Um exame atrás do outro

Veja análise das provas do Enem e das primeiras fases da Unicamp e da Unesp, que deixaram os alunos cansados de tanto marcar xis

Carlos Lordelo e Cristiane Nascimento, Especial para o Estadão.edu,

27 Novembro 2012 | 01h36

A prova da Fuvest, no último domingo, encerrou a etapa inicial de uma maratona. Ao todo, os estudantes que prestaram o Enem e também as primeiras fases de Unesp e Unicamp tiveram 25 horas para resolver 408 questões de múltipla escolha, além de escrever três redações.

No Enem e na Unicamp, as protagonistas foram as redações. Se o exame nacional surpreendeu com um tema pouco debatido no País, a prova da universidade de Campinas pediu que os candidatos escrevessem um resumo e uma carta, gêneros bastante trabalhados no ensino médio.

Já o vestibular da Unesp ficou marcado por, digamos, uma bobeira da banca. A cada cinco questões, as alternativas sempre eram diferentes e seguiam um padrão. Quem percebeu a brecha teve facilidade para gabaritar.

A busca por vagas nas universidades paulistas recomeça em 16 e 17 de dezembro, com a segunda fase da Unesp. Fuvest e Unicamp fazem suas etapas dissertativas em janeiro.

Enem

O Enem trouxe um tema de redação que surpreendeu os candidatos e pode fazer a média geral da prova cair. Os 4,17 milhões de participantes tiveram de escrever um texto dissertativo sobre o movimento imigratório para o Brasil no século 21. A proposta não foi citada por nenhum das dezenas de estudantes ouvidos pelo ‘Estadão.edu’ nos dias 3 e 4. A bolsa de apostas era liderada por algo relacionado a ambiente ou política, por causa da Rio+20 e do julgamento do mensalão.

Para inspirar os candidatos, o Enem forneceu três textos sobre imigração. Falavam da chegada de haitianos e de bolivianos ao País e também mencionavam a contribuição de estrangeiros à nossa história e cultura. Segundo especialistas, os alunos ficaram muito dependentes da coletânea, já que o tema deve ter suscitado dúvidas e não é amplamente discutido fora da Região Norte ou do eixo Rio-São Paulo.

A prova de Linguagens e Códigos foi a mais criticada por professores. Os enunciados estavam muito longos - vários chegavam a ocupar metade de uma página - e os alunos ainda precisavam responder a 45 questões de matemática e fazer a redação no mesmo dia.

Por outro lado, os testes de Ciências Humanas e da Natureza desta edição receberam elogios por sua qualidade. Professores pediram anulação de algumas questões, mas o MEC ignorou as contestações.

Unicamp

A Unicamp alterou este ano o formato de sua primeira fase. O número de questões de múltipla escolha foi mantido em 48, mas o de redações caiu de três para dois. A organização do vestibular ouviu os apelos dos estudantes das últimas duas edições, que alegavam ter pouco tempo para resolver o exame.

As propostas das redações não pegaram os alunos tão desprevenidos, como ocorreu no Enem. Eles precisaram escrever o resumo de um texto sobre a importância do pessimismo em oposição ao otimismo e uma carta a um jornal criticando uma reportagem sobre bebidas alcoólicas. Segundo professores, os dois gêneros são bastante trabalhados no ensino médio. As redações valem metade da nota da primeira etapa.

Na parte objetiva, a surpresa ficou por conta da simplicidades das questões. Alunos e professores acharam os testes mais fáceis e até menos criativos que os do ano passado. As perguntas tinham enunciados curtos e bem elaborados e o exame conseguiu cobrir boa parte dos conteúdos mais importantes do ensino médio.

Caiu filosofia, com uma pergunta sobre Sócrates, e as 12 questões de matemática, por exemplo, passavam por vários assuntos fundamentais, como trigonometria, números complexos e polinômios. O Anglo contestou o gabarito de dois itens, dizendo que cada um tinha duas respostas corretas. A Unicamp não acatou a queixa.

Unesp

O exame da Unesp ficou marcado pela padronização de suas respostas. Em todas a versões da prova, composta por 90 questões de múltipla escolha, a cada grupo de cinco questões as respostas seguiam um padrão específico. Se um grupo tivesse como primeira resposta a alternativa D, por exemplo, as quatro questões seguintes teriam como alternativas corretas as letras C, E, B, A, respectivamente. O padrão talvez tenha ajudado aqueles que perceberam as sequências ao preencher o gabarito.

Apesar da coincidência, o exame foi, de modo geral, bastante elogiado pelos professores dos principais cursinhos do Estado. Na opinião dos docentes, a prova abordou grande parte do programa do ensino médio, sem impor grandes dificuldades aos candidatos. Por outro lado, o exame da Unesp exigiu dos vestibulandos uma leitura atenta, muita capacidade de interpretação de textos e raciocínio lógico.

A impressão colorida foi um diferencial que chamou a atenção e agradou a alunos e professores, porque contribuiu para a análise de gráficos e imagens - os dois recursos foram bastante utilizados na prova.

Dois dos testes do vestibular, um de química e outro de matemática, foram questionados pelos especialistas dos cursinhos Anglo e Etapa. Na opinião dos professores, as questões apresentavam mais de uma alternativa correta.

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