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Unicamp: prova 'simples e bem bolada', avaliam professores

Profissionais destacam Interdisciplinaridade das questões e ressaltam que nota de corte deverá ser alta

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

19 Novembro 2017 | 20h11

SÃO PAULO - O vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) manteve a tradição de exigir do candidato o domínio sólido de conceitos básicos, das diversas áreas do conhecimento, e a capacidade de fazer correlações entre diferentes temas para responder corretamente as perguntas. Um dos destaques nesse ponto foi a prova de inglês, que testou, nas questões de linguagem conhecimentos de física e história. 

A prova, cuja primeira fase ocorreu hoje, foi "atual e politizada", segundo a coordenadora do curso do Colégio Objetivo Vera Lúcia da Costa Antunes. "Tratou de prisão de políticos, literatura marginal, meritocracia, Mariana (cidade palco do desastre ambiental do Rio Doce), redes sociais", afirma. "Dos 12 livros exigidos, trouxe questões com sete deles. Uma questão de cada livro. E não eram questões simples. Exigiram que o aluno tivesse conhecimento do livro, do momento histórico em que foi feito", afirma. 

Ela chama a atenção também para uma das questões de química que trouxe termos não comuns para a área, como Dalton (uma unidade de medida usada para expressar a massa atômica) e isopreno (um composto químico). "Era uma questão que o aluno poderia responder, mesmo sem conhecimento desses termos, que existem mas não estão nos livros de química. Só que, ao ver uma palavra que desconhece, o aluno se assusta", afirma.

Nas questões de humanas, a Unicamp trouxe e temas da atualidade, como o Brexit (a saída do Grã-Bretanha da União Europeia) e o abandono, da gestão do norte-americano Donald Trump, do acordo de Paris (que busca conter o aquecimento global). Mas também fez perguntas elementares. "Muita gente se perguntou se a prova traria algo da Rússia, do 100 anos da revolução. A prova teve uma pergunta da Rússia: na geografia, sobre o relevo na ferrovia Transiberiana. Uma questão de geografia clássica", afirma. 

Vera Lúcia exemplifica a interdisciplinaridade cobrada com uma questão de inglês que estava relacionada com a segunda lei de Newton, um tema de física. "Foram 12 questões interdisciplinares, algo muito difícil para o coitado do aluno", brinca a professora. O inglês também chamou a atenção do professor Célio Tasinafo, da Oficina do Estudante.

"A prova de inglês foi quase um manifesto pela cidadania e a inclusão social", afirma. "Trouxe questão citando banheiros unissex, outra com a leitura de um texto abolicionista norte-americano".

Para o professor, a exceção desse espírito interdisciplinar foi a prova de matemática. "Foi uma prova muito parecida com a dos anos anteriores, sem relação com as demais áreas", ressaltou.

Nota de corte. O coordenador-geral do curso Etapa, Edimilson Motta, avaliou que a prova "é daquelas em que todos saem felizes, por acharem que foram bem. Mas aí é quando a nota de corte vai lá para a estratosfera", afirma. "Especialmente na prova de medicina."

A prova teve 90 questões. A segunda fase do exame está marcada para janeiro. 

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