Temos o maior número de alunos estrangeiros matriculados numa universidade americana. Também já estamos com uma presença forte no Pacífico e na Índia. Chegamos ao Brasil num momento em que cresce a importância do país na economia global. Queremos estreitar laços.

 

Quando começaram a planejar a abertura do escritório?

Temos discutido isso internamente há dois anos. Felizmente no nosso quadro de professores há alguns brasileiros, o que nos ajudou no planejamento.

 

Pretendem ir para outros países da América Latina?

Não. Por enquanto nossos planos se restringem ao Brasil.

 

Onde a USC já tem escritórios?

Temos escritórios, por exemplo, na Coreia do Sul, na China (Pequim, Xangai e Hong Kong) e na Índia (Mumbai, Nova Délhi e Bangalore). São como embaixadas da USC e que têm o objetivo principal de apoiar nossas parcerias com universidades locais para o intercâmbio de alunos e professores e relações com ex-alunos. Descobrimos que no Brasil há pelo menos 500 ex-alunos nossos (entre eles o cineasta Walter Salles). E também queremos recrutar alunos brasileiros. Temos várias bolsas de estudo para programas de mestrado e doutorado. Também buscamos alunos da graduação.

 

Com quais instituições brasileiras vocês já estão negociando?

Já temos uma parceria com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e vamos assinar acordos com a USP para o intercâmbio de professores e também para desenvolver projetos conjuntos nas áreas de ciências e cultura. E também queremos fazer experimentos na área da educação online. Na USC, estamos experimentando um modelo em que você pode ter alunos em três diferentes partes do mundo que se encontram numa sala de aula virtual com um professor. Chamamos isso de iPodia Experiment, e a USP vai participar a partir de agora.

 

Fale um pouco mais sobre a experiência da USC com a educação online.

Temos mais de 5,5 mil alunos de todos os Estados Unidos e de outras partes do mundo matriculados em nossos cursos online de pós-graduação e educação executiva. Vamos convidar a USP e outras universidades para serem nossas parceiras na educação online. Poderemos fazer coisas juntas. Nossa ênfase será na pós, mas também poderá haver alguns cursos no nível da graduação.

 

Como será a estrutura do escritório no Brasil?

Vamos ter uma equipe focada em nos ajudar a fechar colaborações e parcerias com entidades governamentais e universidades. Eles também visitarão escolas de ensino médio para promover a universidade, além de ajudar na área de relações com ex-alunos.

 

Quantos alunos brasileiros vocês têm hoje?

São 49, sendo que no ano passado eram 35. Na graduação e na pós. Estão fazendo o curso inteiro aqui.

 

Como é o processo de admissão de alunos estrangeiros na graduação?

É muito competitivo. Recebemos 48 mil pedidos (applications) para 2,7 mil vagas de calouros. Por outro lado, pelo menos para as novas turmas, queremos que cada classe seja composta por 15% de estrangeiros.

 

Vocês também recebem bolsistas do programa Ciência sem Fronteiras. Qual sua opinião sobre esta iniciativa do governo brasileiro, de promover o intercâmbio de estudantes universitários?

É uma ideia muito ousada porque, no fim do dia, não há barreiras geográficas na ciência. Isso tem ficado cada vez mais evidente. Temos muitas colaborações científicas com universidades do exterior.

 

O sr. considera estratégico para um país enviar alunos para um intercâmbio?

Absolutamente. Nós encorajamos nossos alunos americanos da USC a fazer o mesmo. A cada ano, 2,5 mil alunos americanos vão estudar fora por um semestre em universidades ao redor do mundo. A economia está se tornando cada vez mais global e, em função da revolução da internet, o mundo está muito mais interconectado. É muito importante para a formação dos estudantes ter um bom entendimento de várias partes do mundo. A longo prazo, a carreira deles será global.

 

Mas aqui no Brasil há críticas ao programa. Alguns acham que estamos enviando alunos para universidades não tão boas quanto as nossas. Outros pensam diferente: acham que só o fato de mandar estudantes para o exterior já é algo que merece algum crédito...

Qualquer coisa que você faça terá uma opinião contrária. Mas no fim do dia você precisa ver o que é melhor para o país. Na minha opinião, quando estudantes brasileiros passam um tempo fora e voltam para o Brasil, acho que eles trazem um conhecimento com eles e acho que eles poderão fazer a diferença para a nação, independentemente da área de conhecimento.

 

Por que a USC valoriza tanto a internacionalização?

Acreditamos fortemente na diversidade geográfica dos nossos alunos. Temos estudantes de 115 nações, com crenças religiosas e backgrounds diferentes, mas todos se reúnem como alunos da USC e fazem amizades que, muitas vezes, vão durar para o resto da vida. Por isso vemos a internacionalização como algo muito positivo. Não só por ter alunos estrangeiros, mas também americanos de todos os 50 Estados. Nossos câmpus são um microcosmo de como é o mundo lá fora.

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