Todos pela Educação inova. E ganha

Priscila Cruz comanda o movimento desde 2005 na luta por uma melhor educação no País

Márcia Moreno, especial para O Estado de S. Paulo,

21 Maio 2012 | 10h35

A educação é chave para o desenvolvimento de um país: é fundamental para a formação do homem como indivíduo e como cidadão na sociedade. Neste item, os jurados votaram pensando em inovação, desenvolvimento econômico, social e práticas sustentáveis. A escolha dos jurados foi a diretora executiva do Movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz. Aos 37 anos, está à frente da entidade desde 2005. Ela busca colocar o desafio de melhorar a educação básica na agenda do dia.

 

Priscila é formada em administração pela FGV e em direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, da USP. Fez cursos de liderança e negociação em Harvard e iniciou sua carreira no Terceiro Setor em 2001, quando coordenou, no Brasil, o Ano Internacional do Voluntário, projeto da ONU. No ano seguinte, fundou o Instituto Faça Parte, cujo objetivo era estimular ações voluntárias em benefício da escola. Saiu da ONG para ajudar a criação do Todos Pela Educação.

 

"Além de reconhecer o meu trabalho e o da equipe do Todos, aumenta nossa responsabilidade", diz ela. "O Todos é um movimento sem paralelo no País. A gente não é ONG, é movimento, produz relatórios, faz campanhas e pressiona o governo."

 

Para a diretora, ao estabelecer metas e bandeiras, o Todos pela Educação “deu clareza" às demandas da sociedade por uma educação de qualidade. “A educação é o único caminho para ter um país mais justo, para que as crianças tenham oportunidades equitativas.” Agora com o Prêmio, Priscila acredita que a responsabilidade aumentou. “Carregamos a referência de liderar a melhoria da educação nas escolas públicas do nosso país e isso tem que continuar”, diz.

 

Para ela, a receita do reconhecimento é muito trabalho e paixão no que faz. “Ninguém consquista grandes coisas sem paixão e emoção. Lá na ONG, nós comemoramos desde as pequenas conquistas até as grandes, pois isso é que alimenta o trabalho social de todos nós.”

 

Momento do milagre – A superintendente-executiva do Instituto Unibanco, Wanda Engel, se sentiu honrada com o convite para participar do júri do Prêmio Lideranças Jovens. “O maior ativo de um país são as novas gerações. São elas que vão criar uma trilha de crescimento sustentável para o Brasil”, diz. Ela acredita que estamos vivendo um momento bom no Brasil, “um milagre”, segundo ela. “Temos um crescimento econômico acompanhado da diminuição de pobreza e desigualdade, isso é uma novidade para nós e para o mundo”, comemora.

 

“Estamos conseguindo crescer e distribuir melhor a nossa renda, através de dois caminhos: um dos projetos sociais, como o Bolsa Família, que proporciona condições mínimas de sobrevivência através de repasse de recursos financeiros e também garante a médio e longo prazos que as crianças frequentem a escola. Com isso, esta família terá um aumento do capital humano e poderá sair da pobreza”. O outro fator a ser comemorado, de acordo com Wanda, é o aumento do nível de escolaridade da população. Mas este segundo fato também traz preocupação para ela.

 

“Por mais que o Brasil tenha crescido neste sentido, as exigências do moderno mundo da sociedade do conhecimento quer pessoas que tenham 11 anos de escolaridade. Só assim serão absorvidas pelo mercado de trabalho”, diz. “Se não tiver escolaridade, a pessoa vai para o limbo do subemprego  ou do desemprego, o que é pior. Esta pessoa deixa de se tornar um ativo do País, para ser um ônus.” Ela não fica preocupada com as capacitações necessárias para cada profissão ou área. “As necessidades do mercado de trabalho são fornecidas pelo próprio mercado – temos de pensar em escolaridade. Um país que não tenha sua população economicamente ativa com 11 anos de escolaridade não tem a menor condição de competir no moderno mercado de trabalho.”

 

A educadora afirma que as vitórias no campo social, econômico e educacional ajudam, mas ainda há muito a ser feito. “A educação é o grande desafio deste país. Precisamos criar uma força de dinamização para acelerarmos o processo, senão vamos desperdiçar esta grande força que é a juventude. Não podemos apenas continuar a crescer no ritmo que estamos, precisamos de mais. Temos de ganhar ritmo para que o Brasil tenha uma infraestrutura de recursos humanos adequada às demandas do seu desenvolvimento.”

 

Ela confessou estar preocupada com o Estado do Pará, que ainda apresenta um Índice de Educação Básica de 2,9. “No Pará, apenas 30% dos jovens estão no ensino médio. E o estado está com ritmo econômico acelerado, com várias obras. Com isso, não há paraenses com escolaridade suficiente para este novo mercado de trabalho. Por isso, buscam-se profissionais em outros estados e isso aumenta os conflitos sociais locais.” Wanda acredita que os resultados não devem ser pensados para gerações futuras, e sim para um prazo mais curto. “Temos de ter metas intermediárias. Se tivermos marcas atingidas durante o processo, chegaremos mais mais rápido ao resultado final e ideal.” Ela lembra que muitos pensam que as metas dos projetos sociais demoram para ser atingidas, mas, com determinação, é possível mudar isso. “Os resultados sociais não podem demorar muito, vamos lembrar que conseguimos em 12 anos, de 2000 até agora, tirar 36 milhões de pessoas da pobreza.”

 

Indicados

 

Paulo Blikstein - Diretor do Laboratório de Tecnologia Educacional de Stanford. Aos 39 anos, o paulistano pesquisa a escola do futuro, em particular, novas formas de ensinar conteúdos avançados de ciência, engenharia e matemática para alunos do ensino fundamental e médio. Para despertar o interesse das crianças, ele cria tecnologias de ponta que trazem práticas avançadas como robótica, fabricação digital e modelamento computacional para o alcance dos alunos. Para trazer esses novos ambientes para a realidade de países como o Brasil, Blikstein usa tecnologias abertas e de baixo custo. Blikstein ganhou recentemente o Google Faculty Award e o National Science Foundation Early Career Award, considerado o mais importante prêmio do governo americano para jovens professores. Em 2011, ele fundou o Centro Lemann para Empreendedorismo e Inovação na Educação Brasileira, que vai formar mais de cem pesquisadores e professores brasileiros em Stanford, nos próximos dez anos, além de fazer pesquisas para transformar a educação brasileira. 

 

Sidarta Ribeiro - Diretor do Instituto do Cérebro da Universidade do Rio Grande do Norte. Nascido em Brasília, Sidarta é formado em biologia pela UnB. Fez mestrado em biofísica na UFRJ, doutorado em neurociências na Universidade Rockefeller, em Nova York, e pós-doutorado na Universidade Duke, na Carolina do Norte. Foi nos EUA que começou a planejar a instalação de um instituto de neurociências no Brasil, junto com vários outros neurocientistas brasileiros que atuam no exterior. O Instituto Internacional de Neurociências de Natal surgiu em 2005, fundado por Cláudio Mello, Miguel Nicolélis e Sérgio Neuesnschwander e que Sidarta dirigiu até 2008. Hoje dirige o Instituto do Cérebro da UFRN.

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