Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Treineiros aproveitam vestibulares de meio de ano para se preparar

Candidatos encaram os exames de inverno como oportunidade para ganhar experiência

Ocimara Balmant, O Estado de S. Paulo

14 Maio 2013 | 11h15

Nem todo mundo que presta o vestibular de inverno quer uma vaga já para agosto. Aliás, há aqueles que não têm nem sequer a pretensão de se matricular na instituição em que vão fazer prova. São os treineiros, que aproveitam a oportunidade para se preparar para as provas de fim de ano.

“É um treino caro, porque é preciso pagar a taxa de inscrição. Mas é uma oportunidade de sentir na pele como é o vestibular”, explica o coordenador de vestibular do Anglo, Alberto Francisco do Nascimento.

Estudante do 3.º ano do ensino médio no Colégio Albert Sabin, Bruno Camargo Paim de Araújo, de 17 anos, se candidatou a uma vaga de Engenharia na Unesp – a única estadual paulista a ter vestibular de inverno. Mas ele não quer ser engenheiro e a Unesp não é sua primeira opção. A prova será um treino para o vestibular da Fuvest e da Unifesp, onde quer cursar Medicina em 2014.

“Como a Unesp não oferece vagas para Medicina no meio do ano, escolhi Engenharia pela alta concorrência. Vou com dois objetivos: saber os conteúdos aos quais preciso me dedicar mais e me acostumar à tensão e ao nervosismo desse ambiente real de vestibular”, afirma ele.

A decisão tem o aval do orientador educacional do colégio, Alexandre Antonello. “Independentemente de querer ou não a vaga, sempre incentivo os alunos a prestarem, porque é a chance de fazer uma prova de verdade e não mais um simulado como tantos que o colégio oferece.”

Para Antonello, isso significa que o candidato terá de ficar atento ao calendário de divulgação, cumprir prazos de inscrição e se organizar para fazer a prova em um local que não está acostumado a frequentar. “É um tipo de estresse que o simulado do colégio não contempla e isso pode ser decisivo na hora H.”

Uso pedagógico

Feita a prova, o resultado deve servir de bússola tanto para o colégio e o cursinho como para os alunos. Com os dados de rendimento do conjunto de estudantes que prestaram o vestibular, a instituição de ensino pode mapear os pontos do seu plano pedagógico que precisam de ênfase ou revisão. O estudante, por sua vez, deve enxergar o resultado como um retrato do momento e, portanto, não sofrer demais se sua performance não agradou nem se entusiasmar muito se acertou mais do que previa.

“O aluno fica muito contente com as questões que acerta, mas o mais importante é ver por que errou as outras perguntas”, alerta o professor Gilberto Alvarez, o Giba, diretor do Cursinho da Poli.

Para ele, a autoavaliação é fundamental. Logo, quem não puder ser treineiro deve fazer simulados. Se nem isso for possível, o indicado é resolver provas de anos anteriores. “Só não dá para ignorar o perfil daquela avaliação específica.”

Arnaldo Roizenblatt, de 17 anos, cumpre a determinação à risca. Aluno do 3.º ano no Colégio Bandeirantes, ele se prepara para conseguir a sonhada vaga em Medicina desde que começou o ensino médio. Já fez, por duas vezes, a prova da Fuvest como treineiro e daqui a menos de duas semanas fará o vestibular da Unesp. Além desse teste, o calendário do estudante tem cinco simulados do colégio previstos apenas para o primeiro semestre. "Não perco uma chance de me preparar melhor”, afirma.

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