UnB: aulas de graduação, biblioteca e RU parados, mas pesquisa e laboratórios funcionam, dizem alunos

Os poucos estudantes que circulam pelo câmpus buscam dar continuidade a projetos

Agência Brasil,

06 Agosto 2012 | 20h36

Na Universidade de Brasília (UnB), a greve dos professores e funcionários técnico-administrativos levou à suspensão das aulas e o fechamento da biblioteca e do restaurante universitário. Os poucos alunos que circulam pelo câmpus vão à instituição em busca de documentos ou para dar continuidade a projetos de pesquisa e extensão.

De acordo com estudantes, alguns laboratórios seguem em funcionamento e as atividades administrativas - como emissão de atestados e declarações - também não foram interrompidas. A Agência Brasil tentou falar com a Secretaria de Comunicação da UnB (Secom) para saber quais serviços continuam disponíveis apesar da greve, mas até o fechamento desta matéria ninguém atendeu aos telefonemas.

As estudantes de Letras Jéssyca Hellen Ferreira Paulino, de 21 anos, Júlia de Amorim Nascimento, de 20, Luiza Bernardo Borges, de 22, e Giovana Ribeiro Pereira, de 21, contam que os serviços de secretaria estão sendo oferecidos normalmente. "Quando a gente precisa de alguma declaração eles fornecem, pelo menos no nosso curso", disse Jéssyca.

As estudantes, alunas do 6.º semestre - com exceção de Júlia, que está no 5.º - foram à universidade nesta segunda-feira, 6, para se reunir com uma professora que está orientando a turma na preparação de um trabalho. "É o trabalho final da disciplina, bem extenso. A gente estava se preparando para fazê-lo quando a greve começou. Ela (a professora) se dispôs a continuar nos orientando. Mas as aulas estão completamente paradas", disse Giovana.

A aluna do 5.º semestre de Biologia Natália Gonczarowska, de 20, continua frequentando a UnB todas as semanas porque trabalha como estagiária no Laboratório de Neurociência e Comportamento Animal do Instituto de Biologia. "Há muitos laboratórios no meu curso e, que eu saiba, nenhum parou. Além de precisarem de manutenção, pesquisa é uma coisa complicada de parar, pois há prazos", explicou. Na graduação, Natália afirma não estar tendo nenhuma aula. "Todas as minhas disciplinas estão suspensas."

Negociações

De acordo com a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra), que representa os funcionários técnico-administrativos, alguns serviços seguem disponíveis nas universidades e institutos federais porque a categoria está mantendo 30% do efetivo trabalhando. Em greve desde 11 de junho, os técnicos recomeçam as negociações com o governo hoje. A categoria tinha reunião agendada às 17h no Ministério do Planejamento.

Ao longo desta semana, os professores decidirão em assembleias por todo o País sobre a continuidade ou interrupção da greve. Na última quarta-feira, 1.º, o governo decidiu assinar acordo com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), entidade que representa a minoria dos professores. O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), que representa a maior parte da categoria, recusou a proposta governamental e está orientando as bases para endurecerem o movimento.

Duas entidades que também representam os professores, o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), também se recusaram a ratificar o acordo.

Nem o Andes-SN e nem o Proifes quiseram divulgar balanços parciais das assembleias de docentes. Por meio de sua assessoria de comunicação, o Proifes informou que as reuniões ocorrerão ao longo desta semana e que divulgará os resultados logo que possível. A Assessoria de Imprensa do Andes-SN afirmou que a previsão é que as assembleias prossigam até a noite desta terça, 7, e que a divulgação do resultado consolidado ocorra na quarta, 8.

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