Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Tecnologias levam carona solidária a estudantes e pais

Sete escolas paulistanas já iniciaram o uso ou estudam aplicativos que podem reduzir gastos e melhorar a entrada e saída de alunos

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

30 Março 2015 | 08h35

SÃO PAULO - Para evitar o trânsito, economizar combustível e até fazer novos contatos, estudantes de colégios e universidades de São Paulo têm recorrido às chamadas caronas inteligentes. Além das costumeiras "camaradagens" entre pais ou colegas, agora eles usam sites e aplicativos que auxiliam no processo.

O Colégio Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, foi pioneiro. A instituição adotou neste mês uma plataforma que interliga os pais por proximidade física e idade dos filhos. A tendência é que o sistema se expanda para pelo menos outras seis escolas, que já se cadastraram, como o Santa Cruz e Piaget, ambos da capital, mas que ainda não o implementaram.

A proposta já teve adesão de grande parte dos pais, segundo o colégio. O perfil dos usuários é o dos que enfrentam dificuldades com o rodízio de placas, horários variados de saída dos filhos ou até mesmo a demora do trajeto que hoje fazem as peruas escolares. "Agora tenho a possibilidade de encontrar outros pais cujos horários batem com os das minhas filhas", disse a funcionária pública Gláucia Cotait, de 49 anos, mãe de gêmeas.

Hoje, as meninas vão ao Bandeirantes com a perua, mas devem aderir ao sistema. A principal reclamação de Gláucia é o horário diferenciado - às vezes uma sai mais cedo do que a outra e precisa ficar esperando.

Como os registros são feitos com a matrícula dos alunos, o sistema é fechado somente a quem realmente estuda no local. O primeiro passo, no caso do site Caronetas, adotado pelo Bandeirantes, foi realizar um mapeamento de endereços dos pais para identificar quais moravam em um mesmo bairro.

A analista de marketing Regina Jorge, de 43 anos, já oferece e recebe caronas mesmo antes de o Colégio Piaget, na zona norte, implementar o uso do site. Além de levar seu filho Leonardo à escola, dá carona a dois colegas do garoto. Em dias alternados, os pais desses colegas levam Leonardo para a escola. A expectativa é que o sistema encoraje outros pais. "Há menos carros nas ruas, ainda mais em uma região complicada como a do colégio, em uma travessa da Avenida Imirim. Também ajuda os alunos a conhecer colegas de outras classes e outras idades", comentou.

Prática antiga, jeito novo. Nas universidades, as redes sociais sempre tiveram grupos para encontrar carona. A novidade é a "sistematização" e a tentativa de se criar mais segurança com os aplicativos. O preparador físico Ronaldo Finotti, de 45 anos, aproveitou sites como o Tripda para pedir e oferecer as caronas que já adotava desde a graduação. Morador da zona norte, ele oferece pelo site viagens para universitários da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp), em Campinas, uma vez que trabalha na cidade com uma equipe profissional de vôlei.

O valor que cobra pelas viagens (R$ 17) serve para custear o combustível e o pedágio. "É ótimo porque tem companhia, tem assunto na viagem", afirmou Finotti.

A coordenadora de marketing Daiane Rocha, de 23 anos, também já pegava caronas na graduação, quando se deslocava de Alphaville, região metropolitana, até a faculdade Anhanguera, na região central da capital. Agora as oferece. "Fiz vários amigos em caronas na faculdade que hoje também estão na área e até ajudam e tiram dúvidas. Posso dar carona a um estudante que daqui a pouco vai ser profissional."

Sites criados pelos próprios estudantes. Muitos dos sites que surgiram para organizar essa demanda partiram dos próprios estudantes, como é o caso do Caronas.co, de estudantes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq- USP) e do UniCaronas, de ex-alunos da Unicamp.

Hoje, ambos foram incorporados ao Tripda, que também é coordenado por um ex-estudante “caroneiro”, o administrador de empresas Pedro Meduna.

“Nasci em Campinas e me mudei para São Paulo para fazer universidade. Toda sexta, eu voltava para Campinas e, domingo à noite, para São Paulo. Sempre vi a necessidade de se ter algo melhor do que ficar ligando para amigos ou viajando de ônibus, que é mais caro.”
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