Celso Junior/AE-8/9/2011
Celso Junior/AE-8/9/2011

'Sociedade comparava coisas sem a cautela devida', afirma Haddad

Ministro da Educação defende nova forma de divulgação dos dados do Enem: 'Era preciso um avanço maior'

Rafael Moraes Moura / BRASÍLIA, O Estado de S. Paulo

12 Setembro 2011 | 03h34

Ao modificar a forma de divulgação dos dados do Enem, agrupando as escolas que tiveram índice semelhante de participação dos alunos, o MEC quer ajudar a sociedade a analisar as informações e fazer com que os colégios estimulem seus estudantes a se inscreverem no exame.

“Os técnicos do Inep entenderam que era preciso um avanço maior, pois a sociedade comparava as coisas sem a cautela devida”, afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, na quinta-feira, quando apresentou os dados do Enem para os jornalistas, em Brasília.

Até 2010, o MEC divulgava uma única lista de escolas, de acordo com a pontuação obtida pelos seus alunos. A partir deste ano, os colégios foram divididos de acordo com o porcentual de participação dos alunos. Assim, foram divulgadas quatro listas: de 2% a menos de 25%, de 25% a menos de 50%, de 50% a menos de 75% e de 75% a 100%.

Para a presidente do Inep, Malvina Tuttman, as mudanças na divulgação dos resultados ajudarão pesquisadores do instituto, órgãos de pesquisa e universidades a apontar “linhas de investigação que possam subsidiar políticas públicas educacionais”.

Questionado sobre o que seria melhor - uma escola com nota alta, mas baixa participação ou outra com nota inferior, mas alta participação -, Haddad destacou que a pontuação obtida pelo colégio no Enem não deve ser o único critério de avaliação. “Embora seja um dado importante, a escola tem dimensões que não são avaliadas pela prova.”

Segundo ele, a taxa de participação dos alunos no exame dá aos pais um subsídio a mais na hora de avaliar uma escola. “É uma variável a mais que está sendo ressaltada. Até para que as escolas com baixa participação sejam estimuladas a inscrever mais alunos”, explicou.

No Enem 2010, a taxa média de participação dos alunos concluintes do ensino médio foi de 56%. Esse é, para Haddad, um ponto de partida para a avaliação da escola. “É um bom critério. A escola que está com menos de 56% tem uma participação inferior à média do País.”

Desigualdade. Haddad também destacou que sempre existirão diferenças no desempenho das escolas, mas o País precisa acabar com os grandes fossos. “As distâncias são intoleráveis. Precisamos reduzi-las, não podemos aceitar esse nível de desigualdade.”

O ministro destacou que muitas vezes as condições socioeconômicas das famílias interferem mais no resultado de uma escola do que o trabalho direto do diretor, do professor em sala de aula. “Mais de 2/3 da explicação do desempenho está fora da escola.”

Os dados divulgados pelo MEC indicam que os estudantes concluintes do ensino médio regular conseguiram 9,63 mais pontos no Enem 2010 se comparada à edição de 2009. Pela primeira vez a comparação é possível graças à adoção da Teoria de Resposta ao Item (TRI), ferramenta que calibra a dificuldade de avaliações distintas.

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